Pela Paz na Era da Inteligência Artificial
À hora do fecho da edição d’O CLARIM, trinta prémios Nobel, especialistas e antigos chefes de Estado encontravam-se reunidos em Castel Gandolfo a debater o futuro da segurança internacional face à Inteligência Artificial e às ameaças nucleares.
O encontro teve início na terça-feira, 14 de Julho, tendo ontem terminado ao final do dia.
Durante os trabalhos, o cardeal D. Silvano Maria Tomasi, núncio apostólico e presidente da Fundação Communis (Santa Sé), alertou que as novas tecnologias «estão a redefinir o próprio conceito de segurança» num contexto em que «a linguagem da dissuasão voltou a dominar as relações internacionais».
O representante do Vaticano sublinhou que «as ameaças nucleares voltam a ser invocadas abertamente» e que «as actuais estruturas de controlo de armamento se enfraqueceram progressivamente».
Citando a Encíclica Magnifica humanitas, de Leão XIV, o cardeal D. Tomasi afirmou que a Humanidade enfrenta a escolha entre «construir uma nova Babel, onde o poder tecnológico se torna um ídolo que promete a salvação reduzindo a pessoa humana a dados, eficiência e controlo» ou «reconstruir Jerusalém, onde a diversidade se torna comunhão e a tecnologia está ao serviço da fraternidade».
O orador recordou ainda que, segundo o Pontífice, «a tecnologia nunca é moralmente neutra».
Também presente no encontro, o cardeal D. Ángel Fernández Artime, pró-prefeito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, defendeu que «o problema não é a tecnologia, mas a orientação» que se lhe quer oferecer.
O colaborador do Papa avisou que, sem atenção aos direitos fundamentais, existe o risco de «criar sistemas que favoreçam o controlo, a manipulação e até novas formas de desigualdade».
A organização adiantou que dos trabalhos iria sair a “Declaração de Roma para uma paz desarmada e desarmante na Era da Inteligência Artificial”, com o objectivo de “definir princípios e linhas orientadoras para a governação da Inteligência Artificial”.
O cardeal D. Fabio Baggio, pró-prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral e director-geral do Centro de Formação Superior do “Borgo Laudato si”, abriu os trabalhos recordando que a paz «não é simplesmente a ausência de guerra», mas «uma ordem fundada na justiça, na confiança mútua, no respeito pelo direito e na dignidade inviolável de cada ser humano».
O encontro contou com a participação de representantes da OpenAI, Google DeepMind e Anthropic, entre outras instituições e Universidades como Harvard, Oxford e Columbia.
In ECCLESIA – texto editado

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