Papa contra palavras «vazias», convida a «beber» da Bíblia
O Papa alertou para as palavras «vazias» que preenchem o quotidiano contemporâneo, contrapondo-as à riqueza da Bíblia, que definiu como um «diálogo» vivo entre Deus e a Humanidade.
«Vivemos rodeados de tantas palavras, mas quantas delas são vazias! Por vezes, ouvimos até palavras sábias que, no entanto, não tocam o nosso destino final. A Palavra de Deus, pelo contrário, sacia a nossa sede de sentido, de verdade sobre as nossas vidas», declarou durante a Audiência Pública semanal das quartas-feiras.
Perante milhares de pessoas reunidas no Auditório Paulo VI, o Papa sublinhou que a Sagrada Escritura é a «única Palavra que é sempre nova» e «inesgotável», lamentando que muitas vezes seja substituída por ruído.
Na Catequese, dedicada à ligação entre a Palavra de Deus e a Igreja, Leão XIV prosseguiu o ciclo de reflexões sobre a constituição dogmática Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, para afirmar que a Bíblia não é um livro isolado, mas tem o seu «habitat» na comunidade cristã.
«A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida», assinalou, citando o documento conciliar.
O Papa recuperou a célebre expressão de São Jerónimo – “A ignorância da Escritura é a ignorância de Cristo” – para explicar que ler a Bíblia não é um acto académico, mas uma forma de entrar em «conversa» com Deus.
«Isto acontece quando lemos a Bíblia numa atitude interior de oração: então Deus vem ao nosso encontro e entra em diálogo connosco», precisou.
O Pontífice evocou ainda o magistério de Bento XVI e a exortação Verbum Domini, publicada em 2010, após o Sínodo sobre a Palavra de Deus, reforçando que a interpretação da Bíblia «só pode ser feita na fé eclesial».
«O que a Igreja ardentemente deseja é que a Palavra de Deus chegue a cada membro e alimente a sua caminhada de fé», disse o Papa, dirigindo-se de forma particular aos bispos, sacerdotes e catequistas, para que tenham «amor» e «familiaridade» com o texto bíblico.
No final do encontro, Leão XIV deixou uma saudação aos peregrinos de língua portuguesa.
«A leitura orante da Palavra de Deus, que é sempre um alimento extraordinário, torna-se nos momentos de fraqueza também um remédio revigorante. A partir da liturgia diária, proposta pela Igreja, convido-vos a intensificar o diálogo amigo com o Pai, haurindo dele luz e conforto. Que o Senhor vos abençoe, a vós e às vossas famílias», declarou.
A Audiência Geral começou com uma homenagem à Virgem Maria, assinalando o Dia Mundial do Doente (11 de Fevereiro), na memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes.
Agência ECCLESIA

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