Papa rejeita lógica da força nas comunidades católicas
O Papa alertou, no passado Domingo, para as imagens de Deus que recorrem à lógica do domínio e da força, ao falar durante a recitação do Ângelus em Castel Gandolfo.
«Jesus adverte contra a tentação de pensar em Deus como uma figura poderosa, que se impõe pela força, que ocupa o espaço para dominar, que chega de forma triunfante», sublinhou Leão XIV, perante milhares de pessoas reunidas na Praça da Liberdade, na localidade italiana onde se encontra a passar férias.
O Pontífice rejeitou ainda que se associe à Igreja uma imagem de triunfo que exija intervenções pautadas pelo poder e pela força: «Às vezes, esperamos algo espectacular, desejamos um Deus que intervenha do alto, arrancando imediatamente o joio, que é o mal».
A intervenção partiu das parábolas do trigo e do joio, do grão de mostarda e do fermento, com o Papa a insistir que Deus actua «de forma oculta e invisível». «O Reino de Deus difunde-se também no meio do joio e pede-nos um olhar capaz de reconhecer o bem que brota mesmo nas trevas do mal, sem que julguemos tudo apressadamente», precisou.
Leão XIV pediu a «paciência» necessária para saber acompanhar os processos humanos sem precipitações e valorizar a «singeleza da vida comum».
A intervenção evocou ainda um texto do ano 2000 do então cardeal D. Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI), que apresentava a Igreja como uma “pequena semente do Evangelho que brota e como um fermento de amor que transforma a massa do mundo”.
«Somos chamados a assumir um estilo evangélico, sem adoptarmos precipitadamente uma postura de oposição marcada por julgamentos arrogantes», pediu Leão XIV.
No final da oração, o Papa saudou os peregrinos presentes, durante vários minutos.
Leão XIV vai permanecer na residência pontifícia de Castel Gandolfo, nos arredores de Roma, até à próxima segunda-feira, 27 de Julho.
E EVOCA VÍTIMAS DOS CONFLITOS
Também na recitação do Ângelus, o Papa evocou as vítimas dos conflitos que atingem vários países, tendo convidado os católicos a rezarem pela paz. «Não nos esqueçamos de quem sofre e morre por causa dos conflitos», apelou Leão XIV, que revelou «acompanhar com atenção o que acontece em diversos países, dilacerados pela guerra e pela violência». «Ao generoso empenho pela paz unamos também a nossa constante oração», acrescentou.
Na noite que antecedeu o encontro com os fiéis em Castel Gandolfo, pelo menos uma pessoa morreu e outras dezasseis ficaram feridas num dos maiores ataques contra a capital ucraniana, Kiev, desde o início da guerra com a Rússia.
Já no Médio Oriente, o Irão anunciou que vários soldados norte-americanos morreram em novos ataques contra alvos militares dos Estados Unidos no Kuwait, o que gerou retaliações por parte de Washington.
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Também pela Paz, em Monte Cassino
O Papa realizou, na segunda-feira, uma visita privada à Abadia de Monte Cassino, com o intuito de rezar pelo fim dos conflitos armados no mundo.
“Leão XIV fez uma visita privada à comunidade monástica e à Abadia de Monte Cassino, onde fez uma pausa para rezar junto ao túmulo de São Bento, confiando-lhe a sua oração pela paz nas regiões do mundo marcadas pelo derramamento de sangue e pelos conflitos”, informou a Sala de Imprensa da Santa Sé.
O Papa almoçou com a comunidade beneditina no mosteiro italiano, fundado por São Bento de Núrsia, padroeiro da Europa que viveu entre o final do Século V e meados do Século VI.
O santo estruturou o monaquismo ocidental ao criar uma regra de vida comunitária assente na oração e no trabalho manual (ora et labora), matriz que influenciou profundamente a identidade do continente.
O complexo religioso de Monte Cassino foi totalmente destruído durante a II Guerra Mundial, na sequência de um bombardeamento das forças aliadas.
Do local é possível observar o cemitério militar polaco, construído para acolher os soldados mortos nas operações de 1944 pela conquista do desfiladeiro de acesso à Abadia, que se transformara num baluarte das tropas alemãs.

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