Casinos de Macau

Pequim de olho nas transferências ilegais

Pequim de olho nas transferências ilegais

Responsáveis do Ministério da Segurança Publica chinês vão encontrar-se com as autoridades financeiras e bancárias de Macau na próxima semana, para «fortalecer a supervisão» sobre transferências ilegais de dinheiro através dos casinos do território.

Segundo o China Daily avançou na passada quarta-feira, a diligência insere-se na campanha anti-corrupção em curso na China, a maior do género lançada nas últimas décadas pela direcção do Partido Comunista Chinês e que já atingiu milhares de funcionários, entre os quais cerca de 60 quadros dirigentes com a categoria de vice-ministro ou superior.

«Muitos funcionários tendem a jogar nos casinos de Macau, através dos quais, e com a ajuda de bancos clandestinos, transferem os seus bens ilegais para o estrangeiro», descreve o China Daily num artigo de primeira página com o titulo “Casinos de Macau alvos na luta contra a corrupção”.

O jornal não precisa o número dos referidos funcionários, adiantando apenas que «eles fugiram para os Estados Unidos, Canadá e Austrália para escapar ao castigo» e que as referidas transferências são realizadas «com a ajuda de bancos clandestinos».

Citando fontes de Macau, o China Daily refere que no primeiro semestre de 2013 o regulador dos jogos de casino receberam mais de 900 relatos de actividades suspeitas, mais 31% do que no ano anterior.

Há cerca de um mês e meio, o mesmo jornal associou o declínio das receitas do jogo em Macau à campanha anti-corrupção em curso na China continental desde que o actual presidente, Xi Jinping, assumiu a chefia do Partido Comunista, em Novembro de 2012.

Em 2014, pela primeira vez em mais de uma década, as receitas do jogo em Macau caíram 2,6%, para 35 mil 520 milhões de euros.

 

Santos dirigentes…

O director do Gabinete de Ligação do Governo Central chinês em Macau, Li Gang, acredita que as quedas nas receitas dos casinos do território não estão relacionadas com a campanha anti-corrupção da China.

Em declarações aos jornalistas na última terça-feira, reproduzidas pelo Jornal Tribuna de Macau, Li Gang disse mesmo que foram «muito raros» os casos de dirigentes corruptos que vieram jogar ao território.

O director do Gabinete de Ligação aponta antes para factores como o abrandamento do crescimento económico chinês e a abertura de mais casinos na Ásia que resultam num «ajustamento natural» do sector – um termo que também tem vindo a ser usado pelo Governo de Macau.

Apesar das declarações, as autoridades chinesas não estarão muito convencidas da imunidade dos casinos locais a actos menos lícitos, nomeadamente no que se refere à transferência de montantes da China para Macau, e exigiram a colaboração da Autoridade Monetária de Macau e dos bancos na aplicação de um sistema de monitorização das transferências feitas através do sistema “Union Pay”. Li Gang disse não ter conhecimento desta iniciativa.

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