Servindo todos, todos, todos!
As Servidoras do Senhor e da Virgem de Matará (SSVM) constituem o ramo feminino da Família do Verbo Encarnado, já antes abordado n’O CLARIM.
Este instituto feminino foi fundado em 19 de Março de 1988, em San Rafael, na Argentina, pelo padre argentino Carlos Miguel Buela (1941-2023; ordenado sacerdote em 1971), que também fundou o Instituto do Verbo Encarnado (1984). O nome “Servidoras” remete para a atitude de Maria aos pés da Cruz. A referência à Virgem de Matará provém de uma cruz de madeira esculpida por um índio em 1594, na Argentina, que é considerada a primeira representação da evangelização no que é hoje este grande país sul-americano. As Servidoras usam paramentos muito característicos: túnica cinzenta, escapulário azul e véu da mesma cor (para as professas) ou branco (para as noviças). As cores simbolizam o mistério da Incarnação: o azul representa a divindade de Cristo e o cinzento a sua humanidade.
No que concerne ao Carisma e Espiritualidade, o objectivo central das Servidoras é a evangelização da cultura. Estas irmãs procuram “encarnar” o Evangelho em todas as manifestações humanas. Ou seja, trabalham na máxima inspiração e bondade do Espírito Santo, tendo a Virgem Maria como modelo no seu projecto de evangelização e no serviço paroquial e escolar, além da vida conventual. Professam quatro votos. Além dos votos tradicionais de Pobreza, Castidade e Obediência, as Servidoras fazem um quarto voto de escravidão mariana, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort. O modo de vida é a procura de harmonia entre contemplação e acção. Por isso, o Instituto possui dois ramos: um apostólico, dedicado a missões, escolas, hospitais e obras de caridade; outro contemplativo, para as irmãs que vivem em clausura, dedicadas inteiramente à oração e penitência.
A expansão das Servidoras do Senhor e da Virgem de Matará é considerada um dos fenómenos de crescimento vocacional mais rápidos da Igreja Católica contemporânea. Desde a sua fundação em 1988, as irmãs passaram de um pequeno grupo local para uma presença em quase uma centena de jurisdições eclesiásticas em todo o mundo, nas denominadas “Missões de Vanguarda”. A década de 90 do século passado foi o tempo de irradiação internacional. Rapidamente se expandiram para outros países da América Latina (Peru, Chile) e para a Europa (Itália), onde estabeleceram a Casa Geral em Roma, para estarem próximas do Vaticano. Na Europa estão também presentes na Albânia, Espanha, França, Grécia e Ucrânia (onde têm um ramo de rito bizantino).
Em Itália, além do trabalho paroquial, as irmãs gerem Casas para crianças e idosos, para além de centros de vida contemplativa. A maior notoriedade mediática, devido à sua coragem, está ligada à presença na Palestina (Gaza e Belém). Têm-se mantido na paróquia da Sagrada Família, em Gaza, mesmo durante os períodos de conflito armado, cuidando de crianças com deficiência e idosos. Também não abandonaram Aleppo, na Síria. Durante a guerra civil síria permaneceram na cidade para apoiar a população cristã e muçulmana fustigada pelos bombardeamentos. No Iraque e Jordânia, apoiam refugiados e comunidades cristãs perseguidas.
Na Ásia, enfrentam o desafio da inculturação. Além de Macau e Hong Kong, a Congregação expandiu-se para a ilha de Taiwan e Filipinas. Neste país possuem um noviciado importante e centros de acolhimento. Estão ainda presentes no Tajiquistão e no Cazaquistão. Em África, trabalham na Tunísia, Egipto, Tanzânia e Nigéria, incidindo na saúde básica e na alfabetização. Ainda nas Américas, estão presentes em vários países, destacando-se, nos Estados Unidos, em actividades a envolver imigrantes hispânicos.
Nas missões, as Servidoras dividem-se conforme as necessidades e características do território onde se instalam. Ganharam notoriedade as Casas de Caridade (“Hogares”), destinadas a órfãos, pessoas com deficiência física ou mental, idosos abandonados e doentes terminais. Na Educação, gerem escolas, especialmente em zonas de missão onde o acesso ao Ensino é limitado. Além disso, promovem a vida contemplativa, em mosteiros onde as irmãs rezam especificamente por intenções particulares, como a unidade dos cristãos ou a santificação dos sacerdotes.
Têm actualmente mosteiros em locais como Israel (Terra Santa), Itália, Espanha e Argentina. Estão presentes em cerca de quarenta países com mais de mil religiosas em todo o mundo. O sucesso desta expansão deve-se, em grande medida, à juventude das vocações e à disposição para aceitar missões em contextos de pobreza extrema ou perigo real.
A chegada das Servidoras a Macau é um dos capítulos da sua expansão na Ásia. Macau, com a sua história de “Porta da Cristandade” no Oriente, é um terreno fértil para o seu carisma de evangelização cultural. As irmãs estabeleceram-se na RAEM em Julho de 2021, para apoiar a Diocese, focando-se especialmente na Educação e no Apoio Social. Hoje, dedicam-se a apoiar escolas e faculdades, estando focadas na Catequese e no auxílio às comunidades de língua portuguesa, chinesa e inglesa, integrando-se na vida das paróquias (como as de Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora de Fátima). Embora enfrentem desafios multiculturais e linguísticos, mantêm viva a identidade católica da Região.
Vítor Teixeira
Universidade Fernando Pessoa

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