Dois “Estêvão II”: o Papa eleito Estêvão II e Estêvão II (III)

GUARDIÕES DAS CHAVES – 51

Dois “Estêvão II”: o Papa eleito Estêvão II e Estêvão II (III)

PAPA ELEITO ESTÊVÃO II

(De 22 a 26 de Março de 752)

Inicialmente, Estêvão II foi considerado o 92.º Pontífice Romano. Após o funeral do Papa Zacarias, em 22 de Março de 752, foi eleito Papa por unanimidade. Instalou-se imediatamente no Palácio Lateranense e começou a trabalhar. No entanto, após três dias, sentiu-se indisposto e morreu de um derrame, a 26 de Março. O seu Pontificado foi o mais curto da História da Igreja. Ainda não havia sido consagrado no momento da sua morte e o Direito Canónico, à época, exigia que o Pontífice Romano fosse consagrado (com a aprovação do imperador bizantino) antes de ser oficialmente considerado Papa. Assim, Estêvão é considerado um Papa eleito e não um Papa legítimo. O único outro Papa eleito na Igreja Católica é o Papa (eleito) Celestino II (1124), que renunciou antes da sua consagração devido a disputas políticas internas e para evitar um cisma.

Após reformas nos Séculos XI e XII, o Direito Canónico passou a reconhecer um Papa após a sua aceitação em eleição válida, e não após a consagração ou coroação. O Papa eleito Estêvão foi originalmente listado no Anuário Pontifício a partir do Século XVI, mas o seu nome foi riscado da lista de Papas no Anuário Pontifício de 1961. Não obstante, é frequentemente reconhecido pelos historiadores modernos como Papa (cf. Brusher & Borden, “Popes through the Ages”, pág. 184; e Caporilli, “Os Pontífices Romanos”). O mosaico que o recorda também está incluído nos retratos dos Papas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma.

ESTÊVÃO II/III

(26.III.752 – 26.IV.757)

Após a morte de Estêvão II, os romanos escolheram novamente por unanimidade outro Papa, também chamado Estêvão. Vimos anteriormente que o Pontificado extremamente breve de Estêvão II levou a uma confusão na numeração dos Papas “Estêvão”. Este “novo” Estêvão é mencionado como Estêvão III de Roma na Igreja Ortodoxa (cf. orthodoxwiki.com) e referido por alguns historiadores como Estêvão II (III) ou Estêvão II/III.

Caporilli sublinha que a eleição de Estêvão II (III) “gerou tal entusiasmo que o povo de Roma o carregou nos ombros, dando origem à sedia gestatória”, um trono cerimonial portátil coberto de seda usado para transportar os Papas nos ombros de doze homens em uniformes vermelhos, para o tornar visível para grandes multidões. Foi usada durante Séculos até ao Pontificado do Beato João Paulo I, em 1978. O papamóvel substituiu-a nas aparições públicas do Santo Padre.

“Estêvão II/III foi um diácono romano criado pelos Papas após a morte do seu pai. Como foi formado por homens como São Gregório III e São Zacarias, não é surpresa que Estêvão fosse devoto da tradição eclesiástica, amante dos pobres e firme defensor do povo” (Brusher & Borden, “Popes through the Ages”, pág. 186).

Estêvão II/III foi eleito em tempos turbulentos, quando os lombardos começaram a causar mais problemas em Itália, invadindo Ravena, onde residia o exarca (representante do imperador bizantino). No Oriente, o imperador Constantino V continuou as políticas iconoclastas do pai, Leão III, e estava mais ocupado a lutar contra os búlgaros e sarracenos (tribos árabes). Não se importava muito com o que acontecia em Itália, apesar dos apelos do Papa Estêvão II/III. A falta de apoio do imperador bizantino forçou o Sumo Pontífice a exercer mais poder secular e levou-o a pedir ajuda aos francos. Foi pessoalmente a Paris para pedir a Pepino, o Baixo, que defendesse Itália dos lombardos. O envolvimento de Pepino pôs fim ao que é denominado como “papado bizantino” e marcou o início do “papado franco”.

O Papa ungiu solenemente Pepino e os seus filhos Carlos e Carlos Magno como reis. Lembramos que, anteriormente, em 751, o Papa Zacarias já havia aprovado a deposição do último rei merovíngio por Pepino, dando início ao período do domínio carolíngio. Por fim, Pepino conseguiu conter os lombardos e ignorou os apelos do imperador para reconquistar Ravena. Pepino disse a Constantino V que trabalhava apenas para o “Beato Pedro” (referindo-se ao Papa). Ao invés, entregou Ravena ao Papa em 756, tornando Estêvão II/III o primeiro dos monarcas papais (Papa-rei). Pepino também deu ao Papa o controlo sobre alguns territórios de Itália. Esta medida, chamada de “Doação de Pepino”, levou à criação dos Estados Pontifícios.

Pe. José Mario Mandía

LEGENDA: Papa eleito Estêvão II

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