Há novos sacerdotes no Laos
A pequena comunidade católica do Laos celebrou recentemente a ordenação sacerdotal de dois diáconos na Catedral de São Luís, em Thakhek, província de Khammouane. São eles, o padre Peter Gnantina Phiakeo, C.Ss.R., e o padre Philip Nouy Kamhou, C.Ss.R. A celebração, presidida por D. Jean-Marie Vianney Prida Inthirath, vigário apostólico de Savannakhet-Khammouane, contou como convidados alguns representantes de instituições estatais e de autoridades religiosas. Os dois padres pertencem à Província Redentorista da Tailândia, que anunciou o convite nas redes sociais e manifestou grande alegria “por estes dois novos reforços”, que de acordo com as normas da província religiosa irão em muito enriquecer pastoralmente a comunidade católica no Laos.
A ordenação dos dois sacerdotes é também “um sinal do crescimento silencioso e constante da Igreja Católica no Laos”, onde os religiosos oferecem assistência, especialmente no cuidado pastoral das populações em aldeias e áreas remotas, sobretudo junto de minorias étnicas como os Hmong, e participam em projectos de desenvolvimento social.
Em todo o Sudeste Asiático, os Redentoristas dedicam-se a servir os mais pobres e vulneráveis (como os deslocados internos), contribuindo para a formação do pessoal paroquial. Os Redentoristas da Província da Tailândia, além da actividade no seu próprio país, servem e cuidam de pessoas de origem laociana e do grupo étnico Hmong na província de Nan, no Nordeste da Tailândia. Ao longo dos tempos, desenvolveu-se uma relação de proximidade com este povo, caracterizada pela compreensão e a solidariedade.
A ordenação e a presença de novos sacerdotes locais representam “um passo importante para uma presença mais estável dentro das fronteiras do Laos”, enquanto a Igreja local continua a dar prioridade ao cuidado pastoral dos jovens que se sentem chamados ao Sacerdócio, uma vez que não é permitida a presença permanente de missionários ou religiosos estrangeiros no País.
Os Redentoristas mantêm laços estreitos com o Laos desde meados do Século XX: entre as décadas de 1920 e 1940, estes religiosos iniciaram o seu trabalho missionário no Sudeste Asiático e estabeleceram comunidades no Vietname, Camboja e Tailândia. Particularmente na Tailândia, os Redentoristas apoiaram a pequena comunidade católica laociana e contribuíram para a formação de jovens que se sentiam chamados à vida religiosa e ao Sacerdócio, e ingressavam no Seminário.
Quase dois séculos após a chegada do Evangelho, a Igreja Católica no Laos, segundo o Anuário Pontifício de 2025, conta com aproximadamente 53 mil fiéis e está dividida em quatro Vicariatos Apostólicos: Vientiane, Thakhek, Pakse e Luang Prabang. Cada um destes vicariatos possui pequenas paróquias e comunidades, algumas das quais estão espalhadas pelas aldeias mais remotas. A comunidade católica é servida por cerca de trinta padres diocesanos e 26 padres religiosos, e inclui cerca de cinquenta seminaristas (no Seminário maior e no Seminário menor). No País opera uma Congregação religiosa feminina local (as Irmãs dos Amantes da Cruz) e doze Ordens religiosas internacionais, totalizando cerca de 150 membros. Sinal do renascimento da comunidade católica e do especial incentivo a novas vocações para a vida religiosa foi a ordenação sacerdotal de Sophone Vilavongsy, um irmão dos Oblatos de Maria Imaculada, em Vientiane, no ano de 2005, após um longo período de encerramento.
Tratou-se da primeira ordenação sacerdotal da Igreja Católica no Laos desde 1975, quando o movimento Pathet Lao tomou o poder. Desde então, o Governo restringiu as actividades religiosas, ordenou a expulsão de todos os missionários estrangeiros e recusou conceder à Igreja Católica permissão para realizar novas ordenações sacerdotais. As últimas ocorreram em 2018, quando foram ordenados quatro novos sacerdotes na Catedral de São Luís, em Takhek. Hoje, a comunidade cristã no Laos (que inclui católicos, protestantes, adventistas do sétimo dia, baptistas e outras denominações) representa cerca de 1,5 por cento de uma população de aproximadamente 7,5 milhões de habitantes, a maioria dos quais budista.
Ainda a respeito das recentes ordenações, em declarações à agência FIDES, o monsenhor Enrique Figaredo, prefeito apostólico de Battambang, no Camboja, e actual presidente da Conferência Episcopal Laociano-Cambojana (CELAC), expressou a sua proximidade e alegria: “A comunidade laociana, apesar das limitações e dificuldades existentes, segue em frente com fé, esperança e caridade. Não se deixa abater. O Laos é um país belíssimo, tanto pela sua beleza natural quanto pelo carácter do seu povo, sempre tão gentil e acolhedor. Estamos felizes que o Senhor continue a assegurar trabalhadores para a sua colheita numa comunidade que necessita de sacerdotes para o cuidado pastoral dos fiéis. O Senhor opera maravilhas num lugar maravilhoso. A pequena Igreja Católica laociana olha para o futuro com esperança, confiando na Providência de Deus, e o dom de dois novos sacerdotes é muito importante para infundir alegria e confiança no futuro”.
Os Redentoristas estão vocacionados para servir os pobres e os mais espiritualmente abandonados. Trabalham em paróquias e santuários, ministram os ofícios religiosos junto dos imigrantes, pregam missões e retiros paroquiais, promovem a devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e evangelizam através da pregação tradicional e das redes sociais.
Seguindo os passos de Santo Afonso de Ligório, São Gerardo Majella, São Clemente Maria Hofbauer, São João Neumann e outros quinze confrades beatificados, existem aproximadamente quatro mil e 500 redentoristas, que servem em 82 países dos cinco continentes, auxiliados por muitos homens e mulheres que colaboram na sua missão e juntos formam a Família Redentorista. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é o ícone missionário da Congregação.
Joaquim Magalhães de Castro

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