Seguindo o Caminho do Bom Pastor

4.º DOMINGO DE PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR – Ano A – 26 de Abril

Seguindo o Caminho do Bom Pastor

O 4.º Domingo de Páscoa é o Domingo do Bom Pastor. É por isso que as leituras de hoje giram em torno da verdade da fé de que Cristo é o nosso Pastor e nós, que fazemos parte da sua Igreja, somos o seu rebanho, chamado a participar na sua admirável vitória sobre o pecado e a morte. Ele é também a porta da salvação e do pasto eterno, de tal forma que: «Quem entrar por mim será salvo, entrará e sairá e encontrará pastagem».

SEREMOS BONS PASTORES?

Somos bons pastores? Quem é o bom pastor? “Aquele que entra pela porta” da fidelidade à Doutrina da Igreja e não age como o mercenário “que, vendo chegar o lobo, abandona as ovelhas e foge”; como que “o lobo que as arrebata e as dispersa” (São Josemaría Escrivá, “É Cristo que Passa” n.º 34).

Se temos de ser bons pastores, devemos conduzi-las a Cristo, à salvação e à vida eterna, e só o poderemos fazer quando entrarmos pela porta que é Cristo. O que significa entrar pela porta que é Cristo? Significa entrar pela porta do Seu aprisco (a Verdadeira Igreja) para O conhecer, amar e identificar-nos com Ele, e amar a Sua vida.

Temos esta relação íntima com Cristo ao lidarmos frequentemente com Ele na oração, nos sacramentos, na meditação do Evangelho? Conhecemos a doutrina de Cristo tal como é ensinada pela Sua Única e Verdadeira Igreja? Pois não podemos dar o que não temos. Se precisamos de ser bons pastores segundo o exemplo de Cristo, precisamos de conhecer a Sua vida e esforçar-nos por imitá-Lo. Assim, poderíamos alimentar os outros não com os nossos critérios, mas com os critérios, as virtudes e o bom exemplo de Cristo.

Cristo, como Bom Pastor, tem estas características: Ele dá a vida pelas suas ovelhas (doação total de si mesmo); chama-as pelo nome (conhecimento íntimo e união com o seu rebanho); preocupa-se não só com as suas ovelhas, mas também com aquelas que não pertencem ao seu rebanho (preocupação sincera e ao serviço da unidade entre todas as pessoas).

ENTREGA TOTAL: A entrega total não deve ser feita apenas uma vez; devemos comprometer-nos a demonstrá-la dia-após-dia, tal como Cristo faz na Sagrada Eucaristia. Os pais sacrificam frequentemente o seu sono para cuidar dos seus bebés, especialmente durante os primeiros anos da parentalidade. Muitas mães passam noites sem dormir, tendo de acordar várias vezes para alimentar ou confortar os seus bebés, o que leva a uma significativa privação de sono. Este sacrifício é uma entrega total dos pais, em que as exigências emocionais e físicas de criar um filho podem ofuscar as necessidades pessoais.

CONHECIMENTO: Conheço as minhas ovelhas. Mas não há verdadeiro conhecimento sem amor, sem uma relação interior e uma aceitação profunda do outro. Não basta saber os nomes. É preciso conhecer o coração para poder ajudar o outro. Um pai tem um filho no último ano da Universidade. Perto da formatura, o filho abre-lhe o coração: não havia sido aprovado em qualquer disciplina. O pai fica triste, mas, após a decepção inicial e óbvia, não abandona o filho; compreende totalmente a sua situação e promete dar-lhe outra oportunidade se o filho se empenhar nos estudos. Isto lembra-nos o pai do filho pródigo, que nunca nos abandona, apesar de todas as nossas falhas.

PREOCUPAÇÃO SINCERA E SERVIÇO A TODOS: Sabendo que Jesus veio para nos salvar a todos: não apenas aos justos, mas sobretudo aos pecadores; não apenas aos judeus, mas também aos gentios, tal pode traduzir-se em pedir a Deus que nos conceda um coração imenso e misericordioso, capaz de perdoar, onde todos possam caber, não só a nossa família e os nossos entes queridos, mas também aqueles que não conhecemos e até mesmo aqueles que estão contra nós ou que nos causaram mal, ou aqueles que não pertencem à fé católica.

Houve um padre que conheceu um jovem de Macau que estudava numa Universidade portuguesa e que queria aprender Português mais rapidamente. O padre apresentou o jovem a um leigo católico da sua paróquia. O leigo ajudou-o muito na prática da língua. Com o contacto frequente e a amizade que se criou, o jovem interessou-se pela fé católica. Alguns anos mais tarde, o jovem recebeu de Deus a graça da conversão e da vocação. Tudo começou com este zelo apostólico do padre ao apresentar o jovem a um leigo católico.

SOMOS BOAS OVELHAS?

Por isso, somos chamados a ser boas ovelhas. Como? Através da docilidade e da obediência ao Bom Pastor: os ensinamentos de Cristo e da sua Igreja, e todos os mandamentos virtuosos dos instrumentos fiéis que Deus nos deu para nos guiarem para o seu pasto eterno.

Que nos lembremos sempre desta grande tarefa e responsabilidade que Nosso Senhor colocou sobre os nossos ombros: conduzir as pessoas à nossa volta ao céu, sendo bons pastores para os outros e boas ovelhas ao mesmo tempo, através das nossas orações, sacrifícios, bons conselhos e exemplo, bem como de uma vida cristã coerente e do apostolado da amizade. Pois, no final, a nossa vida será um fracasso se não alcançarmos a meta celestial que Nosso Senhor conquistou para nós e para a qual Ele deseja conduzir-nos através da Sua Igreja e dos Seus instrumentos.

Que possamos sempre apoiar e rezar por toda a santidade, fidelidade e zelo apostólico de todos os sacerdotes e vocações da Igreja.

Pe. Leonard Dollentas

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