HOMILIA DE D. STEPHEN LEE PROFERIDA NA MISSA DE ACÇÃO DE GRAÇAS PELOS 450 ANOS DA DIOCESE DE MACAU

HOMILIA DE D. STEPHEN LEE PROFERIDA NA MISSA DE ACÇÃO DE GRAÇAS PELOS 450 ANOS DA DIOCESE DE MACAU

Ad multos annos!

No Evangelho de Mateus, Pedro faz uma profunda confissão de fé: «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo». E Jesus responde, confiando-lhe a missão de ser a rocha sobre a qual Ele constrói a Sua Igreja – uma Igreja que os poderes das trevas nunca vencerão.

Esta mesma fé, proclamada por Pedro, foi trazida às costas para Macau, por missionários corajosos – homens e mulheres que deixaram tudo para trás para seguir o chamamento de Cristo. Eles carregavam nos seus corações não uma doutrina de poder, mas um Evangelho de amor, escrito com a tinta do sacrifício e selado com a esperança da vida eterna.

Neste ano de celebração, por meio das diferentes actividades ligadas à arte, à história, etc., o objectivo principal é lembrar-nos que, durante 450 anos, a Igreja em Macau cresceu e amadureceu juntamente com a sua sociedade. Como um grão de mostarda, foi plantada neste solo – um pequeno começo, cheio de confiança na Providência de Deus. Cresceu atravessando as chuvas das monções e a passagem das estações; em tempos de paz e tempos de provação. Aqui, a Igreja não permaneceu afastada do povo; pelo contrário, caminhou ao seu lado, partilhou as suas alegrias e tristezas, e serviu especialmente os mais pobres e esquecidos.

Recordamos hoje a beleza e o heroísmo daqueles missionários – sacerdotes, religiosos e fiéis leigos – que, no espírito das Bem-aventuranças, se tornaram servos dos mais pequeninos. Construíram não só igrejas, mas também escolas, hospitais e casas de caridade. Ofereceram cuidados aos doentes, educação aos marginalizados e dignidade àqueles que o mundo havia esquecido. A sua maior obra, porém, foi transmitir a luz de Jesus – aquela luz suave e persistente que brilha nas trevas, uma luz transmitida de geração em geração, até aos dias de hoje.

Esta luz é o amor de Cristo, um amor que não contabiliza o custo; um amor que é paciente, bondoso e duradouro. É a mesma luz que iluminou o caminho de São Francisco Xavier, dos primeiros jesuítas, dos frades dominicanos e franciscanos, dos padres e irmãos salesianos e de muitos santos ocultos de Macau – conhecidos apenas por Deus. O exemplo recente é a figura do Padre Gaetano Nicosia, SDB, cuja causa de beatificação acaba de começar.

E assim, hoje, damos graças – graças à providência amorosa de Deus, que guiou, protegeu e alimentou esta Igreja local, ao longo de 450 anos. Agradecemos-Lhe pela fé dos nossos antepassados, pela coragem daqueles que testemunharam, mesmo em tempos difíceis, e pela riqueza cultural que a fé aqui inspirou e pelo dom da comunhão que nos une como uma família em Cristo.

Mas, ao darmos graças pelo passado, pedimos também a orientação de Deus para o futuro. Não estamos apenas a celebrar uma história que está completa; estamos a reconhecer uma missão viva que continua. O Senhor ainda nos diz, como disse a Pedro: «Eu edificarei a minha Igreja». Ele ainda nos confia as chaves do Reino – não como um privilégio, mas como uma responsabilidade.

Essa responsabilidade é agora nossa. Somos nós que somos chamados a levar esta luz às gerações futuras – com fidelidade, criatividade e coragem. Quaisquer que sejam as situações e circunstâncias que o futuro nos reserve – em tempos de mudança, desafio ou mesmo incerteza – devemos manter-nos fiéis à verdade da nossa fé e ao amor que lhe dá vida. A nossa missão não é preservar um museu, mas cuidar de uma chama viva.

Essa chama é levada na nossa oração, na nossa vida sacramental, no nosso serviço aos pobres, no nosso compromisso com a justiça e a paz, e no nosso testemunho diário da alegria do Evangelho. Esta chama é representada hoje numa cerimónia simples: a partir da Luz de Cristo ressuscitado, o círio pascal, acendemos nove lamparinas a óleo que representam as nove paróquias de Macau, recebidas pelos representantes das paróquias, que as levarão de volta às suas paróquias e as difundirão a toda a Macau. Certamente, não apenas com palavras, mas com exemplos de vidas que reflectem a ternura e a misericórdia de Deus.

Queridos irmãos e irmãs, hoje é um dia de felicidade e alegria sagrada. Regozijamo-nos com o que Deus fez entre nós. Regozijamo-nos com o dom de fazer parte desta grande história de salvação, aqui em Macau, em 2026. E olhemos para o futuro com esperança, porque Aquele que começou esta boa obra a levará a bom termo.

Que Nossa Senhora de Fátima, venerada com tanta devoção nesta diocese, interceda por nós. Que São José, protector da Igreja, guie os nossos passos. E que o Espírito Santo nos encha de zelo, unidade e paz, à medida que avançamos – fiéis ao passado, corajosos no presente e confiantes na promessa de Deus para o futuro. Ad multos annos! Que a Igreja em Macau continue a ser um farol de fé, esperança e amor nos anos que se seguem. Amém.

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