Imprensa retrata o que um mar de espelhos une
Pouco depois de aterrar na capital portuguesa, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, dirigiu-se para o Centro Científico e Cultural de Macau, a fim de presidir à inauguração da exposição “Reflexos do Mar de Espelhos”. O corte-de-fita foi antecedido da inauguração de uma segunda mostra, intitulada “Um Vislumbre da Cultura Chinesa”, em resultado da parceria firmada entre os jornais Diário de Notícias e Ou Mun, em 2023.
“Reflexos do Mar de Espelhos” e “Um Vislumbre da Cultura Chinesa” foram as duas exposições inauguradas no passado dia 18 de Abril, no Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa, no âmbito da visita do Chefe do Executivo a Portugal.
“Reflexos do Mar de Espelhos”, patente ao público até 30 de Junho, enfatiza os 500 Anos de Intercâmbio entre as Civilizações Chinesa e Ocidental em Macau, por meio das diferentes manifestações pagãs e religiosa provenientes das tradições chinesa e portuguesa.
Logo à entrada, a sinopse da exposição refere: “Desde a fundação de Macau, com a instalação de diferentes etnias e comunidades religiosas, os seus próprios ritos, costumes e actividades festivas foram trazidos e enraizaram-se aqui. Não existiam de forma isolada, mas foram-se adaptando gradualmente e respeitando-se mutuamente no espaço urbano e na sequência temporal partilhados, acabando por formar um fenómeno único de simbiose cultural”.
A mostra inaugurada por Sam Hou Fai reserva um capítulo à “vida comunitária na fé e nas festas”, sendo dado destaque às festividades tradicionais chinesas, como, por exemplo, o Ano Novo Lunar, o Festival de Barcos-Dragão e o Festival do Meio Outono. Estas vão alternando com algumas das mais populares celebrações e manifestações católicas: Procissão do Senhor Morto, Procissão de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos, Procissão de Nossa Senhora de Fátima, Procissão de Santo António, Arraial de São João, Procissão de São Roque, Festa de São Martinho e Festa da Imaculada Conceição.
As entidades organizadoras da exposição – Instituto Cultural da RAEM e Centro Científico e Cultural de Macau – justificam a escolha do tema do certame com o facto da “vida festiva de Macau (ir) muito além do entretenimento e dos rituais”. No seu entender, “é um espelho dinâmico que reflecte a sintonia e a ordem formadas pela interacção prolongada entre diferentes tradições culturais, interpretando de forma vívida o caminho para a concretização do intercâmbio entre civilizações no quotidiano da comunidade”.
OCIDENTE E ORIENTE EM RECORTES DE JORNAIS – Inaugurada pela Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, a exposição “Um Vislumbre da Cultura Chinesa” reúne uma selecção de artigos publicados pelo jornal Diário de Notícias, em parceria com jornal Ou Mun, desde Setembro de 2023.
A mostra está dividida por temas, tendo a curadoria da exposição procurado balancear de forma equitativa a presença de Macau e da China continental nos vários quadros explicativos.
A’O CLARIM, a curadora da exposição, Sara Neves, enfatizou a importância da iniciativa, tendo em conta várias vertentes: «Esta exposição é muito especial, no sentido em que não só nos liga a Macau como a toda a China [continental]. Por exemplo, na parte das paisagens, temos vários lugares; depois há a parte dos festivais, realizados em sítios diferentes. Há ainda as várias religiões, as várias crenças. Trata-se de uma exposição muito interessante para quem nunca foi à China, e muito especial para quem viveu em Macau e queira recordar as suas características».
Questionada se houve a preocupação de focar as transformações pelas quais Macau passou depois da transferência de administração para a China em 1999, Sara Neves respondeu: «A exposição está dividida em seis partes. Uma delas é dedicada aos 25 anos [da transferência de administração], dado que houve vários artigos publicados no jornal [Diário de Notícias] que deram a conhecer como se desenrolou esse processo. Encontramos declarações de António Monteiro [presidente da Associação dos Jovens Macaenses], de Jorge Rangel [presidente do Instituto Cultural de Macau] e de outras personalidades que viveram esse período e os anos subsequentes».
À semelhança de “Reflexos do Mar de Espelhos”, também “Um Vislumbre da Cultura Chinesa” não negligenciou a parte religiosa. «Na área da exposição dedicada às tradições podemos encontrar um pouco mais a ligação à religião; em bom rigor, a todas as festividades que vão sendo realizadas em Macau. Estes artigos procuram explicar a cultura chinesa a todas as pessoas de um modo fácil, quer vivam em Portugal ou em Macau. Um exemplo é o Ano Novo Chinês que em termos de conexão com a família, de encontro, tem a ver um bocadinho com o nosso Natal. O mais interessante é que todos os artigos tentam explicar, quase como uma lente da visão portuguesa, estes fenómenos sociais», explicou a curadora.
J.M.E.
LEGENDA PHOTO 1: Cerimónia de abertura de “Reflexos do Mar de Espelhos”
LEGENDA PHOTO 2: Instalação em “Um Vislumbre da Cultura Chinesa”


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