Ad multos annos!
No Evangelho de Mateus, Pedro faz uma profunda confissão de fé: «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo». E Jesus responde, confiando-lhe a missão de ser a rocha sobre a qual Ele constrói a Sua Igreja – uma Igreja que os poderes das trevas nunca vencerão.
Esta mesma fé, proclamada por Pedro, foi trazida às costas para Macau, por missionários corajosos – homens e mulheres que deixaram tudo para trás para seguir o chamamento de Cristo. Eles carregavam nos seus corações não uma doutrina de poder, mas um Evangelho de amor, escrito com a tinta do sacrifício e selado com a esperança da vida eterna.
Neste ano de celebração, por meio das diferentes actividades ligadas à arte, à história, etc., o objectivo principal é lembrar-nos que, durante 450 anos, a Igreja em Macau cresceu e amadureceu juntamente com a sua sociedade. Como um grão de mostarda, foi plantada neste solo – um pequeno começo, cheio de confiança na Providência de Deus. Cresceu atravessando as chuvas das monções e a passagem das estações; em tempos de paz e tempos de provação. Aqui, a Igreja não permaneceu afastada do povo; pelo contrário, caminhou ao seu lado, partilhou as suas alegrias e tristezas, e serviu especialmente os mais pobres e esquecidos.
Recordamos hoje a beleza e o heroísmo daqueles missionários – sacerdotes, religiosos e fiéis leigos – que, no espírito das Bem-aventuranças, se tornaram servos dos mais pequeninos. Construíram não só igrejas, mas também escolas, hospitais e casas de caridade. Ofereceram cuidados aos doentes, educação aos marginalizados e dignidade àqueles que o mundo havia esquecido. A sua maior obra, porém, foi transmitir a luz de Jesus – aquela luz suave e persistente que brilha nas trevas, uma luz transmitida de geração em geração, até aos dias de hoje.
Esta luz é o amor de Cristo, um amor que não contabiliza o custo; um amor que é paciente, bondoso e duradouro. É a mesma luz que iluminou o caminho de São Francisco Xavier, dos primeiros jesuítas, dos frades dominicanos e franciscanos, dos padres e irmãos salesianos e de muitos santos ocultos de Macau – conhecidos apenas por Deus. O exemplo recente é a figura do Padre Gaetano Nicosia, SDB, cuja causa de beatificação acaba de começar.
E assim, hoje, damos graças – graças à providência amorosa de Deus, que guiou, protegeu e alimentou esta Igreja local, ao longo de 450 anos. Agradecemos-Lhe pela fé dos nossos antepassados, pela coragem daqueles que testemunharam, mesmo em tempos difíceis, e pela riqueza cultural que a fé aqui inspirou e pelo dom da comunhão que nos une como uma família em Cristo.
Mas, ao darmos graças pelo passado, pedimos também a orientação de Deus para o futuro. Não estamos apenas a celebrar uma história que está completa; estamos a reconhecer uma missão viva que continua. O Senhor ainda nos diz, como disse a Pedro: «Eu edificarei a minha Igreja». Ele ainda nos confia as chaves do Reino – não como um privilégio, mas como uma responsabilidade.
Essa responsabilidade é agora nossa. Somos nós que somos chamados a levar esta luz às gerações futuras – com fidelidade, criatividade e coragem. Quaisquer que sejam as situações e circunstâncias que o futuro nos reserve – em tempos de mudança, desafio ou mesmo incerteza – devemos manter-nos fiéis à verdade da nossa fé e ao amor que lhe dá vida. A nossa missão não é preservar um museu, mas cuidar de uma chama viva.
Essa chama é levada na nossa oração, na nossa vida sacramental, no nosso serviço aos pobres, no nosso compromisso com a justiça e a paz, e no nosso testemunho diário da alegria do Evangelho. Esta chama é representada hoje numa cerimónia simples: a partir da Luz de Cristo ressuscitado, o círio pascal, acendemos nove lamparinas a óleo que representam as nove paróquias de Macau, recebidas pelos representantes das paróquias, que as levarão de volta às suas paróquias e as difundirão a toda a Macau. Certamente, não apenas com palavras, mas com exemplos de vidas que reflectem a ternura e a misericórdia de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, hoje é um dia de felicidade e alegria sagrada. Regozijamo-nos com o que Deus fez entre nós. Regozijamo-nos com o dom de fazer parte desta grande história de salvação, aqui em Macau, em 2026. E olhemos para o futuro com esperança, porque Aquele que começou esta boa obra a levará a bom termo.
Que Nossa Senhora de Fátima, venerada com tanta devoção nesta diocese, interceda por nós. Que São José, protector da Igreja, guie os nossos passos. E que o Espírito Santo nos encha de zelo, unidade e paz, à medida que avançamos – fiéis ao passado, corajosos no presente e confiantes na promessa de Deus para o futuro. Ad multos annos! Que a Igreja em Macau continue a ser um farol de fé, esperança e amor nos anos que se seguem. Amém.

Follow