MENSAGEM DO CARDEAL D. MARIO GRECH AOS BISPOS

MENSAGEM DO CARDEAL D. MARIO GRECH AOS BISPOS QUE PARTICIPARAM NA 12.ª ASSEMBLEIA PLENÁRIA DA FEDERAÇÃO DAS CONFERÊNCIAS EPISCOPAIS DA ÁSIA, REALIZADA NA INDONÉSIA

Dioceses vão colocar em prática as conclusões do Sínodo dos Bispos

N.d.R.: O cardeal D. Mario Grech dirigiu-se aos bispos asiáticos reunidos na 12.ª Assembleia Plenária da Federação das Conferências Episcopais da Ásia (FABC), que se realizou de 20 a 26 de Julho, sob o tema “Chamados à conversão sinodal: vivendo Cristo na Ásia – Verás coisas maiores do que estas”. O secretário-geral do Sínodo dos Bispos agradeceu aos prelados a organização da Assembleia Plenária, realçou a conversão espiritual que se vem verificando na Ásia e sublinhou a dedicação e perseverança do clero no reforço da presença da Igreja Católica em países onde o Catolicismo não é a religião maioritária. O CLARIM reproduz, na íntegra, a mensagem de D. Mario Grech proferida em Jacarta, capital da Indonésia, a que teve acesso há dias.

“Obrigado pela forma como organizaram esta Assembleia Plenária! Concordo plenamente com a intuição subjacente: não se trata de falar de sinodalidade, mas de procurar como vivê-la na vida quotidiana das nossas Igrejas.

Confesso que esta é verdadeiramente uma experiência eclesial avassaladora. Caros irmãos bispos, ao ouvir atentamente a vossa sabedoria, ao perceber a paixão que anima o vosso amor pela Igreja e pela criação, e ao saborear a forma como a conversão sinodal se está a desenrolar por toda a Ásia, sinto-me profundamente comovido. Este encontro não é apenas espiritualmente enriquecedor, mas também pastoralmente energizante; reacende em mim um sentimento de alegria e coragem no meu ministério.

O vosso testemunho é uma prova viva de que mesmo uma Igreja minoritária pode tornar-se uma semente de transformação. Pela vossa perseverança, criatividade e fidelidade, mostrais que o Evangelho tem o poder de inspirar a renovação, de despertar a esperança e de provocar uma mudança que irradia muito para além da força numérica. Sois a prova de que o Espírito escolhe o que é pequeno para realizar o que é grande, e de que a vitalidade da Igreja não depende da dimensão, mas da profundidade da fé e da generosidade da sua missão.

Na próxima segunda-feira [27 de Julho], a nossa Secretaria-Geral do Sínodo publicará um novo documento com orientações destinadas a acompanhar as Igrejas locais na preparação e celebração da Assembleia de Avaliação diocesana, que marca a primeira etapa da implementação do processo sinodal.

Num gesto de sincera gratidão pela vossa dedicação incansável e pelo vosso compromisso fiel a este percurso, decidimos partilhar convosco este documento antecipadamente. Esperamos que, ao recebê-lo antes do seu lançamento oficial, possais encontrar encorajamento e inspiração no vosso ministério e que ele sirva como um sinal da estima com que a vossa contribuição para o caminho sinodal é considerada.

Durante esta fase de implementação, as Igrejas na Ásia (dioceses, Conferências Episcopais e FABC) não se deparam simplesmente com a tarefa de implementar o Sínodo num novo contexto geográfico. São chamadas a manifestar, através da sua própria experiência, dimensões da vida eclesial que pertencem a toda a Igreja. A sua longa experiência de diálogo com as grandes tradições religiosas, o estatuto frequentemente minoritário das comunidades cristãs, a pluralidade de culturas e línguas, e a sua proximidade com os povos que vivem a pobreza, a migração e muitas formas de vulnerabilidade constituem, no seu conjunto, espaços onde o Espírito Santo continua a formar a Igreja. A partir destas experiências, podem surgir novas formas de viver a comunhão, de exercer a autoridade, de discernir o caminho para a proclamação do Evangelho e de construir relações capazes de dar testemunho de Cristo sem renunciar à escuta atenta dos outros. Desta forma, a nossa missão é enriquecida e aprofundada: ser pontes e construtores de pontes na Ásia, servindo como instrumentos de unidade e reconciliação em nome de Deus.

Por esta razão, a questão fundamental não é, em primeiro lugar, o que as Igrejas da Ásia irão receber do Sínodo. Pelo contrário, a questão é qual o dom que o Espírito Santo deseja oferecer a toda a Igreja através delas – a vossa contribuição ajudará a ‘Ecclesia tota’ a «ver coisas maiores» (cf. Jo., 1, 50). A implementação do Sínodo dará os seus frutos mais plenos quando cada Igreja local se reconhecer simultaneamente como destinatária e portadora de um dom. Nesta troca mútua, a Igreja continua a crescer como comunhão e como missão”.

Cardeal D. Mario Grec

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