NOMEAÇÃO DE BISPOS NA CHINA CONTINENTAL

Nomeação de Bispos na China Continental

Um bom e justo acordo beneficia o povo da China.

O provável acordo entre a Santa Sé e a República Popular da China para a nomeação de bispos no continente chinês é vista como um sinal bastante positivo de aproximação entre os dois Estados, o que poderá beneficiar ambas as partes, disseram a’O CLARIM os padres Franz Gassner e José Mario Mandía, e o investigador César Gillén-Nuñez.

Embora o conteúdo exacto não seja do seu conhecimento, o padre Franz Gassner sustentou que «um bom e justo acordo irá certamente contribuir positivamente para o povo e para a China como país», dado que vai «mitigar o perigo do cisma, que tem sido uma prática e possível ameaça das últimas décadas a impedir muitos desenvolvimentos positivos».

«Os valores cristãos e a Igreja Católica irão servir bem o povo da China, tal como disse o Papa Francisco, porque os cristãos são “capazes de discernir o que é incompatível com [a] fé católica, o que é contrário à vida da graça concedida no baptismo e que aspectos da cultura contemporânea são pecaminosos, corruptos e levam à morte”», acrescentou o professor-assistente da Faculdade de Estudos Religiosos da Universidade de São José.

Já o director d’O CLARIM, padre José Mario Mandía, disse «esperar que esta notícia represente um passo real em frente» nas relações entre o Vaticano e a China.

«A principal questão, como já foi mencionada, é a nomeação dos bispos. É importante que Roma e Pequim cheguem a um entendimento – um procedimento – que respeite os direitos da Igreja e o dever de nomear os seus próprios bispos», frisou o sacerdote, exemplificando: «Tal como as multinacionais podem nomear os seus próprios directores nos respectivos países onde trabalham, também a Igreja deveria ser capaz de fazer o mesmo».

«Claro que depois do acordo espera-se que a Igreja e os católicos em geral possam ter maior margem de manobra para implementar iniciativas ao serviço da sociedade», salientou, ao valer-se das estatísticas do ano passado, em que a Igreja tinha a seu cargo cinco mil 158 hospitais em todo o mundo.

De igual forma, «tinha ainda dezasseis mil 523 ambulatórios; 612 casas para leprosos; quinze mil 679 casas para idosos com doenças crónicas ou com deficiência; nove mil 492 orfanatos; doze mil 637 creches; catorze mil 576 centros de aconselhamento matrimonial; três mil 782 centros de reabilitação social; e trinta e sete mil 601 outro tipo de instituições», enumerou, concluindo: «Em vez de desestabilizar ou corromper a sociedade, a Igreja torna-a mais humana».

O investigador-associado do Instituto Ricci de Macau, César Gillén-Nuñez, prefere dar tempo ao tempo para saber o que irá acontecer na realidade. Todavia, disse estar na expectativa quanto à resolução de um problema que se arrasta há muito tempo.

«Se o Vaticano chegar a acordo é muito bom, porque ser bispo é uma tradição muito antiga da Igreja Católica Apostólica Romana. E tendo o Vaticano consciência que tal pessoa é bispo, é porque ele é aceite pela Igreja», sublinhou o investigador, vincando em jeito de conclusão que «o Governo tem o Poder Político e a Igreja tem o Poder Espiritual», algo que se traduz em «duas coisas diferentes».

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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