Salutar convivência

Católicos respeitam o Ano Novo Chinês

Salutar convivência

«Há respeito mútuo. A minha família é católica, mas tem respeito pelas tradições chinesas, assim como os chineses [não católicos] respeitam as nossas tradições em Macau». É assim que o macaense Frederico Cordeiro caracteriza a salutar convivência durante o Ano Novo Chinês.

«É uma festividade com mais alegria em Macau. Quando era pequeno ia à rua para dizer “Kung Hei Fat Choi” às pessoas conhecidas e ao mesmo tempo recebia aqueles envelopes, com uma pataca no máximo, que eram só para solteiros, num gesto de me desejarem saúde e felicidade», lembra a’O CLARIM o presidente da Assembleia-geral da Associação de Hóquei de Macau, acrescentando que os pais lhe compravam «roupa nova de cor encarnada», sem esquecer «a queima de panchões, que acontecia em qualquer rua», dado que «não havia restrições».

Inesquecível era o jogo ilegal na zona exterior do Mercado Municipal Horta da Mitra. «Via-os a jogar o grande-e-pequeno. Eram chineses, e eu também fazia uma ou outra aposta. Tinha entre dez e quinze anos. Os vigias controlavam a polícia nos quatro cantos da rua, e quando davam com ela faziam sinal para que o dinheiro desaparece rapidamente das mesas improvisadas», descreve o também presidente do Lusitânia Sport Clube.

Para Fernando Bastos, gerente do Centro de Convívio da Santa Casa da Misericórdia, os festejos do Ano Novo Chinês de agora são um tudo ou quanto idênticos aos do seu tempo de menino: «Normalmente as pessoas vão para os templos fazer as suas preces e pedir um bom ano, saúde e segurança, também para os filhos. Agora, é mais ou menos o mesmo».

«Há ainda a queima dos panchões. Nós fazíamos o mesmo quando éramos crianças», relembra, salvaguardando que não frequentava os templos para queimar pivetes, embora até pudesse ir ver os efeitos que lá tinham.

O respeito dos católicos de Macau pela tradição do Ano Novo Chinês é igualmente enaltecido por Fernando Bastos. «Nós respeitamos. É recíproco. Eles respeitam e celebram o Natal e o nosso Ano Novo», sustenta o macaense, que neste período do ano também costumava ir ao Mercado Municipal Horta da Mitra fazer umas apostas, sempre longe dos olhares da polícia.

Já Florita Morais Alves aponta algumas mudanças de hábitos nos usos e costumes da festividade. «É bem diferente» de quando era criança «em termos de ambiente, porque naquela altura as pessoas podiam queimar panchões em cada canto», o que contribuía para «dar um ar mais festivo à cidade».

As diferenças abrangem ainda os hábitos gastronómicos. «Hoje em dia celebra-se cada vez mais a festividade nos restaurantes e nos hotéis, enquanto no meu tempo era mais comer em casa», dado que «antes não havia tantos hotéis ou facilidades como há agora».

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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