Quanto à subsidiariedade

Filosofia, uma dentada de cada vez (74)

Quanto à subsidiariedade

Já antes estudámos dois importantes princípios que devem governar a vida em sociedade. Dois princípios que nos levam a mais outros dois: a subsidiariedade e a solidariedade. Hoje vamos falar da subsidiariedade, que emana do princípio da dignidade humana.

Já vimos que a dignidade humana vem do facto do homem ser livre e responsável, o que deve ser levado em conta quando falamos de sociedade. Ser-se um membro de qualquer tipo de sociedade (familiar, educativa, institucional, corporativa ou nacional) não deve privar uma pessoa da sua liberdade e capacidade de iniciativa. Uma sinfonia necessita de um maestro, mas se o maestro decidir que irá tocar flauta enquanto dirige a orquestra, poderá arruinar a execução da peça. Deve deixar cada músico tocar, mesmo que ele pense que toca com maior maestria o violino ou a flauta.

Além disso, o Catecismo da Igreja Católica (nº 1894) estabelece: Segundo o princípio da subsidiariedade, nem o Estado nem qualquer sociedade mais abrangente devem substituir-se à iniciativa e à responsabilidade das pessoas e dos corpos intermédios. Este princípio foi introduzido pelo Papa Pio XII na sua encíclica “Quadragesimo Anno”, onde afirma que “é uma injustiça e um grande mal, e uma perturbação da ordem estabelecida, atribuir a associações maiores e abrangentes o que outras associações menores e organizações subordinadas podem fazer”. Este princípio aplica-se a todos os tipos de sociedades, sejam elas familiares, cooperativas, empresariais ou nacionais. Na família os pais têm que educar os seus filhos de forma que a mãe e o pai não sejam substitutos da consciência e liberdade dos seus filhos. E isso também significa que eles tenham espaço emocional para os erros e equívocos, pois estes são parte da aprendizagem e do crescimento.

Uma pessoa que não siga a subsidiariedade cai em micro-gestão das pessoas suas subordinadas. Isto é, a tendência para controlar o que os subordinados fazem, e assim retirar-lhes a oportunidade de usar a sua liberdade, capacidades e criatividade. E com isso frustrando-os, desmoralizando-os e desmotivando-os. Isto também tira o sentido de posse e responsabilidade. Como já vimos, o sentido de posse emana da liberdade. Além disso, quando um superior não delega responsabilidades, acaba por fazer coisas que não precisa de fazer, cansando-se a si próprio no processo.

Attollo, uma Organização Católica de Liderança Empresarial defende: “É gravemente errado impedir os indivíduos de fazer o que eles possam realizar por sua própria iniciativa”. Dizendo de outra forma, apoia-se a dignidade humana concedendo aos seus empregados a responsabilidade e a autoridade de tomarem decisões e agirem para fazerem as coisas. Aqui temos uma boa máxima de liderança: Empregue quem confia e confie em quem empregou.

“Hoje em dia é mau negócio ter o tipo de gestão vertical, onde mesmo as mais pequenas mudanças na organização necessitam de aprovação da chefia…”. “A subsidiariedade não é apenas um princípio da Doutrina Social da Igreja Católica. É uma ‘melhor prática’ de negócio saudável (http://attollousa.com/four-principles-of-catholic-social-dotctrine/)”. Este princípio também se aplica na política. Apenas quando um governo local não pode resolver um problema é que as instâncias mais altas do governo central entram em acção, não obrigatoriamente para o substituírem, mas apenas para ajudar a acabar a tarefa.

Pe. José Mario Mandía

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