Inter-religiosidade, Paz e combate à Corrupção
O Papa Leão XIV está em África desde segunda-feira, 13 de Abril, com o objectivo de visitar quatro países: Argélia (13 a 15 de Abril), Camarões (15 a 17), Angola (18 a 21) e Guiné Equatorial (21 a 23).
Na Argélia, o Santo Padre apelou à promoção da fraternidade entre cristãos e muçulmanos, durante um encontro com a comunidade católica na Basílica de Nossa Senhora de África, na capital argelina, Argel.
«Num mundo onde as divisões e as guerras semeiam dor e morte entre as nações, nas comunidades e até mesmo nas famílias, o vosso viver unidos e em paz é um grande sinal. Unidos, difundis a fraternidade», notou Leão XIV, ao encerrar o primeiro dia da sua viagem apostólica.
O Pontífice apresentou o templo mariano como um espaço agregador, onde a diversidade dá lugar à coexistência pacífica: «Esta mesma basílica é símbolo de uma Igreja de pedras vivas na qual, sob o manto de Nossa Senhora de África, se constrói a comunhão entre cristãos e muçulmanos. Aqui, o amor materno de Lalla Meryem [Nossa Senhora] acolhe todos como filhos, cada um rico na sua diversidade, unidos pela mesma aspiração à dignidade, ao amor, à justiça e à paz».
Leão XIV é o primeiro Papa a visitar a Argélia, tendo estruturado a sua intervenção em torno de três pilares: oração, caridade e unidade. «A oração une e humaniza, fortalece e purifica o coração, e a Igreja na Argélia, graças à oração, semeia humanidade, unidade, força e pureza à sua volta, alcançando lugares e contextos que só o Senhor conhece», indicou o Pontífice aos representantes da comunidade católica, que representa 0,002 por cento da população do País.
Ao abordar a dimensão da caridade, o Papa evocou o testemunho dos dezanove mártires da Argélia, assassinados durante a guerra civil na década de 1990, destacando a sua decisão de não abandonar os mais frágeis. «Foi precisamente o amor pelos irmãos que animou o testemunho dos mártires que recordamos. Perante o ódio e a violência, permaneceram fiéis à caridade até ao sacrifício da vida, juntamente com tantos outros homens e mulheres, cristãos e muçulmanos», disse.
SEGUNDA ETAPA: IAUNDÉ
Depois da Argélia, a visita papal prosseguiu para os Camarões. Na capital, Iaundé, Leão XIV apelou ao fim da violência nas regiões que se encontram em conflito no País, e lançou um alerta contra a corrupção. «As tensões e a violência que afectaram algumas regiões do Noroeste, do Sudoeste e do Extremo Norte causaram grandes sofrimentos: vidas perdidas, famílias deslocadas, crianças privadas da escola, jovens que não vislumbram um futuro. Por trás das estatísticas, há rostos, histórias e esperanças feridas», lamentou.
O primeiro discurso do Santo Padre nos Camarões, perante autoridades políticas, representantes da sociedade civil e o corpo diplomático, decorreu no Palácio Presidencial, após um encontro privado com o chefe de Estado, Paul Biya. Aos presentes dirigiu as seguintes palavras: «Para que a paz e a justiça se afirmem, é necessário quebrar as correntes da corrupção, que desfiguram a autoridade, esvaziando-a de legitimidade. É necessário libertar o coração daquela sede de lucro que é idolatria».
O Presidente Paul Biya está no poder desde 1982. Em 2025, foi reeleito para um oitavo mandato. Leão XIV sustentou que governar significa «ouvir realmente os cidadãos» e valorizou o papel da sociedade civil, desde as organizações juvenis até aos líderes tradicionais, na procura de pacificação social.
«Gostaria de sublinhar com gratidão o papel das mulheres. Muitas vezes, infelizmente, elas são as primeiras vítimas de preconceitos e violências, e, no entanto, continuam a ser incansáveis artífices da paz», acrescentou.
Durante a intervenção, o Papa destacou ainda a variedade de territórios, culturas, línguas e tradições que compõem os Camarões. «Esta variedade não é uma fragilidade: é um tesouro. Constitui uma promessa de fraternidade e um sólido fundamento para a construção de uma paz duradoura», concluiu.
Amanhã, 18 de Abril, Leão XIV aterra em Angola, sendo recebido pelo Presidente da República, João Lourenço, em Luanda. Do programa constam visitas ao Santuário da Muxima e a Saurimo, capital da Província da Lunda Sul. Para que a deslocação a Angola seja um sucesso estão envolvidas as autoridades nacionais e provinciais, que contam com a ajuda de grupos de escuteiros e de inúmeros voluntários.
A deslocação do Papa a África termina na Guiné Equatorial, onde Leão XIV irá estar entre os dias 21 e 23 de Abril (ver artigo publicado na página 12 desta edição).
In ECCLESIA – texto editado

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