Neste mundo marcado pela pressa excessiva, pela perda do sentido da vida e pela falta de tempo para reflectir, o Livro de Tobias ergue-se como uma voz serena que recorda uma verdade essencial e sempre actual: permanecer fiel a Deus nos tempos difíceis é fonte de esperança e salvação.
Tobit, o protagonista da primeira parte do livro, é apresentado como um homem justo, fiel à Lei de Deus, mesmo vivendo no estrangeiro sob o domínio dos gentios. Enquanto muitos dos seus compatriotas abandonam os mandamentos da Lei, ele continua a praticar a caridade, a enterrar os mortos com risco da própria vida e a rezar com fé.
A sua fidelidade a Deus, porém, não lhe faz desaparecer os sofrimentos: fica cego, cai na pobreza e até é desprezado pela sua própria mulher. No entanto, nunca se revolta contra Deus. Chora, reza e lamenta-se, mas sempre com grande confiança no poder divino.
Esta atitude é profundamente bíblica: a fidelidade não é ausência de dificuldades, mas perseverança na fé mesmo sem compreender os misteriosos caminhos da Providência.
Tobit reconhece o seu sofrimento, mas confia-o a Deus com humildade. É essa fidelidade no meio da provação que abre espaço para a acção divina, para a intervenção do Arcanjo São Rafael, para a cura e para a alegria restaurada.
O livro ensina-nos claramente que as provações nesta vida não são castigos, mas sim oportunidades de purificação e de crescimento na fé. A fidelidade a Deus, mesmo no meio da escuridão, prepara o coração para a luz que há de chegar.
Nos momentos de crise, o exemplo de Tobit convida-nos a não desistir de rezar, de confiar e de praticar o bem. Porque Deus não abandona os Seus servos fiéis. Mesmo quando tudo parece perdido, Ele já está a preparar a salvação.
Pe. Rodrigo Lynce de Faria
Doutor em Teologia

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