Olhando em Redor

Solução para o Canídromo

O futuro do Canídromo, único recinto de corridas de galgos na Ásia, tem dado muito que falar nos últimos tempos. Para mim a questão é simples de resolver: o Governo não deve cair na asneira de renovar o contrato de concessão para a exploração daquele espaço.

Mais do que imoral, como tem sido veementemente defendido pelo presidente da ANIMA, Albano Martins, o não encerramento do Canídromo é um claro retrocesso no consolidar da imagem de Macau como cidade internacional, porque as práticas que ali infligem aos galgos são coisa digna do terceiro mundo.

Na minha humilde opinião o terreno não deve ser aproveitado para a construção de um centro desportivo, de um parque de estacionamento e de um parque infantil, como defendem os “Kai Fong”, mas sim para tornar o espaço num pólo para o desporto de competição (e nunca para o chamado “Desporto para Todos”).

Porque os clubes merecem melhor sorte em termos de desenvolvimento das respectivas modalidades, sou apologista que deve haver mais e melhores instalações desportivas à sua disposição. O Governo não tem aqui margem de manobra, porque a esmagadora maioria dos campos, dos pavilhões e dos terrenos da RAEM são “estatais”, e não privados. Veja-se o caso do Macau Dome, imponente infra-estrutura que os dois últimos Governos (desde o último mandato de Edmund Ho) não souberam, ou não quiseram, potenciá-lo a favor do desenvolvimento global do desporto local.

E porque há poucos relvados destinados ao futebol, o terreno do Canídromo deve ser aproveitado para dotar o campo com relva artificial de última geração e uma pista de tartan de maneira a servir inúmeras competições de âmbito local, regional e internacional, nas modalidades de futebol, de hóquei em campo, de atletismo e de râguebi, entre outras. Seja nas competições de clubes, seja nas de cariz escolar ou a nível das selecções.

Optando por esta solução, o Executivo da RAEM mata dois coelhos com uma só cajadada: 1 – Deixam de fazer sentido as críticas de quem defende que o relvado do Estádio de Macau (ilha da Taipa) deve ser sintético de última geração, em detrimento de relva natural. 2 – Os atletas vão ter mais oportunidades de evoluir em termos qualitativos, podendo o território fazer melhor figura nas competições internacionais.

É verdade que os parques de estacionamento, os parques infantis e os centros de saúde, entre outros equipamentos sociais, são bastante necessários ao desenvolvimento do território. No entanto, noto com imensa tristeza que se esteja a dar muito pouco ênfase à progressão qualitativa do desporto de competição. A bola está do lado do Executivo da RAEM.

 

Visão, precisa-se!

 

Macau é um território extremamente dependente da indústria do Jogo, que por sua vez tem atraído uma grande panóplia de negócios relacionados com o consumismo, como são os casos das lojas de conhecidas marcas mundiais, de restaurantes e de várias formas de entretenimento.

Todavia, há uma clara falta de estratégia global para potenciar o consumismo como factor de diversificação económica, porque não se está a seguir à letra a regra do CMMD, ou seja: Comida, Moda, Mobiliário e Divertimento.

Para Macau ser atractiva precisa ter na mesa a melhor comida que lhe é característica, não só nas unidades hoteleiras, como também nos restaurantes e nos estabelecimentos de comidas. Infelizmente, há locais onde a gastronomia cantonense é completamente desrespeitada, por causa do pouco asseio das cozinhas, o que se reflecte depois na qualidade dos pratos.

A comida macaense é praticamente inexistente, à excepção de um ou outro local, que mesmo assim não é suficiente para chegar de forma mais abrangente ao público em geral.

Também a gastronomia portuguesa sofre, aqui e ali, um revés na qualidade dos pratos ou do serviço, seja porque as rendas estão altas (mas o cliente não tem culpa), seja porque as rendas até são desculpa para o lucro fácil.

Macau é completamente incipiente na Moda. Embora haja também aqui e ali alguns estilistas que tentem remar contra a maré, os mesmos sabem há muito que ainda não têm o seu nome consolidado na praça (local e asiática). Há que trazer os desfiles de moda com conceituados estilistas e modelos que ponham o território no mapa, porque o resto vem por acréscimo.

Um dos negócios que poderia trazer grandes dividendos às PME seria o Mobiliário. Há milhares de condomínios espalhados pelo território a precisar de renovação e de mobílias ou de apenas terem as paredes pintadas. A RAEM pode ser um centro para decoração de interiores, negócio que podia muito bem aproveitar os interesses das PME locais.

A questão essencial é a seguinte: por que importar mobiliário, quando Macau também podia ser um importante centro desta indústria? Há pois que aproveitar os edifícios industriais que ainda não foram reaproveitados e dar uma oportunidade a este tipo de negócio. Assim haja interessados.

Por fim, quem não se lembra das famosas noites do Mondial, do Fortuna, ou do Embassy Bar, no antigo Mandarin Oriental (actual Grand Lapa)? O entretenimento, tal e qual como o conhecemos hoje, está muito aquém das potencialidades de Macau, porque a diversão nocturna é quase inexistente, a não ser num ou noutro local que pouco acrescentam ao marasmo que teima em persistir.

O Lion’s Bar no MGM, o Cubic no City of Dreams, e o Bellini Lounge no Venetian, ainda vão remando contra a corrente. E só de pensar que em Pequim há a Sanlitun, em Hong Kong o Lan Kwai Fong e em Singapura o Clarke Quay percebe-se muito bem porque Macau ainda é um subúrbio da Ásia.

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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