A Vontade de Deus, a Prioridade Suprema!

17º DOMINGO COMUM – Ano A – 26 de Julho

A Vontade de Deus, a Prioridade Suprema!

Um bom mestre que deseja ensinar aos seus alunos coisas sobre as quais eles sabem pouco, ou nada, recorre sempre a exemplos do mundo que os rodeia para explicar o seu ensinamento. Foi isso que Jesus, o Bom Mestre, fez nas últimas duas semanas com as parábolas do semeador que sai a semear, do joio que cresce entre o trigo, do grão de mostarda e da mulher que coze pão. Ele fala-nos do Reino dos Céus, que é a vontade de Deus através destas parábolas, ou melhor, das coisas que nos rodeiam.

Na leitura do Evangelho de hoje (Mateus 13, 44–52), Jesus continua a recorrer às parábolas para nos dar uma visão do Reino dos Céus, especialmente para que a vontade de Deus seja a nossa maior prioridade. Ele ilustra este ensinamento com as parábolas do tesouro enterrado no campo, da pérola de grande valor e da rede lançada ao mar que traz uma captura de todo o tipo de peixes. Gostaria de me concentrar nas parábolas do tesouro enterrado e da pérola de grande valor. A parábola da pesca por arrasto é idêntica à da erva daninha que cresce entre o trigo (cf. Mateus 13, 24–43), sobre a qual reflectimos no Domingo passado. Ambas nos alertam para não julgarmos os outros precipitadamente. É claro que o julgamento será feito, e os peixes bons e maus, o joio e o trigo, serão separados, mas não por nós e não agora.

Na parábola do tesouro enterrado num campo, um agricultor estava a cavar ou a arar e descobriu um tesouro, o que não era invulgar na época. Na Palestina antiga, não havia bancos, pelo que a única forma de proteger grandes quantias de dinheiro ou objectos de valor era enterrá-los. Além disso, lemos em Mateus 25, 25 sobre um servo que enterrou no solo o único talento que lhe tinha sido dado. A morte súbita, a guerra, a transferência de propriedade, etc., podiam fazer com que tais tesouros permanecessem escondidos durante séculos. Seja como for, presume-se que o actual proprietário do terreno desconheça a existência do tesouro escondido na sua terra. Enquanto realizava o trabalho diário, este agricultor descobre inesperadamente esse tesouro. Ele não o retira do solo de imediato, pois este pertenceria ao proprietário do campo. Tem de comprar o campo para poder beneficiar do tesouro. Consequentemente, vende tudo o que possui e compra o campo, bem como todos os direitos sobre tudo o que nele se encontra.

O facto de o agricultor ter encontrado o tesouro enquanto realizava o seu trabalho diário normal indica-nos que o Reino dos Céus pode ser encontrado nos acontecimentos normais das nossas vidas. Podemos encontrar o Reino dos Céus sendo um bom pai, uma boa mãe, um bom avô, uma boa avó, uma boa filha ou um bom filho, ou mesmo sendo um bom cidadão. Além disso, tal como o agricultor vendeu tudo para comprar o campo, o Reino dos Céus vale qualquer sacrifício para se alcançar. É também a resposta desejada ao apelo ao discipulado: «Então, puxaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram-no» (Lucas 5, 11).

Na parábola da pérola de grande valor, um comerciante faz de tudo para encontrar pérolas de qualidade. Treinou o seu olhar para saber avaliar o valor de uma pérola. Assim, quando encontra uma pérola de grande valor, vende tudo o que possui para a comprar. Existem outras pérolas, como mais dinheiro, roupa na moda, carros de luxo, tecnologia de ponta, a aquisição de formação, carreiras, desporto e política, o serviço aos outros e relações humanas, tais como apaixonar-se, casar e constituir família, entre outras. Mas existe apenas uma “pérola de grande valor”: a aceitação da vontade de Deus. É a submissão da nossa vontade aos Mandamentos de Deus, tal como expressos nas doutrinas da Igreja Católica. Traz paz aos nossos corações, alegria às nossas mentes e sentido às nossas vidas.

Se lermos lado-a-lado as parábolas do tesouro enterrado e da pérola de grande valor, veremos que o agricultor que encontra o tesouro enterrado é provavelmente um camponês que trabalha no campo de um rico proprietário de terras. Mas o comerciante de pérolas é possivelmente bastante rico. Assim, dizem-nos que o chamamento para nos tornarmos discípulos é para todos, sejam ricos ou pobres. Além disso, o lavrador encontrou o tesouro por acaso enquanto realizava o seu trabalho habitual. Mas o comerciante de pérolas estava à procura de pérolas de grande valor. Estas parábolas dizem-nos que o convite para nos tornarmos discípulos pode surgir de improviso, como por acaso, ou pode ser algo que temos procurado há muito tempo através da oração, do estudo, da leitura, das perguntas, etc.

Por fim, ambos os homens agiram com determinação e rapidez. Há sempre a tentação de adiar o apelo ao discipulado. Mas eles aproveitaram a oportunidade quando esta se apresentou. Abandonaram tudo para alcançar o que desejavam.

Queridos amigos, quando descobrirem o Reino dos Céus ou a vontade de Deus para vós, é preciso tomar uma decisão. É preciso agir de imediato e de todo o coração. Mas há um preço a pagar, que pode implicar abrir mão de todos os tesouros, pérolas ou modos de vida anteriores. Oremos para que o Senhor nos conceda a graça de dar prioridade à Sua vontade.

Pe. Leonard Dollentas

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *