A Ascensão do Senhor

SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR – Ano A – 17 de Maio

A Ascensão do Senhor: Consumação da Páscoa e Fundamento da Missão Apostólica

A Ascensão do Senhor representa um dos mistérios centrais da Fé Cristã, marcando a transição entre a presença física de Jesus na terra e a sua presença espiritual e universal na Igreja. Narrado por São Mateus, no seu Evangelho (28, 16–20), este evento ocorre quarenta dias após a Ressurreição, próximo ao Domingo de Pentecostes, quando os onze apóstolos se reúnem numa montanha, na Galileia, para o último encontro com Jesus ressuscitado antes de Sua ascensão aos céus.

Neste encontro decisivo, Jesus confere aos apóstolos uma missão que fundamentará toda a acção da Igreja: «Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar tudo quanto vos ordenei» (Mt., 28, 18–20). Este mandato não se restringe aos apóstolos do primeiro século, mas estende-se a toda a Igreja, a cada cristão no seu tempo e lugar. Anunciar o Evangelho é uma missão essencial que nos pertence hoje, no nosso quotidiano, através das nossas palavras, acções e testemunho de fé. Para isso, é preciso esforçarmo-nos para conhecer cada vez melhor a nossa fé, pois apenas amamos e anunciamos o que verdadeiramente conhecemos.

O Catecismo da Igreja Católica define a Ascensão como a entrada de Jesus na glória divina, sentando-se à direita do Pai, onde intercede continuamente pela Humanidade. Jesus deixa de estar presente apenas em um lugar, para estar espiritualmente presente e ressuscitado em toda a Igreja. Por isso, a Ascensão não representa abandono, mas sim a consumação da redenção e o fundamento da missão futura dos apóstolos e de toda a comunidade cristã.

O Papa Bento XVI enfatiza que a Ascensão representa a vitória definitiva de Cristo sobre o pecado e a morte. Jesus, agora glorificado, continua presente na Igreja através dos Sacramentos e da acção do Espírito Santo. A Ascensão, para o Papa alemão, revela que a Salvação não é apenas um evento passado, mas uma realidade contínua que se actualiza permanentemente na vida eclesial e na vida de cada cristão. Sendo assim, esta Solenidade revela-nos um dom: Cristo venceu a morte e libertou-nos de todo o pecado, mas também nos confia uma tarefa: anunciar o Evangelho e fazer discípulos entre todas as nações.

Contudo, antes de anunciar o Evangelho e continuar a missão de Jesus, precisamos estar profundamente unidos ao Senhor por meio de uma vida de graça. O cristão que deseja ser missionário no seu quotidiano deve aproximar-se dos Sacramentos, especialmente da Eucaristia, que o une fisicamente ao corpo de Cristo e lhe confere força espiritual. A oração, a meditação da Palavra de Deus e a prática das virtudes cristãs são indispensáveis para uma vida missionária autêntica. Sem esta comunhão íntima com Cristo, o anúncio do Evangelho torna-se vazio de significado, reduzindo-se a uma mera promoção de nós mesmos ou das nossas ideologias pessoais.

Jesus promete: «Eis que estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos» (Mt., 28, 20). Esta promessa aponta para a efusão do Espírito Santo no Pentecostes. O Espírito Santo concederá aos apóstolos e a todos os cristãos a força, a sabedoria e a coragem necessárias para testemunhar Cristo nas nossas comunidades, famílias e ambientes de trabalho. Na Solenidade de Pentecostes, que celebramos no próximo Domingo, reflectiremos mais sobre a importância da acção do Espírito Santo no seguimento do Senhor.

A Ascensão do Senhor não encerra a História da Salvação. Cristo, ao subir ao Pai, não se afasta de nós; pelo contrário, Ele concede à Igreja poder sacramental e espiritual para nos mostrar o caminho do céu, ensinando-nos a caminhar no mundo com os olhos fixos em Deus, servindo com alegria e santa ousadia. Não precisamos de grandes acções, nem de palavras perfeitas. Precisamos de corações vibrantes que ardem com a certeza de que Ele está connosco, dando testemunho através de uma vida de graça e unida ao Senhor, derramando gestos concretos de amor, perdão e esperança no nosso quotidiano. Que esta Solenidade nos desafie a sair da nossa zona de conforto e reacenda a chama da nossa fé, para que caminhemos com a certeza de que Ele está connosco todos os dias até ao encontro definitivo com Ele.

Padre Daniel Ribeiro, SCJ

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