Missas Dominicais e Sinodalidade por Paz e Harmonia
Desde há uns meses que nas Missas Dominicais, em Banguecoque e no resto da Tailândia, são lidas intenções de oração especiais para «desarmar os corações». O objectivo é não ceder ao ódio, mas antes pugnar pela construção de pontes de reconciliação entre a Tailândia e o Camboja. «Em comunhão com o Santo Padre e os nossos bispos, rezamos para lançar as sementes da paz e da reconciliação, e erradicar a hostilidade contra os nossos vizinhos cambojanos da sociedade tailandesa», disse, a este respeito, o padre Peter Piyachart Makornkhanp, director nacional das Obras Missionárias Pontifícias (OMP) na Tailândia e pároco da igreja do Santo Rosário em Banguecoque, numa entrevista à agência FIDES.
O sacerdote continuou: «Um cessar-fogo está agora em vigor no conflito fronteiriço com o Camboja e pode representar um primeiro passo para uma paz duradoura e definitiva. Como católicos tailandeses, somos chamados a ser apóstolos da paz, e os fiéis estão a trabalhar pela reconciliação a todos os níveis e em todas as paróquias. Juntamente com os nossos bispos, as comunidades católicas de todo o País estão a rezar pela paz».
O padre Piyachart explicou: «Pregamos, recordando as palavras do Papa Leão XIV: ansiamos por uma paz que seja ao mesmo tempo desarmada e desarmante. As palavras do Santo Padre ressoam nas nossas igrejas, juntamente com os seus constantes apelos à paz. Encorajamos os fiéis a seguirem o nosso Pastor, o Santo Padre, que nos mostra o caminho nos passos de Cristo, que disse: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus”».
Este desejo, observou o director nacional das OMP, é partilhado e ecoado pelas comunidades católicas em toda a Tailândia, que estão a celebrar um “Ano da Sinodalidade” especial, a nível pastoral. Ao longo do corrente ano, a Igreja local está envolvida numa série de encontros baseados no método de “conversas no espírito”. Este caminho serve de preparação para a Assembleia Plenária da Federação das Conferências Episcopais da Ásia (FABC), a realizar na Indonésia. A iniciativa inspira-se no “Documento de Banguecoque”, publicado por ocasião do 50.º aniversário da FABC, em 2023, e está intimamente ligada ao processo sinodal global.
O padre Piyachart falou sobre o caminho que vem sendo trilhado pela comunidade católica tailandesa, uma pequena minoria num país predominantemente budista: «O Ano da Sinodalidade está estruturado em torno de três prioridades principais, cada uma carregando uma poderosa mensagem de fraternidade e paz. A primeira é “caminhar juntos”, o que significa superar o clericalismo e reconhecer a igual dignidade e a responsabilidade partilhada dos leigos, especialmente mulheres e jovens».
O segundo objectivo, é «viver como cristãos, como fermento dentro da nação – isto é, abraçar a nossa condição de minoria numérica [0,46 por cento da população da Tailândia] e sermos activos na sociedade através de obras de caridade e educação, proclamando o Evangelho».
A terceira prioridade centra-se no ecumenismo e no diálogo inter-religioso. Na Tailândia, os líderes e todos os baptizados trabalham em conjunto para construir relações harmoniosas com monges e indivíduos budistas, bem como com cidadãos muçulmanos, a fim de promover a paz, salvaguardar a dignidade humana, apoiar o desenvolvimento dos pobres e proteger o Ambiente.
O termo “Sinodalidade” refere-se ao processo global de escuta e renovação da Igreja Católica iniciado pelo Papa Francisco. O marco original, muitas vezes referido como o período do sínodo, envolveu uma vasta auscultação mundial que decorreu entre 2021 e 2024. Em vez de encerrar o processo, a Igreja está agora empenhada em integrar e implementar o princípio de caminhar juntos aos níveis diocesano e paroquial.
A sinodalidade assenta na dignidade partilhada e na corresponsabilidade de todos os fiéis. Enraizada na teologia do Povo de Deus, procura uma Igreja mais participativa, onde os diversos carismas sejam reconhecidos e valorizados. Mais do que uma simples reunião administrativa, é um processo espiritual de escuta comunitária, diálogo e discernimento que ajuda a moldar as decisões pastorais.
Na sua essência, uma Igreja sinodal é uma Igreja missionária. Ela afasta-se do egocentrismo para testemunhar activamente o Evangelho no mundo. A sinodalidade impulsiona a comunidade a chegar àqueles que se encontram nas periferias espirituais, sociais e económicas, trabalhando em conjunto para promover a dignidade humana, a justiça e o cuidado da criação.
A sinodalidade destaca a relação entre toda a comunidade e o ministério ordenado. Ao mesmo tempo que valoriza os dons baptismais de todos os membros, honra a comunhão hierárquica de pastores e bispos, que são, em última instância, responsáveis por autenticar o processo de discernimento e manter o depósito da fé.
Para apoiar a fase de implementação do Sínodo, a Secretaria Geral do Sínodo publicou, em Maio deste ano, o documento “Rumo às Assembleias 2027-2028: etapas, critérios, instrumentos em vista das Assembleias de 2027-2028”. O texto especifica o calendário, a metodologia e os critérios com os quais as Igrejas locais de todo o mundo, e os seus agrupamentos nacionais e continentais, são chamadas a compartilhar os frutos do caminho iniciado após o Documento final do Sínodo 2021-2024, até a celebração da Assembleia Eclesial de Outubro de 2028.
Joaquim Magalhães de Castro

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