Papa Cónon

GUARDIÕES DAS CHAVES – 47

Superando facções rivais em Roma: Cónon e Sérgio I

CÓNON

(23.X.686 – 21.IX.687)

O 83.º Pontífice Romano nasceu, provavelmente, na Trácia. Embora os antigos gregos e romanos considerassem os trácios como belicosos, ferozes, sanguinários e bárbaros, Cónon era exactamente o oposto. Era um sacerdote idoso, venerável e bondoso, com uma excelente reputação. Foi por esta razão escolhido como Papa, após a morte de João V, tendo superado dois candidatos rivais. Um dos candidatos, chamado Teodoro, tinha o apoio dos militares. No outro campo estava Pedro, apoiado pela maioria do clero. As duas facções rivais chegaram a um acordo e nomearam Cónon.

Entretanto, em Bizâncio, Constantino IV foi sucedido por Justiniano II (685 a 695 e novamente de 705 a 711). Justiniano II era um governante ambicioso e apaixonado, empenhado em restaurar o Império Romano à sua antiga glória. Foi um dos imperadores mais desprezados de Bizâncio – era cruel com aqueles que a ele se opunham e desejava constantemente guerra e vingança. A sua relação com o Papa Cónon, no entanto, era muito amigável. “Cónon recebeu uma carta do imperador, informando o Papa que os actos originais do Sexto Concílio Ecuménico haviam sido recuperados e que o imperador, após fazer com que todos os altos funcionários eclesiásticos, civis e militares os assinassem, havia tomado medidas para sua preservação. O imperador também demonstrou sua boa vontade para com o papado, reduzindo alguns dos impostos sobre o património” (Brusher & Borden, “Popes through the Ages”, pág. 166).

Algumas pessoas tentaram tirar partido da bondade do Papa e convenceram-no a nomear um certo Constantino para administrar os bens papais na Sicília. Isto foi contra a opinião dos seus conselheiros em Roma. Os sicilianos protestaram e Constantino foi preso.

Apesar da saúde debilitada e da idade avançada, Cónon demonstrou grande zelo missionário. Defendeu as missões cristãs na Francónia (Sul da Alemanha), tendo ordenado São Killian como bispo, enviando-o para liderar os seus companheiros missionários irlandeses na divulgação do Evangelho na Alemanha. Na época, a Irlanda tinha a reputação de ser um país de santos e estudiosos. Eles levaram a fé a milhares de pessoas na Europa.

SÃO SÉRGIO I

(15.XII.687 – 7.IX.701)

Após a morte de Cónon, as facções rivais durante o seu tempo reavivaram a disputa pelo Papado. Uma facção apoiou novamente Teodoro, enquanto outra apoiou Pascoal. Mas a maioria escolheu, mais uma vez, um candidato de compromisso, Sérgio, de Antioquia, na Síria. Teodoro cedeu imediatamente e Pascoal foi forçado a concordar. Pascoal, contudo, tentou subornar o exarca de Ravena com cem libras de ouro, para que ele o confirmasse (Pascoal) em vez de Sérgio. Quando o exarca percebeu que era inútil atender ao pedido de Pascoal, concordou em confirmar a eleição de Sérgio, mas exigiu o pagamento das cem libras de ouro. Sérgio e os romanos protestaram em vão.

“Sérgio recebeu muito consolo do Ocidente. Em 688, Caedwalla, o poderoso rei dos saxões ocidentais, veio como peregrino a Roma em busca do baptismo do Papa. (…) São Willibrord, um monge anglo-saxão, veio buscar a bênção do Papa em uma missão aos frísios [na Alemanha]. Sérgio o consagrou bispo e o enviou para um trabalho frutífero entre os bárbaros. (…) Então, também, o antigo Cisma dos Três Capítulos [553 a 698 d.C., mas em algumas áreas até 715 d.C.] finalmente terminou com a submissão do bispo e do clero de Aquileia-Grado” (Brusher & Borden, “Popes through the Ages”, pág. 166).

Sérgio teve ainda de enfrentar problemas no Oriente, um pouco semelhantes ao problema do Papa São Martinho I (649-655) com o imperador Constâncio II. “O cruel imperador Justiniano II queria que ele assinasse os decretos do chamado Concílio Quinisext ou Trulano de 692, no qual os gregos permitiam que padres e diáconos mantivessem as esposas com quem se casaram antes da sua ordenação, e que visava colocar o Patriarca de Constantinopla em pé de igualdade com o Papa de Roma. Quando Sérgio se recusou a reconhecer este sínodo, o imperador enviou um oficial para levá-lo a Constantinopla. Mas o povo protegeu o Papa, e o próprio Justiniano foi deposto pouco tempo depois (695)” (Mann, Horace, “Papa São Sérgio I”. A Enciclopédia Católica. http://www.newadvent.org/cathen/13728b.htm).

O Papa São Sérgio introduziu o uso do “Agnus Dei” na liturgia (cf. Caporilli, “Os Pontífices Romanos”).

Pe. José Mario Mandía

LEGENDA: Papa Cónon

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