Pedro, um líder formado com fé e atitude

19º DOMINGO COMUM – Ano A – 9 de Agosto

Pedro, um líder formado com fé e atitude

Depois da multiplicação dos pães, Jesus pede aos discípulos que entrem na barca e atravessem o lago, enquanto Ele se retira para rezar. Durante a noite, a barca é agitada pelo vento e pelas ondas. Jesus aproxima-se, caminhando sobre as águas, e tranquiliza-os: «Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!». Pedro tenta ir ao seu encontro, mas, assustado com o vento, começa a afundar.
Todos conhecemos momentos em que a vida se parece com um mar agitado, em que nos sentimos numa barca frágil, lutando contra os ventos contrários e sem saber como chegar à outra margem. O Evangelho mostra-nos que Jesus não abandona os seus discípulos no meio da tempestade. Enquanto eles lutavam contra as ondas, Ele estava no monte, em oração. Também hoje, Cristo intercede por nós. Mesmo quando não o reconhecemos, nem percebemos a sua acção, Ele aproxima-se e diz: «Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!».
Neste relato, Pedro destaca-se entre os apóstolos. Ele não fica apenas a observar Jesus de longe, quer aproximar-se e tem a coragem de sair da barca ao encontro de Jesus. A sua atitude revela iniciativa, coragem e confiança, ensinando-nos que a fé exige passos concretos e que a liderança cristã nasce da confiança e do serviço. Um verdadeiro líder não é aquele que nunca sente medo, mas aquele que se coloca a caminho e procura conduzir os outros para Cristo.
Contudo, o Evangelho também mostra a fragilidade de Pedro: enquanto olha para Jesus, caminha sobre as águas; quando fixa o olhar no vento e nas ondas, sente medo e começa a afundar. A tempestade já estava presente; o que mudou foi o foco do seu olhar. A fé não elimina as dificuldades, mas impede que elas ocupem o lugar de Jesus.
Esta é uma lição para todos os que exercem responsabilidades na família, na Igreja, na sociedade ou no trabalho. Ninguém lidera apenas com a própria força. Quem serve os outros precisa permanecer unido a Jesus, porque, sem Ele, até as melhores intenções podem afundar. Muitas vezes iniciamos uma missão ou um novo desafio olhando para Cristo e encontrando força para perseverar. Porém, quando surgem problemas, críticas e notícias negativas, desviamos o olhar do Senhor e começamos a afundar-nos.
Nessa altura, devemos ter a humildade de Pedro. Ao perceber que está a afundar, ele faz uma oração breve, mas cheia de verdade: «Senhor, salva-me!». Não esconde a sua fraqueza; reconhece o perigo e clama por Jesus. E o Evangelho diz que Cristo estende imediatamente a mão e segura-o. Jesus não humilha Pedro por ter falhado; primeiro salva-o e depois ajuda-o a compreender a sua pouca fé.
Jesus também está pronto para nos socorrer. Talvez nem sempre nos livre imediatamente das dificuldades, mas sustenta-nos, ilumina-nos e dá-nos força para atravessar as tempestades. A Sua mão pode manifestar-se numa pessoa que nos ajuda, numa palavra da Escritura, numa comunidade que nos acolhe ou simplesmente numa paz interior que humanamente não conseguimos explicar. Por isso, nunca confundamos o silêncio ou a espera de Deus com abandono, pois mesmo quando não O vemos, Ele permanece próximo e continua a agir.
Esta certeza deve também transformar a nossa maneira de tratar os outros. Muitas vezes, julgamos e apontamos rapidamente os erros, mas demoramos a oferecer apoio imediato. A vida cristã convida-nos a ser presença misericordiosa junto de quem está a sofrer ou a perder a esperança. No lar, no trabalho, na comunidade e em todos os lugares onde estivermos, somos chamados a estender a mão, a escutar sem julgar e a ajudar com caridade. Uma palavra serena, uma escuta atenta ou um gesto concreto de solidariedade pode tornar visível, no meio das tempestades da vida, a mão salvadora de Jesus.
Santo Agostinho escreveu: “Inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em Vós”. Esta inquietação revela que nenhum sucesso, segurança ou aprovação humana consegue preencher completamente o coração. A tempestade exterior pode ser intensa, mas também precisamos reconhecer as tempestades interiores: a ansiedade, a culpa, a necessidade de controlar tudo e o medo do futuro. A oração conduz-nos novamente ao centro: não somos salvos pela nossa força, mas pela graça de Cristo. Como ensina Santa Teresa de Ávila: “Nada te perturbe, nada te espante; tudo passa, Deus não muda”.
Peçamos, portanto, a graça de uma fé semelhante à de Pedro: uma fé capaz de sair da barca, de dar passos corajosos e de assumir responsabilidades; mas também uma fé humilde, capaz de reconhecer a própria fraqueza e clamar: “Senhor, salva-me!”. Quando os nossos olhos estiverem fixos em Jesus, não significa que deixaremos de ver os problemas, mas que não permitiremos que eles sejam maiores do que a nossa confiança em Deus. E, quando começarmos a afundar, recordemos: Jesus está sempre próximo, estende imediatamente a sua mão e não abandona aqueles que n’Ele confiam.
Que este Evangelho nos ajude a reconhecer quais são as águas que nos assustam, quais os ventos que nos fazem perder a esperança e onde precisamos de voltar a fixar o olhar em Cristo. Permaneçamos na barca da fé, unidos à comunidade, sustentando-nos uns aos outros e confiando na presença do Senhor. Então, depois de atravessarmos as tempestades da vida, também nós poderemos proclamar, com o coração renovado e juntamente com toda a Igreja: “Tu és verdadeiramente o Filho de Deus!”.

Padre Daniel Ribeiro, SCJ

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