SALESIANOS NO SUBCONTINENTE INDIANO

SALESIANOS NO SUBCONTINENTE INDIANO

Um século de trabalho missionário

Os Salesianos celebram um século de trabalho missionário na Índia, onde se dedicam à educação dos jovens, ao cuidado das crianças e ao apoio e formação dos mais pobres e vulneráveis, sobretudo nas ruas de Calcutá, vasta metrópole de 22 milhões de habitantes no leste do País.

Graças a um incansável empenho, que moldou a história da nação – a República da Índia independente foi fundada em 1947 –, os Salesianos operam hoje, em onze províncias, 420 centros “Don Bosco Tech”, 174 abrigos para jovens em risco e 34 centros de apoio a migrantes.

A Província Salesiana de Calcutá celebra cem anos de existência, tendo o reitor-mor, padre Fabio Attard, chegado ontem, 5 de Fevereiro, à cidade. Ali se encontrou com todos os membros da grande Família Salesiana de Dom Bosco: irmãos religiosos, freiras salesianas, ex-alunos, leigos cooperadores e missionários.

Em 1876, o Papa Pio IX ofereceu a Dom Bosco doze vigararias na Índia que necessitavam urgentemente de recursos humanos. Dom Bosco aceitou uma delas e pediu vinte meses para preparar os seus homens.

Os bispos da diocese do Padroado, em Mylapore, foram fundamentais para levar os Salesianos para a Índia. As negociações iniciaram-se logo em 1896, com monsenhor António de Souza Barroso, que soubera do desejo de Dom Bosco de enviar os Salesianos para a Índia. O seu sucessor, D. Teotónio de Castro, tinha um motivo pessoal para levar avante esta causa. Quando jovem seminarista, foi um fervoroso admirador de Dom Bosco. Após a sua ordenação, viajou duas vezes para Turim para se encontrar com o Santo. Abençoando-o e às suas futuras obras, Dom Bosco disse-lhe: «– Farás muito bem».

Após longas negociações, o primeiro grupo de missionários salesianos desembarcou em Bombaim, a 6 de Janeiro de 1906, sob a liderança do padre George Tomatis. Com ele estavam outros dois sacerdotes, um irmão, um escolástico e um aspirante. Viajando de comboio desde Bombaim, chegaram a Thanjavur, a 14 de Janeiro de 1906. Nesta cidade, os novos missionários iniciaram o trabalho com seis crianças no Orfanato São Francisco Xavier. O número de residentes cresceu rapidamente, até atingir as oitocentas crianças em 1928.

As vocações eram constantes. O primeiro rapaz indiano a juntar-se à congregação foi Karunal, enviado para Itália em 1907 como aspirante. De Itália rumou a Portugal, a fim de prosseguir o noviciado. Infelizmente adoeceu e faleceu em Lisboa, em 1909. Outros dois optaram por seguir Dom Bosco: Inácio Muthu e Arulsamy, ambos também enviados para Itália em 1908 e posteriormente para Portugal. Fizeram os seus votos em 1911. Inácio Muthu foi ordenado sacerdote em Mylapore no ano de 1916.

Os Salesianos também partiram para Shillong, no Nordeste da Índia. As feridas da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) estavam ainda abertas e o Império Britânico temia distúrbios nos seus territórios mais remotos. O Nordeste era considerado uma região fronteiriça instável, habitada por comunidades tribais, ainda que fosse importante, sobretudo pelo posicionamento estratégico na defesa do Império.

Os Salesianos dedicaram-se, em particular, à formação profissional dos jovens desempregados, que eram muitas vezes rotulados de potenciais “desordeiros”. Através da formação profissional em ofícios – impressão, carpintaria, alfaiataria e mecânica – os Salesianos de Dom Bosco transformaram estes jovens em trabalhadores qualificados.

A partir dos primórdios em Shillong, a sede provincial dos Salesianos mudou-se depois para Calcutá e, a partir daí, constituíram-se mais dez províncias por toda a Índia.

De 1926 a 2026, os Salesianos de Calcutá completaram um século de serviço, durante o qual formaram educadores, acolheram crianças de rua, restaurando-lhes a sua dignidade; fundaram escolas e criaram líderes nas regiões vizinhas.

A Província Salesiana de Calcutá abrange Bihar, Sikkim, o Bangladesh e o Nepal, com quarenta casas servidas por 242 religiosos – trabalham em 32 paróquias e supervisionam mais de 25 instituições de Ensino. A rede inclui trinta escolas secundárias e treze escolas profissionais, proporcionando o acesso a uma educação de elevada qualidade.

O primeiro projecto confiado aos Salesianos de Calcutá foi a Imprensa Católica para Órfãos e a paróquia da catedral adjacente. Cedo começaram a viajar para as áreas circundantes, tendo aprendido a língua e a cultura bengali. A título de exemplo, uma instituição de Dom Bosco foi estabelecida e ampliada em Krishnanagar já em 1928, sendo que também foi entregue aos Salesianos a gestão da Escola Primária São Pedro e São Paulo, que seria elevada à categoria de Escola Secundária em 1951.

Particular importância foi dedicada às missões entre as comunidades indígenas Santhal (Santal). Neste caso, concentraram-se inicialmente em alguns distritos de Bengala Ocidental e, posteriormente, expandiram-se para partes de Bihar e do Nepal. A ligação dos Salesianos ao povo nepalês remonta à fundação do Colégio Salesiano de Sonada, em 1938.

Os religiosos viriam a estender a sua influência à região vizinha, o Bangladesh, à época um território da Índia. Em todas as áreas referidas, a presença dos Salesianos de Dom Bosco ainda hoje é valorizada pelo cuidado com que tratam as crianças e pelo trabalho educativo com adolescentes e jovens adultos, cujo impacto no seu desenvolvimento social é muito positivo.

Joaquim Magalhães de Castro

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