A Inevitabilidade da Ressurreição

DOMINGO DE PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR – Ano A – 5 de Abril

A Inevitabilidade da Ressurreição

Aleluia! Cristo ressuscitou!

O amanhecer da Páscoa não começa com certezas, mas com corações trémulos. As mulheres levantam-se cedo, levando especiarias, com o coração pesado de dor. Esperam encontrar a morte, para realizar um último acto de amor por um corpo silenciado pela violência. No entanto, o que encontram é a ausência – a pedra removida, o túmulo vazio. A confusão toma conta delas. As lágrimas turvam-lhes a visão, a dor obscurece o reconhecimento.

As mulheres personificam a luta humana contra a perda: a necessidade de se agarrar ao que se foi, o medo de enfrentar um futuro sem o amado. A sua viagem até ao túmulo é um acto de fidelidade, mas também de desespero. Elas vêm para preservar a memória, não para esperar a vida. E, no entanto, na sua vulnerabilidade, tornam-se as primeiras testemunhas do impossível.

O vazio perturba-as. Não é uma prova, mas uma provocação. Obriga-as a confrontar os limites das suas expectativas. Elas tinham-se preparado para o fim, mas Deus abre um começo. O seu espanto é o limiar necessário da fé: antes da alegria, há confusão; antes da proclamação, há silêncio.

Em termos psicológicos, o túmulo vazio desmantela a narrativa do seu luto. Interrompe a história que tinham ensaiado – de que a morte é definitiva, de que a esperança está enterrada. O choque desestabiliza-as, mas também as liberta. Cria espaço para o reconhecimento, para o encontro, para a transformação.

A ressurreição é inevitável – não só porque Jesus é o Filho de Deus, mas porque as causas que Ele defendia não podiam ser abandonadas. Ele defendeu os pobres, os excluídos, os descrentes na vida. Proclamou um reino onde os últimos são os primeiros, onde a misericórdia triunfa sobre o julgamento, onde o amor desmantela o medo. Tal visão não pode ser enterrada. Exige continuidade!

Se Jesus tivesse permanecido no túmulo, a Sua missão teria terminado em tragédia. Mas a ressurreição é a afirmação de Deus de que a Sua causa deve continuar. O reino que Ele proclamou não é silenciado por pregos nem selado por pedras. Ela ressurge porque a verdade não pode ser extinta, porque a justiça não pode ser enterrada, porque o amor não pode ser morto.

As mulheres junto ao túmulo personificam esta inevitabilidade. A sua fidelidade, a sua recusa em abandoná-Lo, mesmo na morte, torna-se a semente da proclamação. Elas levam a mensagem adiante, garantindo que a Sua missão continue. A ressurreição não é apenas um milagre divino – é uma necessidade divina. É a garantia de que a história de Jesus não termina em derrota, mas em cumprimento.

Os discípulos escondem-se atrás de portas trancadas, paralisados pelo medo. Jesus entra, oferecendo paz. Ele mostra as Suas feridas, não apagadas, mas transfiguradas. A ressurreição não nega o sofrimento; ela redime-o. As cicatrizes permanecem, mas tornam-se sinais de vitória.

Os nossos traumas pessoais também não desaparecem, mas podem ser integrados. A dor não desaparece, mas pode ser transformada. A ressurreição ensina-nos que as feridas podem tornar-se testemunhos, as cicatrizes podem tornar-se histórias de graça. A inevitabilidade da ressurreição não é uma fuga do sofrimento – é a transformação do sofrimento em significado.

«Ide e dizei aos meus irmãos». «Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio». A ressurreição não é um consolo privado – é uma missão pública. As mulheres, os discípulos, a comunidade, são enviados para continuar a Sua causa. O reino deve ser proclamado, os pobres devem ser levantados, os descrentes devem ser curados.

A inevitabilidade da ressurreição é também a inevitabilidade da missão. Abandonar a Sua causa seria trair a Sua vida. Proclamar a ressurreição é comprometer-se com a justiça, a misericórdia e o amor. A Páscoa não é apenas sobre a vida após a morte – é sobre a vida antes da morte, vivida com coragem e compaixão.

E assim proclamamos: Cristo ressuscitou. A Sua causa está viva. O Seu reino é inevitável. Aleluia!

Pe. Jijo Kandamkulathy, CMF

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *