O Amor Humano e Divino de Jesus

5º DOMINGO DA QUARESMA – Ano A – 22 de Março

O Amor Humano e Divino de Jesus

A humanidade de Jesus transparece claramente no Evangelho de hoje. Perante a morte de Lázaro, Jesus fica profundamente comovido pela dor que O rodeia. O Evangelho diz que Ele «ficou profundamente angustiado e perturbado» e, por fim, «chorou». A palavra grega para profundamente angustiado, “Embrimaomai”, sugere uma forte perturbação emocional, até mesmo indignação ou raiva. Poderia ser traduzida como «Ele bufou no espírito», indicando uma resposta involuntária e visceral vinda do mais profundo da Sua alma.

Alguns comentadores sugerem que a raiva de Jesus não se dirigia às pessoas que choravam, mas à própria realidade da morte, causada pelo pecado. Como Deus, Jesus sabia que a morte nunca fez parte do plano original do Pai para a Humanidade. De uma perspectiva divina, Ele via a morte como uma consequência do pecado. Deste ponto de vista, a morte provocava uma justa indignação e perturbava profundamente o Seu coração humano.

À medida que a passagem prossegue, a humanidade de Jesus é poderosamente retratada no versículo mais curto da Bíblia: «E Jesus chorou». Por que chorou? São Paulo recorda-nos, em Hebreus: «Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, em tudo, foi igualmente provado, mas sem pecado» (Hebreus 4, 15). As lágrimas de Jesus mostram-nos que a Santíssima Trindade conhece a dor humana em primeira mão. O Filho Encarnado permitiu-Se experimentar a dor, e o Pai e o Espírito Santo partilharam dessa dor através Dele.

É importante notar que a dor de Jesus era diferente do choro das irmãs de Lázaro e dos outros presentes. O choro de Jesus utiliza a palavra grega “Edakrysen”, que significa «derramar lágrimas» ou «chorar silenciosamente». As Suas lágrimas eram pessoais, controladas, íntimas, sinceras e cheias de compaixão divina. Em contraste, o choro dos outros é descrito pela palavra grega “Klaió”, que significa lamento alto, uma expressão típica de luto comunitário e ritualístico da época. A dor de Jesus não era nem ritualística nem excessiva; era íntima e sincera, nascida da tristeza pessoal e da compaixão divina.

Nunca devemos esquecer a profunda compaixão, empatia e tristeza de Jesus. O seu coração humano sente as mesmas emoções que nós – Ele sofre quando sofremos, partilha da nossa dor e é comovido pelo domínio que o pecado exerce sobre nós. Depois de sentir estas emoções perante a morte de Lázaro, Jesus ficou do lado de fora do túmulo e «clamou em alta voz: “Lázaro, sai!”» (João 11, 43). Podemos imaginar a paixão por detrás da Sua ordem. Nas nossas vidas, quando estamos presos no pecado ou sobrecarregados pela fraqueza humana, devemos ouvir Jesus a chamar-nos para a liberdade com a mesma autoridade divina e paixão humana.

Reflictamos hoje sobre a humanidade de Jesus e como Ele compreende perfeitamente tudo o que vivemos. A Sua profunda empatia pelo nosso sofrimento e a Sua alegria quando ressuscitamos com a Sua graça, mostram-nos o quanto Ele nos conhece intimamente. Deus tornou-Se um de nós em todos os sentidos, partilhando a nossa condição humana – embora sem pecado – para que pudéssemos partilhar da Sua divindade. Meditemos na Sua humanidade e deixemos que a Sua proximidade o atraia para Ele, dando-lhe uma participação na Sua vida divina.

Pe. Leonard Dollentas

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