Irmãs Salesianas nos bastidores da visita papal

SANTO PADRE: DEPOIS DE ANGOLA, A GUINÉ EQUATORIAL

Irmãs Salesianas nos bastidores da visita papal

O Papa Leão XIV encontra-se em África por estes dias, num périplo que inclui dois países de língua portuguesa: Angola e Guiné Equatorial. Se a visita ao primeiro país pode ser classificada como natural, já a confirmação da deslocação do Papa à Guiné Equatorial surpreendeu pela positiva os próprios dirigentes nacionais, como afirmou a’O CLARIM uma fonte ligada ao Governo de Ciudad de la Paz. As razões para tal surpresa prendem-se com o facto da Guiné Equatorial não ser propriamente um “poço de virtudes” a nível político, embora os últimos relatórios internacionais apontem uma melhoria significativa nesta matéria.

Com a proximidade da chegada de Leão XIV, agendada para 21 de Abril, os preparativos intensificam-se, envolvendo toda a população e a comunidade cristã local. As Filhas de Maria Auxiliadora da Guiné Equatorial organizaram, entre outras iniciativas, um acampamento, subordinado ao tema “Cristo Vive!”, que reuniu um grupo de duzentas crianças, 35 animadores e várias Irmãs Salesianas de Dom Bosco. Foram três dias de grande entusiasmo, durante os quais “o assunto Igreja” esteve no centro das atenções: falou-se sobre o Papa e rezou-se por ele. “Foi uma experiência maravilhosa que tocou o coração de todos”, comentou à agência FIDES a irmã Giusy Becchero, FMA.

O acampamento decorreu entre 28 e 30 de Março, na missão de Malabo, e contou com diversas actividades: Missa, oficinas de trabalho, grupos de reflexão, sessões de oração, torneios e uma noite cultural. Foi escolhido o nome de um Santo da Igreja para cada um dos dez grupos de reflexão e actividades: São Carlos Acutis, São Pier Giorgio Frassati, São Kisito, Santa Josefina Bakita. O objectivo? “Para que as nossas crianças desenvolvam um sentimento de pertença à Igreja e o desejo de se tornarem santas”.

A noite cultural foi uma celebração das tradições da Guiné Equatorial, com canções, danças e apresentações teatrais. Daí que a irmã Giusy até tenha concluído o seu testemunho, agradecendo aos animadores que “com paixão e coração salesianos, continuam a caminhar ao lado dos ‘pequeninos’ desta terra para construir um futuro de Paz e Esperança”.

Para o povo da Guiné Equatorial, a visita do Santo Padre não é uma simples “visita religiosa”, antes sim um sinal de comunhão e reconhecimento.

Os preparativos mobilizaram toda a Nação, gerando entusiasmo, alegria colectiva, mobilização institucional e unidade dentro da comunidade cristã. Destacam-se “o acolhimento popular, a expectativa espiritual e a esperança de renovação religiosa”, dada a actual crise de fé, o declínio da prática religiosa entre os jovens e o sincretismo generalizado.

A visita do Santo Padre é considerada uma visita conjunta de Estado e Igreja e, como tal, é organizada em todo o País pelo Governo, pela Igreja e pela sociedade civil. Foi lançado um apelo público para a participação nos eventos, toda a Imprensa nacional foi mobilizada para a cobertura e foram distribuídas vestes confeccionadas para a ocasião às comunidades mais desfavorecidas, uma vez que este é um dos acontecimentos com maior importância na Guiné Equatorial, nos últimos quarenta anos.

A última vez que o Bispo de Roma visitou o País foi há 44 anos. A expectativa desta importante ocasião é vivida como um tempo de preparação interior. Nas diferentes cidades e comunidades, de Malabo a Bata, despertou um sincero desejo de renovação espiritual, de escuta e de comunhão. Estes não são apenas espaços geográficos, mas verdadeiras fontes de renovação. Onde quer que o Papa estiver presente, a fé reacenderá e renovar-se-á a identidade cristã do povo da Guiné Equatorial. Estes lugares serão marcados por uma memória viva inspiradora que levará os fiéis a olhar para o futuro com confiança, encorajando-os a construir uma sociedade mais justa, mais humana e mais compassiva. Na realidade, não se trata apenas de “ir ver o Papa”, mas de acolher a mensagem que ele traz, “permitindo-nos ser desafiados pela sua presença e abrindo novos caminhos nas nossas vidas pessoais, eclesiais e sociais”.

A visita que Leão IV fará à Universidade Nacional sublinha a importância que o povo da Guiné Equatorial atribui à Educação como pilar para a formação de indivíduos críticos e responsáveis, capazes de contribuir para o desenvolvimento do Estado africano. “Ela é a base para superar a pobreza, fortalecer as instituições e abrir oportunidades às novas gerações”.

É também uma oportunidade privilegiada para reconhecer e valorizar a riqueza das culturas da Guiné Equatorial: as suas línguas, tradições e profundo sentido de comunidade e de vida. Entre os Fang, Bubi, Ndowé, Annobonese, Bisio, Balengue e outros povos, encontram-se valores profundamente evangélicos: hospitalidade, solidariedade, respeito pela vida e abertura a Deus. O povo da Guiné Equatorial acredita firmemente que a cultura não é um obstáculo, mas um caminho privilegiado para o encontro com o Evangelho. É um tesouro que pertence não só a África, mas enriquece toda a Igreja universal.

A religião, sobretudo a tradição católica consolidada após a visita de João Paulo II, contribui com valores como a solidariedade, o respeito, a justiça e a convivência pacífica. A Educação e a Religião não se opõem, antes se complementam: uma molda a mente e a outra guia o coração, e a cultura é concebida como o verdadeiro caminho para o desenvolvimento humano integral. Por isso, em vez de trazer algo inteiramente novo, a visita do Papa vai confirmar, sustentar e encorajar o que já está a crescer nas comunidades, nas famílias, entre os jovens, nas paróquias e nas escolas: “as sementes da bondade que o Espírito Santo já semeou”. A presença do Santo Padre fortalece-as, torna-as visíveis e encoraja-nos a não desanimar. “É um convite a empenharmo-nos com maior coragem na construção do bem comum na Guiné Equatorial”, sublinhou a irmã Giusy Becchero.

Joaquim Magalhães de Castro

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