Orgulho em ser católico

DOMINGO DE PENTECOSTES – Ano A – 24 de Maio

Orgulho em ser católico

Os Apóstolos regressaram a Jerusalém após a ascensão de Jesus e reuniram-se no Cenáculo, onde Jesus celebrara a Última Ceia. Era a primeira novena, e foi o próprio Jesus quem a pediu quando solicitou aos Apóstolos que permanecessem ali em oração, até à vinda do Espírito Santo (cf. Actos 1, 4). Era precisamente a mesma sala onde Jesus aparecera aos Apóstolos, na noite do Domingo de Páscoa. João conta-nos, no seu Evangelho, que tinham as portas trancadas no Domingo de Páscoa porque estavam com medo (cf. João 20, 19). Trancaram-se no Cenáculo porque estavam aterrorizados. Talvez estivessem a pensar que o que aconteceu a Jesus lhes poderia acontecer a eles. Agora, ao esperarem em oração no Cenáculo, os Apóstolos eram acompanhados na oração por Maria, a mãe de Jesus, e por outros (cf. Actos 1, 14).

O que aconteceu no Pentecostes? Depois de receberem o Espírito Santo, os Apóstolos saíram do Cenáculo e começaram a pregar. Quando continuamos a ler os Actos, após a primeira leitura de hoje, vemos Pedro a pregar acerca de Jesus no Pentecostes, depois de receber o Espírito Santo. Como resultado da pregação de Pedro, lemos nos Actos que três mil pessoas pediram para serem baptizadas (cf. Actos 2, 41).

Observe-se a transformação de Pedro em resultado de ter recebido o Espírito Santo no Pentecostes. Quando Jesus estava a ser interrogado perante o Sinédrio, Pedro negou-O, e de todos os Apóstolos apenas João se aproximou da cruz. Mas agora, em resultado de ter recebido o Espírito Santo no Pentecostes, Pedro está transformado. Já não tem medo. Está destemido. Mais adiante, também nos Actos, vemos Pedro a pregar novamente e, como resultado, a ser levado perante o Sinédrio e advertido para não pregar acerca de Jesus (cf. Actos 4). E quando o Sinédrio o libertou, o que fez ele? Voltou imediatamente a pregar.

Quando observamos Pedro nos Evangelhos, não imaginamos que tal pudesse acontecer. Mas, depois de receber o Espírito Santo no Pentecostes, Pedro está quase irreconhecível. Vemo-lo muito claramente num incidente, mais adiante, ainda nos Actos: os Apóstolos estavam a realizar muitos milagres, tal como Jesus, e as pessoas costumavam levar os seus doentes para as ruas quando eles passavam, na esperança de que pelo menos a sombra de Pedro pudesse cair sobre os doentes ao passar (cf. Actos 5, 14-15). Em nenhum lugar dos Evangelhos lemos que as pessoas esperavam que a sombra de Jesus caísse sobre elas. Pedro cresceu e cresceu espiritualmente depois de receber o Espírito Santo. Ele já não tinha medo da perseguição por causa de Jesus. Quando Jesus estava a ser interrogado pelo Sinédrio, Pedro negou três vezes que conhecia Jesus, pois tinha medo da perseguição; mas depois do Pentecostes, já não tem medo da perseguição. Como resultado, a Igreja cresceu e foi de bem-sucedida a bem-sucedida.

Quando vemos esta enorme mudança em Pedro, podemos perguntar-nos: “Seremos como o Pedro dos Evangelhos, com medo de sermos vistos como alguém associado a Jesus, ou seremos como o Pedro dos Actos dos Apóstolos, sem medo da perseguição por sermos seguidores de Jesus?”. Em vários outros lugares, ouvi repetidamente este lema: “Orgulho em ser católico”. Neste dia de Pentecostes, podemos perguntar-nos: temos orgulho em ser católicos? A que Pedro nos assemelhamos? Ao Pedro dos Evangelhos ou ao Pedro dos Actos dos Apóstolos, depois de receber o Espírito Santo? Obviamente, o nosso ideal é sermos como o Pedro dos Actos dos Apóstolos, depois de receber o Espírito Santo, já sem medo de sermos associados a Jesus, mas orgulhosos de sermos vistos com Jesus, orgulhosos de sermos católicos. Se ainda não nos orgulhamos de ser vistos com Jesus, de ser católicos, precisamos de rezar para que o Espírito Santo esteja mais presente nas nossas vidas, para que recebamos mais do que Pedro recebeu no Pentecostes. A fortaleza é um dos sete dons do Espírito Santo. Certamente, nesta cultura, precisamos da fortaleza para sermos católicos.

Ser um católico orgulhoso implica uma profunda valorização e um compromisso com os ensinamentos, as tradições e a comunidade da Igreja Católica. Isto não se aplica apenas a padres, missionários ou santos – aplica-se a todos nós. Cada crente é chamado a ser uma luz num mundo sombrio, uma voz de esperança, uma mão de compaixão. E não é preciso um microfone, um púlpito ou um diploma em Teologia para o fazer. Podes pregar o Evangelho através da bondade, do perdão, da defesa do que é certo, ou simplesmente vivendo uma vida que reflicta o amor de Jesus. Talvez já te tenhas sentido pequeno por vezes. “Como posso fazer a diferença?”, perguntas-te. Mas Deus usa frequentemente os vasos mais pequenos para transportar as maiores bênçãos. O teu sorriso, o teu encorajamento, a tua decisão de perdoar – estes pequenos actos têm um impacto muito maior do que imaginas.

Pe. Leonard Dollentas

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