E o Agosto está a chegar!

E o Agosto está a chegar!

O mês de Agosto está a bater-nos à porta e uma grande parte dos portugueses vai abri-la para férias. É assim cada ano que passa, é assim uma tradição baseada no mês que, salvo algumas partidas da natureza, é o período do ano mais quente e mais propício para as férias familiares.

Milhares de portugueses que por toda essa Europa trabalham reúnem os “tarecos” e os euros poupados e viajam para Portugal na procura do merecido descanso anual.

Para uns, é tempo de verificar o estado da viatura, fazer a preparação da viagem e dos seus necessários descansos, daquilo que podem trazer sem prejudicar a condução e dormir descansadamente antes de se fazerem à estrada. Para outros (espero que poucos), a aventura é carregar no acelerador e chegar o mais depressa possível, mesmo com o perigo de não chegarem… Para outros ainda, na Europa e fora dela, é hora de prepararem as bagagens para o “chek-in”.

Se para uns o mês de “vacances/holidays” é sagrado, para outros é um inferno. Estão, neste último caso, os bombeiros nacionais a braços com os habituais incêndios desta época do ano.

Desde a tragédia que assolou Pedrógão, as televisões nacionais servem-nos fogo ao pequeno-almoço, ao almoço e ao jantar.

Se bem que a tarefa da Comunicação Social é a de dar conhecimento público do que de importante se passa em Portugal, os canais televisivos enchem, agora e praticamente, todo o espaço informativo com reportagens em directo dos incêndios que assolam o País (repetidas quase que mecanicamente em diversas horas e dias), entrevistando os agentes locais e prolongando as emissões com comentários de comentadores externos, escolhidos pelas televisões.

Os fogos, em si mesmos, deixaram de ser a matéria restrita da informação a prestar, para passarem a ser o veículo que possa conduzir à reportagem sobre a conflitualidade. Responsáveis dos bombeiros a contestar a Protecção Civil, populares a contestar os bombeiros, autarcas a contestar os primeiros, os comentadores a darem “palpites” sobre a responsabilização dos acontecimentos e a oposição a contestar os governantes.

A princípio ainda pensei que tudo isto não passava da exploração informativa dos acontecimentos de Pedrogão, a fim de manter as “shares” de audiência que aquela tragédia tinha proporcionado e que outros incêndios pudessem prolongar, mas à medida que o tempo foi multiplicando estas reportagens e comentários pensei melhor e concluí: deviam ser proibidas eleições nacionais a seguir à habitual vaga de incêndios de Verão (como é o caso deste ano).

Se há fogo, a culpa é do Governo!

Não pretendo desresponsabilizar todos os agentes que intervêm no combate aos incêndios e, nomeadamente, aqueles que dependem directamente do Governo, mas face às actuais circunstâncias e reposição de argumentos sou obrigado a concluir que os fogos que atingem o País neste Verão estão a ser utilizados como “arma de arremesso” contra o actual Governo por razões eleitoralistas.

Curiosamente, foi este Governo que há meses iniciou a discussão parlamentar sobre o ordenamento florestal de Portugal, algo essencial à protecção do nosso parque verde (e que os acontecimentos de Pedrogão vieram tornar pública a emergência de um acordo entre os partidos sobre esta matéria) e cuja discussão sobre o assunto está a ser “encravada” por diferentes posições partidárias.

Mas pese embora o “calor” das discussões políticas, os portugueses querem o calor de Portugal nestas férias. E apesar de desejarem soluções para o drama estival dos fogos, também querem passar um período de férias longe das preocupações quotidianas, comendo e bebendo o que de melhor o País lhes oferece e passeando pelas suas paisagens encantadoras.

Afinal Portugal, apesar de alguns tristes e localizados acontecimentos e a sua partidarite consequente, é um país maravilhoso. Que o digam os muitos milhares de estrangeiros que o têm escolhido para viver e os milhões que nos visitam e nos quais “tropeçamos” todos os dias. Conseguiu com bastante sucesso ultrapassar os principais constrangimentos económicos e financeiros, com que nos debatíamos há dois anos, continua a criar bastantes empregos, a aumentar salários e prestações sociais e a apresentar-se como um país pacífico.

Razões de sobra para continuarmos a gostar dele e não prescindirmos de nos orgulharmos de ser portugueses.

Por isso, passem umas excelentes férias, divirtam-se e “à volta cá vos espero”.

LUIS BARREIRA

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