Enviados pelo Espírito, Nascidos da Fé

2.º DOMINGO DE PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR – Ano A – 12 de Abril

Enviados pelo Espírito, Nascidos da Fé

1. AMAR SEM VER

Na Segunda Leitura deste Domingo, o apóstolo Pedro, testemunha da ressurreição de Cristo, recorda-nos: «Embora não o tenham visto, amam-no; e, embora agora não o vejam, acreditam nele» (1 Pd., 1, 8).

Durante a Missa, perguntei às crianças: «– Vós amais Jesus?». Com alegria e convicção, todas responderam em voz alta: «– Sim!». Então, fiz outra pergunta: «– Alguma vez O viram?». Algumas responderam: «– Não!».

Então, perguntei novamente: «– Se nunca O viram, como podem dizer que O amam?». Um menino, com cerca de dez anos, respondeu com uma simplicidade impressionante: «– Eu conheço-O. Mesmo que não O tenha visto, sinto-O no meu coração». As suas palavras expressaram o que muitas das outras crianças certamente sentiam, embora não conseguissem encontrar as palavras para o dizer. A sua fé, tal como as palavras de Pedro, lembra-nos que o amor a Cristo não se baseia na visão, mas na presença viva que experimentamos no nosso coração.

2. DO MEDO À MISSÃO

A Igreja assenta no pilar dos Apóstolos, a quem o Senhor Ressuscitado enviou, cheios do poder do Espírito, para darem testemunho do Seu amor sem limites. Foi-lhes confiado um dom único: a experiência em primeira mão do acontecimento que mudou para sempre a História da Humanidade – a ressurreição de Jesus Cristo.

Transformados pelo Seu amor, que penetrou nas profundezas das suas almas, encontraram novamente o mesmo Jesus que tinham conhecido e amado. Era Ele quem tinham abandonado com medo quando foi preso e conduzido a uma morte vergonhosa e ignominiosa. No entanto, na tarde do primeiro dia da semana – três dias após a Sua Paixão – Ele veio ter com eles.

Ele tinha predito que ressuscitaria ao terceiro dia. Mas, como muitas vezes acontece também connosco, eles não prestaram muita atenção a palavras que pareciam estar além da sua compreensão. Só quando Ele se apresentou no meio deles, vivo e glorioso, é que compreenderam a verdade da Sua promessa.

Este grupo de homens amedrontados, fechados em si mesmos pelo terror e isolados do mundo, regozijou-se quando Aquele a quem tinham seguido durante quase três anos lhes mostrou as marcas dos cravos e a ferida no Seu lado. Sim, era verdadeiramente Ele – o mesmo Senhor que os tinha «amado até ao fim» (Jo., 13, 1), Aquele que tinha dado a Sua vida pelos Seus amigos (cf. Jo., 15, 13).

Estas feridas testemunhavam: Ele é o mesmo Jesus que sofreu, mas que venceu a morte e agora vive. E então Ele deu-lhes o dom supremo: soprou sobre eles o Espírito Santo, tal como Deus outrora soprou vida em Adão (cf. Gn., 2, 7). Naquele momento, eles renasceram como «filhos de Deus» (Jo., 1, 12). Este era o Espírito que Ele tinha prometido à mulher samaritana (cf. Jo., 4, 10), e o Espírito que Ele tinha dito a Nicodemos que permitiria aos que acreditam nascer de novo (cf. Jo., 3, 5).

Aqui reside o grande paradoxo: os mesmos homens que se tinham fechado por medo do mundo são agora enviados para esse mesmo mundo. O Espírito transforma o seu terror em coragem, o seu isolamento em missão. Jesus declara: «Como o Pai me enviou, assim eu vos envio».

3. O CORAÇÃO DA FÉ

Tomé, porém, não estava com eles naquela noite. O seu anseio não era apenas ver o Senhor, mas tocar nas Suas chagas, colocar a mão no lado perfurado. E Jesus, na Sua misericórdia, concedeu a Tomé este desejo uma semana depois. Nesse encontro, Tomé tornou-se o primeiro apóstolo do Sagrado Coração de Jesus. Tendo tocado a profundidade do Seu amor, fez a profissão de fé que coroa o Evangelho de João: «Meu Senhor e meu Deus» (Jo., 20, 28).

Jesus tinha sido acusado de blasfémia porque, segundo os Seus detractores, «só Deus pode perdoar pecados» (Mc., 2, 7). No entanto, Tomé confessou a Sua divindade, e Jesus conferiu aos Seus discípulos o poder que Ele conquistara na cruz: «Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados; a quem os retiverdes, eles serão retidos» (Jo., 20, 23). Confia-lhes o “ministério da reconciliação” (cf. 2 Cor., 5, 18), para curar, restaurar, reunir aqueles que renascem num novo povo, dotados do dom da fé, «mais precioso do que o ouro, que, embora perecível, é provado pelo fogo» (1 Pe., 1, 7).

Sim, aquele menino na Missa tinha experimentado o mesmo Senhor Ressuscitado de quem os apóstolos deram testemunho. Embora não O tivesse visto, ama-O. No Baptismo, renasceu em Cristo pelo Espírito “para uma esperança viva (…) para uma herança que é imperecível, imaculada e imarcescível” (cf. 1 Pd., 1, 3-4).

Nós também provámos a profundidade do amor que brota do Sagrado Coração de Jesus. Alegremo-nos e acolhamos o Espírito. Somos enviados para o próprio mundo onde o medo, as guerras e a divisão permanecem, para dar testemunho da compaixão do Seu Coração. Fortalecidos pelo Espírito, participamos no ministério da reconciliação, curando feridas, restaurando a esperança e reunindo os filhos de Deus no abraço da compaixão de Cristo.

Pe. Eduardo Emilio Agüero, SCJ

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