A catedral destruída
Há poucos dias, a terminar o mês de Abril, foi completamente arrasada a catedral da Santa Mãe de Deus na cidade de Stepanakert, na Arménia. A fotografia mostra como era esta imponente catedral de granito. A igreja de São Tiago, na mesma cidade, já tinha sido demolida e várias outras também. A destruição sistemática das igrejas da Arménia faz parte da limpeza étnica que está a ocorrer. Mais de cem mil arménios (cristãos) fugiram quando o Azerbeijão conquistou a Arménia em 2020.
Logo com a ofensiva militar, foram destruídas 89 igrejas medievais, cerca de cinco mil e 500 “khatchkars” (crucifixos típicos da Arménia), dezenas de milhar de túmulos e muitos monumentos históricos.
A igreja ortodoxa arménia denunciou todo este vandalismo patrocinado pelo Governo do Azerbaijão, sobretudo a recente destruição da catedral da Santa Mãe de Deus. O Parlamento Europeu e outras instâncias internacionais também protestaram contra a destruição sistemática do património arménio.
Os contactos com este território, sujeito a uma opressão tão cruel, são escassos, mas a destruição dos monumentos pode acompanhar-se no estrangeiro graças às imagens de satélite: de um dia para o outro, igrejas inteiras são suprimidas.
Até 2023, o Azerbaijão só destruía os cemitérios, as cruzes e as igrejas mais pequenas, pretendendo que se tratava de episódios locais, sem relevância. Oficialmente, tinham conquistado a Arménia, mas respeitavam os monumentos principais. Agora, perante a loucura que atravessa o mundo actual, sentem-se livres para desistir da fachada de gente civilizada e começaram a demolir sistematicamente o património cultural e histórico da Arménia, começando pelas principais igrejas. Algumas, em vez de totalmente destruídas, foram entregues, depois de modificadas, à igreja ortodoxa russa.
Os arménios, que esperavam algum apoio da Rússia, perderam essa esperança e pediram ajuda à Ucrânia, à União Europeia e aos Estados Unidos. Aparentemente, não estão a ser bem-sucedidos, para além de declarações sem grande eficácia, porque a Europa precisa de comprar gás ao Azerbaijão. A ONU reagiu através da UNESCO, embora lhe tenha faltado o suporte dos países mais importantes.
Não é a primeira vez que os arménios são abandonados à sua sorte. Entre 1915 e 1923, o Império Otomano procedeu ao “genocídio arménio”, um extermínio sistemático de que resultou a morte de um a dois milhões de pessoas. Começou com a eliminação da população masculina, seguida pela deportação de mulheres, crianças e idosos em “marchas da morte” para o deserto sírio, onde muitos morreram de exaustão, fome ou foram assassinados.
No meio de crimes gravíssimos das principais potências mundiais, que podem degenerar, com consequências imprevisíveis, as populações cristãs estão a ser particularmente dizimadas em várias regiões do mundo. O demónio está mais feliz que nunca!
José Maria C.S. André
Professor do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa

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