Igreja em Macau: 450 anos de Comunhão

“LUX VERA – PASSAGEM DA VERDADEIRA LUZ”

Igreja em Macau: 450 anos de Comunhão

D. Stephen Lee presidiu a Missa de Acção de Graças pelo 450.º aniversário da fundação da diocese de Macau, no passado dia 23 de Janeiro. A igreja da Sé Catedral e outros espaços abertos para o efeito, localizados nas imediações, acolheram cerca de mil fiéis, que participaram na Eucaristia e testemunharam o significativo momento.

A concelebrar a Missa estiveram cerca de cinquenta sacerdotes diocesanos e de ordens e congregações religiosas, entre os quais os párocos das nove paróquias que compõem a Diocese. Com todos eles, o prelado reuniu num primeiro momento no Paço Episcopal, a que se seguiu o tradicional cortejo até ao adro da Sé, ao som dos sinos. Na frente caminharam os acólitos, envergando os estandartes das paróquias – acto simbólico do contributo de todos os católicos do território na grande comunidade diocesana

Sob o lema “Lux Vera – Passagem da Verdadeira Luz”, a Santa Missa e a Cerimónia de Abertura das comemorações dos 450 anos da diocese de Macau foram a primeira de muitas iniciativas pensadas para o Jubileu Diocesano, com o objectivo principal de reforçar a fé dos católicos de Macau. Durante as duas cerimónias, os fiéis estiveram reunidos em gratidão e plenos de esperança, conscientes da jornada agora iniciada. Herança, missão e renovação espiritual foram algumas das palavras mais ouvidas na ocasião.

No início da Missa, celebrada em Chinês, Português e Inglês, D. Stephen Lee recordou que «ao longo de quatro séculos e meio a Diocese contribuiu para a conversão e a salvação de inúmeras almas», sendo que «muitos deram testemunho da fé com a própria vida». Por esta razão – frisou – «toda a Diocese inicia um ano inteiro de celebrações com os corações cheios de alegria e gratidão».

TARDE DE PARTILHA

Um número significativo de pessoas, na sua maioria turistas, encheu o Largo da Sé, principalmente em frente ao edifício do Cartório, tendo testemunhado o cortejo entre o Paço Episcopal e a Sé Catedral, e participado na Missa Solene. Dentro da igreja, centenas de fiéis de diferentes comunidades aguardavam. Ouvidas as leituras das Escrituras, entoaram-se cânticos e rezou-se em Chinês, Português e Inglês. Na homilia [N.d.R.: pode ser lida na íntegra, na página 2 desta edição], D. Stephen Lee advertiu: «Somos chamados a levar esta luz [de Cristo] às gerações futuras – com fidelidade, criatividade e coragem. Quaisquer que sejam as situações e circunstâncias que o futuro nos reserve – em tempos de mudança, desafio ou mesmo incerteza – devemos manter-nos fiéis à verdade da nossa fé e ao amor que lhe dá vida. A nossa missão não é preservar um museu, mas cuidar de uma chama viva».

No final da Eucaristia, o Bispo acendeu nove candeias a óleo, que entregou aos representantes das paróquias da Diocese, com o intuito de as levar acesas às suas paróquias, simbolizando a partilha e a transmissão contínuas da verdadeira luz dentro da Diocese. A passagem das lâmpadas reflecte a missão e o ministério da Igreja em Macau, com destaque para a importância da comunidade católica e do legado duradouro dos fiéis junto das novas gerações.

Como afirmou D. Stephen Lee, a celebração dos 450 anos da Diocese permite aos fiéis reflectirem sobre o passado, enquanto se preparam para o futuro, comprometendo-se a Diocese com o crescimento espiritual dos leigos e com a realização de obras de caridade.

Após a Missa, Lynn Ho, uma paroquiana local, disse a’O CLARIM: «Estou muito feliz por ter reservado tempo para vir a esta celebração». Aos 75 anos de idade, revelou sentir-se afortunada por poder participar no 450.º aniversário da Diocese. Neste contexto, recordou com orgulho a sua infância: «Recebíamos a comunhão ajoelhados no comungatório. Os padres estavam de costas para a Assembleia e era tudo falado em Latim. Hoje foi para mim nostálgico cantar algumas das canções em Latim».

Outra fiel leiga que costuma frequentar a Igreja, Elvia Grajales, de nacionalidade filipina, referiu: «Foi uma missa realmente especial. Espero estar por aqui nos próximos cinquenta anos, para chegar aos 500 anos da Diocese. Espero que os meus filhos possam ver quanto trabalho a Diocese fez pela nossa comunidade filipina».

As celebrações estendem-se até 31 de Outubro, data para a qual está agendada Missa Solene de encerramento, prevendo-se reunir toda a Igreja em Macau.

Para além de um extenso programa de actividades, eventos e realizações de diverso teor, a Diocese designou a igreja do Seminário de São José como local de peregrinação, onde será possível obter indulgência plenária nas condições habituais exigidas pela Igreja (Confissão, Comunhão Eucarística e oração emanada do Papa).

O evento que mais impacto terá na população local é a inauguração do novo Centro Católico, prevista para a Primavera deste ano. O espaço localiza-se no cruzamento entre a Rua do Campo e a Avenida da Praia Grande.

Segundo as informações disponibilizadas até ao momento, o edifício irá acolher duas exposições especiais intituladas “Construindo o Futuro com um Olhar no Passado” e “Testemunhas do Património, Missão no Mundo”. Ambas procurarão apresentar perspectivas históricas e contemporâneas sobre o desenvolvimento da Diocese e da sociedade, antes e depois da criação da Região Administrativa Especial de Macau. Aos fiéis será dada a conhecer a cronologia dos 450 anos da Diocese, com destaque para os principais acontecimentos que marcaram a vida dos católicos locais.

Igualmente agendada está a realização de simpósios, conferências, momentos de oração, espetáculos artísticos, eventos culturais, entre outras actividades.

Ao longo dos próximos meses, os fiéis interessados em participar no Jubileu Diocesano poderão obter informações nas edições impressas e “online” d’O CLARIM, em Português, Chinês e Inglês.

Pe. Leonard Dollentas

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