N.d.R.: O bispo de Macau, D. Stephen Lee, o bispo de Hong Kong, cardeal D. Stephen Chow, e o bispo auxiliar deste, D. Joseph Ha, foram recebidos, em audiência, pelo Papa Leão XIV no Vaticano, na passada quinta-feira, 18 de Junho. No âmbito da visita ad limina dos epíscopos de todo o mundo a Roma – tem como principal objectivo reforçar a união da Igreja universal com o Papa –, os bispos das duas Regiões Administrativas Especiais da China reuniram, à porta fechada, com o Santo Padre. Nos breves segundos do encontro registados em vídeo que foram dados a conhecer ao público em geral, Leão XIV começa por dar as boas-vidas aos três bispos, afirmando já estar ao corrente dos principais temas a reflectir com os prelados das dioceses de Macau e Hong Kong. Nas linhas abaixo, O CLARIM reproduz um artigo publicado pelo Vatican News com declarações de D. Stephen Lee, D. Stephen Chow e D. Joseph Ha ao site oficial de notícias da Santa Sé.
Bispos de Hong Kong e Macau reflectiram sobre sinodalidade e esperança durante visita ad limina
Durante a sua visita ad limina a Roma, os bispos de Hong Kong e Macau reflectiram sobre a renovação missionária, a comunhão eclesial e a experiência vivida da sinodalidade através do diálogo, da escuta e do discernimento partilhado com o Papa Leão XIV.
Os bispos de Hong Kong e Macau falaram de gratidão, renovação missionária e da experiência vivida da sinodalidade durante a sua visita ad limina Apostolorum a Roma, descrevendo o encontro com o Papa Leão XIV e com dicastérios do Vaticano como um momento de profunda comunhão com a Igreja universal.
As reflexões surgem num momento em que ambas as dioceses assinalam aniversários significativos: a diocese de Macau celebra os 450 anos da sua fundação, enquanto Hong Kong comemora o 80.º aniversário da elevação a diocese.
SINODALIDADE
O cardeal D. Stephen Chow, bispo de Hong Kong, reflectiu sobre a visita sob a perspectiva da sinodalidade, destacando a escuta mútua que teve lugar durante o encontro dos bispos com o Papa Leão XIV.
O cardeal observou que os bispos ofereceram ao Santo Padre um pergaminho com a tradução chinesa do termo “sinodalidade” utilizada em Hong Kong e Macau: “gong yi tong xing”. «As duas primeiras palavras significam conversar juntos, discutir juntos, discernir juntos», explicou. «As duas últimas palavras significam caminhar juntos, percorrer o caminho juntos. Por isso, penso que isto dá uma imagem completa do que é a sinodalidade».
Para o Cardeal, o encontro com o Papa encarnou precisamente a compreensão do processo sinodal. «Estamos aqui e temos realmente a oportunidade de partilhar a nossa experiência com o Santo Padre», afirmou, salientando que «ele sabe ouvir muito bem». «Ele ouve, e é importante que tenha esta oportunidade de nos ouvir e que nós tenhamos a oportunidade de partilhar com ele», disse.
Segundo o prelado, o encontro contribuiu para o discernimento e a missão da Igreja: «Desta forma, ele pode fazer um melhor discernimento na condução da Igreja», particularmente no que diz respeito a questões relacionadas com a Igreja na China.
Ao mesmo tempo, os bispos puderam ouvir as próprias esperanças e preocupações do Papa. «Para nós, ouvir o que ele tem a dizer, as suas preocupações, as suas aspirações e aquilo que talvez ele queira esclarecer, bem como obter mais esclarecimentos da nossa parte», referiu D. Stephen Chow.
Com base na experiência de Hong Kong e Macau e nos seus contactos de longa data com a China continental, o Cardeal sublinhou a importância de partilhar perspectivas e experiências com o Santo Padre: «Pudemos partilhar com ele a nossa experiência, as nossas percepções, a nossa compreensão. Penso que isso foi importante para nós».
Resumindo o espírito do encontro, D. Stephen Chow acrescentou simplesmente: «Isto é sinodalidade».
O TEMA DA RENOVAÇÃO
Para D. Stephen Lee, bispo de Macau, este ano jubilar tem como base a acção de graças e um compromisso missionário renovado. «A renovação faz parte do tema da nossa celebração dos 450 anos», afirmou, explicando que a primeira dimensão do jubileu é a gratidão para com as gerações de missionários que levaram o Evangelho de Macau por toda a Ásia. «450 anos é muito tempo e temos de dar graças a Deus por nos ter concedido tanta graça através dos passos dos missionários», disse, acentuando que «muitos deles sacrificaram a sua vida para difundir o Evangelho a partir de Macau e, posteriormente, para muitas partes do mundo na região do Extremo Oriente».
Recordando o tema diocesano, o prelado salientou que os fiéis são convidados, «ao longo destes 450 anos, a contemplar o rosto misericordioso de Deus».
«Podemos, através dos missionários, sentir verdadeiramente a misericórdia de Deus através das graças que Ele nos concedeu», notou, ao referir o testemunho daqueles que partiram de Macau para proclamar o Evangelho. Ao mesmo tempo, esclareceu que a celebração não é simplesmente uma recordação do passado: «Não nos limitamos apenas à memória de um passado belo e significativo, mas devemos usá-la para avançar, para nos renovarmos».
Neste âmbito, explicou que a renovação está orientada para o discipulado missionário de todos os fiéis: «Todos, incluindo os católicos recém-baptizados, devem ter esse espírito missionário, o zelo por divulgar o Evangelho e, depois, seguir em frente com a graça misericordiosa de Deus. É assim que nos podemos renovar, não só na nossa santidade, mas também no zelo apostólico de divulgar o Evangelho».
UMA MENSAGEM DE ESPERANÇA
Uma ênfase semelhante na missão e na esperança surgiu nas reflexões de D. Joseph Ha, bispo auxiliar de Hong Kong. A diocese de Hong Kong está a celebrar o 80.º aniversário da sua elevação ao estatuto de diocese sob o tema da esperança.
«O tema da nossa celebração é uma mensagem de esperança. Recebemos o Evangelho, que nos traz esperança, dos missionários. Mas temos também a tarefa, temos a responsabilidade, de o transmitir», começou por explicar D. Joseph Há.
Ao reflectir sobre o significado da peregrinação ad limina, descreveu-a como «um momento de significado muito particular, um momento muito precioso para nós».
Através dos encontros com os dicastérios do Vaticano e da audiência com o Papa Leão XIV, os bispos experimentaram o que designou como um profundo sentimento de pertença à Igreja universal: «Dá-nos este sabor, esta ligação, de estarmos ligados à Igreja universal. De estarmos em comunhão com toda a comunidade, com todo o rebanho de Cristo», uma experiência que fortalece a Igreja local na sua missão. «Assegura-nos que fazemos parte da Igreja e, por isso, leva-nos, encoraja-nos a continuar, a transmitir esta esperança do Evangelho», complementou.
Em relação ao futuro, D. Joseph Ha destacou a responsabilidade confiada aos católicos de hoje. «Nós próprios temos de nos tornar missionários para as gerações vindouras, em Hong Kong e noutros lugares», disse, descrevendo a visita como «verdadeiramente um plano de Deus para nós».
In Vatican News – texto editado

Follow