Vencer o pecado e a tentação durante a Quaresma – Oração, Jejum e Esmola
Na quarta-feira iniciámos o tempo da Quaresma – a nossa preparação para a celebração da Páscoa, a ressurreição de Jesus. É um tempo em que imitamos os quarenta dias de Jesus no deserto. Jesus jejuou no deserto e venceu as tentações do diabo. Jesus nunca pecou, mas no deserto foi tentado. Durante estes quarenta dias da Quaresma recordamos Jesus no deserto enquanto tentamos vencer a tentação nas nossas vidas e vencer o pecado.
A Quaresma é um tempo para colocar as nossas almas diante de um espelho e vermo-nos como realmente somos. A Quaresma é um convite para permitir que o nosso pecado, a nossa escuridão e as nossas feridas venham à superfície, para que possamos lidar com elas e permitir que sejam curadas pela graça de Jesus. Durante estes quarenta dias da Quaresma não nos escondemos da nossa pecaminosidade, nem impedimos Deus de nos falar ou de nos curar. Só quando admitimos algo é que podemos lidar com isso.
A primeira etapa para superar qualquer coisa é admitir o problema. Se permanecermos em negação, perdemos a graça de Deus para nos curar, renovar e nos tornarmos inteiros. Durante a Quaresma dizemos “não” às tentações do diabo para continuar a cometer pecado e, em vez disso, confiamos no nosso Pai celestial, como Jesus no deserto. As palavras de Jesus podem ser as nossas palavras: «O homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mateus 4, 4).
Desde os primeiros séculos, a Igreja sugere que façamos três acções na Quaresma: Oração, Jejum e Esmola. É por esta razão que o texto do Evangelho para a Quarta-feira de Cinzas, todos os anos, é o conselho de Jesus sobre a oração, o jejum e a esmola (cf. Mateus 6, 1-6, 16-18). Durante a Quaresma, queremos orar mais, jejuar e ajudar os pobres.
A Quaresma é um tempo para rezar mais. Vivemos vidas ocupadas e há muita ênfase em aproveitar a vida, mas uma vida sem oração é uma vida sem a alegria da presença de Deus. Se não rezarmos, não somos cristãos em todo o nosso potencial; estamos apenas a caminhar, quando poderíamos estar a voar. Marta estava ocupada a servir quando Jesus chegou, mas Maria passou tempo com ele e Jesus disse: «Marta, Marta, estás ansiosa e preocupada com muitas coisas. Só uma coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, e isso não lhe será tirado» (cf. Lucas 10, 41-42). A Quaresma não é apenas ajudar os outros, fazer algo, mas é também o tipo de pessoa que somos.
Rezamos porque, ao fazê-lo, tocamos Deus. Deus é o nosso Pai amoroso que deseja muito que O deixemos aproximar-se de nós. Por isso, rezemos mais nesta Quaresma, para experimentar ainda mais a alegria de conhecer Deus, nosso Pai.
O jejum é uma penitência que a Igreja nos encoraja a fazer durante a Quaresma. Do ponto de vista espiritual, o jejum simboliza a nossa dependência de Deus. Ele expressa que estamos realmente a tentar colocar Deus em primeiro lugar na nossa vida. A Bíblia diz-nos que o jejum de alimentos deve ser acompanhado pelo jejum da violência e pelo jejum da opressão das pessoas (cf. Isaías 58, 3-12). Por outras palavras, quando jejuamos de alimentos, tal deve ser acompanhado por uma atitude amorosa e indulgente para com os outros. Para jejuar de uma forma que seja genuinamente agradável a Deus, podemos também fazer um esforço para perdoar aqueles que nos magoaram e não guardar mais ressentimentos. Por que precisamos guardar rancor? É apenas porque gostamos de estar no controlo? Talvez para perdoar também precisemos de abandonar a nossa necessidade de dominar e controlar os outros. Se temos dificuldade em perdoar alguém, podemos partilhá-la com o Senhor e pedir a sua ajuda e graça para que possamos perdoar. Embora possamos não esquecer, certamente não queremos viver dominados por feridas do passado. Queremos viver no presente, livres do passado.
Para a esmola ou ajuda aos pobres, a Igreja facilita-nos a vida, dando-nos a oportunidade de contribuir para as instituições católicas de solidariedade. Ajudar os pobres durante a Quaresma traz à mente as palavras de Jesus: «Tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes» (Mt., 25, 45).
“Quaresma” é uma palavra antiga em Inglês que significa “Primavera”. Que esta Quaresma seja realmente uma nova Primavera na vida de cada um de nós. Por meio da oração e do jejum, acompanhado do perdão aos outros e da ausência de rancores, e através da doação da abundância dos nossos rendimentos ou do que poupámos com o jejum para ajudar os pobres, que possamos, tal como Jesus no deserto durante quarenta dias, vencer a tentação e estar assim bem preparados para celebrar a Páscoa.
Pe. Leonard Dollentas

Follow