A crescente influência da nobreza: Eugénio II e Valentim
EUGÉNIO II
(II.V.824 – VIII.827)
O 99.º Pontífice Romano foi eleito no meio de uma disputa entre a nobreza romana (apoiada pelos francos) e o clero (procurava dar continuidade às políticas de autonomia papal de Pascoal I). O Concílio Romano de 769 havia decretado que os leigos não podiam participar na eleição de um Papa e que nenhum leigo poderia ser nomeado Papa. Os nobres, no entanto, conseguiram exercer pressão suficiente para que Eugénio, nascido em Roma, fosse eleito Papa, apesar de o clero e o povo preferirem Zinzinnus (Zinzinno).
Dois anos antes, em 822, o imperador Luís, o Piedoso, enviara o seu filho Lotário I a Roma, para reforçar o controlo carolíngio. Antes disso, em 817, já o tinha designado como co-imperador. A 5 de Abril de 823, o Papa Pascoal I coroou Lotário I. (este tornou-se mais tarde o único imperador após a morte do pai, em 840).
Em 824, o co-imperador Lotário I e o Papa Eugénio II assinaram um acordo: a “Constitutio Romana” (Constituição Romana). O pacto permitia que tanto o clero romano como os leigos participassem na eleição do Papa, mas exigia que o Papa eleito prestasse um juramento de lealdade ao representante do imperador (legado) antes de ser consagrado. Assim, afirmava a soberania imperial sobre os Estados Pontifícios.
Passando agora às relações com o Oriente, Eugénio II teve de lidar com o novo imperador bizantino Miguel II. Este chegou ao poder em 820, durante o Pontificado de Pascoal I, depois de os seus apoiantes terem assassinado o imperador Leão V na manhã de Natal, a 25 de Dezembro de 820, na capela palaciana de Santo Estêvão, em Constantinopla.
Miguel II, apelidado de “o Amoriano”, mostrou inicialmente moderação para com os veneradores de ícones, mas continuou a política geral de iconoclastia. Restaurou algumas práticas proibidas, mas reprimiu o debate sobre os ícones.
Para garantir o apoio do Ocidente, Miguel II enviou representantes ao Papa Eugénio II e ao imperador Luís, em 824.
A Eugénio II, o imperador Miguel II apresentou questões relacionadas com a veneração de imagens e a sua tentativa de alcançar uma posição de compromisso. Da mesma forma, apelou a Luís para que suprimisse a propaganda anti-bizantina que estava a ser espalhada em Roma pelos monges orientais que tinham fugido da perseguição iconoclasta.
O Papa Eugénio II convocou um importante Concílio em 826, que emitiu 38 decretos disciplinares. Estes incluíam a proibição da compra e venda de cargos eclesiásticos (simonia), a exigência de que os membros do clero fossem instruídos nas suas funções e a ameaça de suspensão para aqueles que permanecessem ignorantes, bem como a proibição de os padres usarem vestuário secular ou se envolverem em negócios seculares.
Reconhecendo a necessidade de uma melhor formação intelectual, Eugénio II ordenou que fossem criadas escolas em palácios episcopais, catedrais e outros locais para proporcionar educação, tanto em literatura religiosa como secular.
Eugénio II destacou-se pela sua preocupação com os pobres, as viúvas e os órfãos, o que lhe valeu a alcunha de “Pai do Povo”.
Apoiou activamente a cristianização do Norte da Europa, fornecendo cartas oficiais para ajudar o trabalho missionário de Santo Ansgar (Ansgário) na Dinamarca.
Durante o seu Pontificado de três anos, lançou esforços para reparar e embelezar várias igrejas em Roma, incluindo Santa Sabina, à qual acrescentou mosaicos.
VALENTINO
(31.VIII.827 – 10.X.827)
Criado por pais cristãos, bons e nobres, Valentino era muito estimado por ser piedoso, bondoso e moralmente puro. Serviu como arquidiácono, tendo sido influente sob as ordens dos Papas Pascoal I e Eugénio II.
Valentino foi eleito Papa por volta de 31 de Agosto de 827, após ser aclamado, por unanimidade, pelo clero romano, pela nobreza e pelo povo, imediatamente após a morte de Eugénio II.
“Após a morte de Eugénio, o clero romano e os nobres reuniram-se em Latrão para eleger um novo Papa. Desta vez, não houve qualquer disputa. Tanto o clero como os nobres gritaram: “Valentim, o santíssimo arquidiácono, é digno da Sé Apostólica; Valentim deve ser nomeado Papa! (…) Então, saíram em massa de Latrão e apressaram-se para a Igreja de Santa Maria Maior, onde encontraram Valentim em oração. Apesar dos seus protestos sinceros de que não era digno, insistiram na eleição de Valentim” (Brusher & Borden, “Popes through the Ages”, pág. 202).
A eleição foi bastante invulgar. Na pressa, a multidão entronizou-o antes de ser ordenado sacerdote, o que era algo sem precedentes na época. Foi formalmente ordenado e consagrado bispo na Basílica de São Pedro, no Domingo seguinte.
Valentim faleceu apenas cinco semanas após ser eleito. O imperador Luís nem teve tempo de ratificar a eleição.
Pe. José Mario Mandía
LEGENDA: Papa Eugénio II

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