Papa propõe Eucaristia como «antídoto» para divisões do mundo
O Papa alertou, no Vaticano, para os conflitos que afectam a sociedade, tendo pedido que as comunidades católicas vivam a Eucaristia como motor de unidade.
«A Eucaristia ensina-nos a adoptar o estilo de vida do próprio Senhor Jesus, marcado pela doação gratuita de si. Esta doação faz-nos entrar na dinâmica da unidade, que oferece um poderoso antídoto contra os fermentos de divisão que minam o nosso mundo, as nossas comunidades, as nossas famílias, o nosso coração», sustentou Leão XIV, durante a Audiência Pública semanal das quartas-feiras, que decorreu na Praça de São Pedro.
Na intervenção, o Santo Padre convidou a promover «a concórdia e a caridade» nas famílias e comunidades, «muitas vezes marcadas por conflitos e divisões».
Falando aos milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o Pontífice sublinhou que a participação na Missa exige uma escuta atenta dos textos bíblicos.
«Não se trata apenas de adquirir um conhecimento intelectual das Escrituras, mas de receber a Palavra viva e eficaz», precisou.
A reflexão pública deu continuidade ao ciclo de catequeses dedicado aos documentos promulgados pelo Concílio Vaticano II (1962-1965), incidindo sobre a constituição Sacrosanctum Concilium, que promoveu a reforma litúrgica.
No final da audiência geral, Leão XIV deixou uma mensagem aos peregrinos lusófonos.
«Queridos irmãos e irmãs, gostaria de aconselhar a todos que não descuideis a preparação para a Missa: interiormente, através da confissão frequente; e, à nossa volta, silenciando os ruídos que nos impedem de ouvir a Palavra de Deus», declarou.
O Papa assinalou ainda a solenidade litúrgica do nascimento de São João Baptista, convidando os presentes a redescobrirem a sua «vocação baptismal».
«Acolhemos com alegria o seu convite à conversão a Cristo, que ele reconheceu como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Seguindo o seu exemplo, preparemos também os caminhos do Senhor para que o mundo acredite em Cristo Redentor», referiu.
DOENÇA: MENSAGEM PELOS QUE SOFREM
O Papa apelou a uma acção centrada nas pessoas que sofrem no campo da saúde, em mensagem enviada à Conferência de Saúde da Cáritas Internacional, que decorreu em Itália.
Na missiva, Leão XIV determina que “a salvação não é uma ideia abstracta, mas começa com a acção concreta de curar as feridas de quem sofre”.
O texto, transmitido através do secretário de Estado do Vaticano, cardeal D. Pietro Parolin, sublinha a necessidade de “levar a compaixão e a bondade de Deus aos que mais necessitam”, acrescentando: “Ao restituir a saúde, Jesus revela a dignidade inerente dos doentes e aponta assim para a nossa salvação eterna”.
A conferência internacional, que ontem terminou em Castel Gandolfo, reuniu delegações de 25 países com o objectivo de estruturar “uma abordagem holística” de socorro clínico, mental e espiritual.
“O alarmante declínio no acesso aos serviços de saúde está a alimentar o sofrimento”, alertaram os participantes durante os fóruns de trabalho.
O chefe de gabinete do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral aproveitou a ocasião para denunciar que o “isolamento social afecta uma em cada seis pessoas” no mundo.
“A competência profissional é indispensável, mas não é suficiente”, frisou o padre Avelino Chico, desafiando as instituições a formarem os seus quadros “na humanidade e na compaixão”.
Os especialistas presentes vincaram também que as rotinas de assistência em zonas de guerra precisam de protocolos estruturados para cuidar de “quem cuida”, evitando a exaustão das equipas.
A organização católica notou que a eficácia médica “está a tornar-se uma das questões determinantes na política internacional”, prometendo lançar um roteiro de acção no final do encontro.
O programa englobou ainda debates sobre a ética da inteligência artificial, as crises do Ébola e o impacto do endividamento público no tratamento das franjas precarizadas.
In ECCLESIA

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