Confucionismo e Catolicismo dialogaram formalmente

NA COREIA DO SUL

Confucionismo e Catolicismo dialogaram formalmente

O Vaticano promoveu, na Coreia do Sul, o primeiro colóquio formal entre as tradições cristã e confucionista para debater o contributo das crenças na construção de sociedades pacíficas e solidárias.

A visão bíblica e a sabedoria oriental dão voz a uma “das aspirações mais profundas da Humanidade”, sublinhou o prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, o cardeal D. George Jacob, em declarações ao portal Vatican News.

O encontro, que encerrou na quarta-feira, 5 de Agosto, na Universidade Católica Sogang, em Seul, resultou de uma parceria com a Academia Confucionista Coreana Sungkyunkwan e com a conferência episcopal do País.

Os especialistas analisaram a “contribuição do Cristianismo e do Confucionismo para uma sociedade ideal”, cruzando a imagem do Novo Céu católico com o conceito de Grande Unidade (Datong) da filosofia asiática.

A tradição confucionista propõe um horizonte comunitário sustentado “na relacionalidade, na responsabilidade e no bem comum”, reconhecendo a interligação das pessoas e a dependência da solidariedade recíproca.

O representante da Santa Sé recordou que o Livro do Apocalipse defende a renovação integral da criação na justiça para provar que a opressão e a violência “não terão a última palavra”.

Os fundamentos morais divergem nas duas perspectivas porque, para os crentes, a acção ética “não é simplesmente uma virtude social, mas a expressão visível da comunhão com Deus”, explicou o cardeal indiano.

A matriz asiática estabelece que a harmonia social não nasce da redenção divina, surgindo antes da “formação moral da pessoa, da orientação de governantes virtuosos” e do respeito pelos rituais e relações humanas.

O valor deste intercâmbio consiste “em preservar essas diferenças, permitindo, ao mesmo tempo, que cada tradição questione, enriqueça e amplie os horizontes da outra”, destacou o líder do organismo romano.

Os promotores do evento assumiram o compromisso de publicar a versão final das “Directrizes para o Diálogo Cristão-Confucionista”, no encerramento dos trabalhos para consolidar o percurso de compreensão institucional mútua.

In ECCLESIA

N.d.R.: Principalmente desde a instalação temporária, em Janeiro de 2011, de uma estátua de bronze de Confúcio na Praça Tiananmen, em Pequim, com 9,5 metros de altura, que académicos, estudantes e curiosos ligados a várias áreas profissionais vão alimentando o interesse pelo legado do Mestre Kong Qiu (Kongzi). O seu estudo tem permitido compreender melhor a organização social da China e também a de outros países, nomeadamente da Ásia-Pacífico, onde os ensinamentos da filosofia confuciana estão bem latentes. A referida estátua encontra-se actualmente no interior do Museu Nacional da China, junto à Praça Tiananmen.

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