A Palavra de Deus a manifestar o seu poder em nós

15º DOMINGO COMUM – Ano A – 12 de Julho

A Palavra de Deus a manifestar o seu poder em nós

No Evangelho de hoje, Jesus conta à multidão a parábola do semeador. Jesus estava claramente preocupado com a forma como as pessoas estavam a ser afectadas e com a forma como encaravam as Escrituras. Jesus mencionou pelo menos quatro situações, utilizando o destino da semente depois de o semeador a ter lançado. O crescimento da semente depende muito do local onde é semeada. Se cair no caminho, em solo rochoso ou entre os espinhos, ou não crescerá de todo, ou não atingirá o seu pleno crescimento nem o seu potencial.

Da mesma forma, a Palavra de Deus, se não for bem acolhida e vivida, não nos trará benefício.

As palavras podem ser subestimadas quanto à sua eficácia em comparação com as acções, mas são, no entanto, eficazes e úteis quando compreendidas e vividas. As palavras são compostas por letras que, quando unidas, transmitem ideias que associamos a experiências. Dependendo da forma como as compreendemos – com adequação e profundidade –, elas afectar-nos-ão e, talvez, mudarão as nossas vidas.

Quantas vezes já lemos algo, ouvimos discursos, escutámos uma homilia e ficámos tão comovidos que levámos essas palavras connosco? Ficamos sempre fascinados e comovidos por grandes palavras, citações memoráveis e provérbios sábios. Jesus era um especialista nisso. Ele usava parábolas e experiências humanas reais para transmitir as Suas mensagens. Mas quantas vezes, também, já as esquecemos e agimos como se nunca antes tivéssemos ouvido tais palavras de sabedoria e ensinamentos? Jesus tinha razão ao lembrar-nos de que nos transformamos num caminho, num terreno pedregoso ou num espinho, em vez de sermos um solo fértil para as Suas Palavras. As palavras de Jesus foram feitas para perdurar.

Não se destinavam apenas a uma situação específica nas nossas vidas ou à nossa conveniência. As Suas palavras foram feitas para serem vividas sempre. As Suas palavras devem ser o nosso modo de vida. Talvez possamos aprender com a forma como valorizamos e preservamos as coisas e as ideias nas nossas vidas. Hoje em dia, quando consideramos algo importante, como uma ideia, arquivamo-la, revemo-la e revivemo-la. Nas redes sociais, partilhamo-la sempre que é relevante ou quando nos sentimos novamente inspirados por ela. Não deixamos que seja esquecida ou perdida. Quando nos lembramos constantemente dela, a repetimos e a tornamos real nas nossas vidas, absorvemo-la e tornamo-la o nosso modo de vida. Quando isso acontece, a palavra, tal como uma semente em solo fértil, cresce e dá frutos.

Não devemos ser como alguns daqueles que publicam palavras bonitas, mas não as vivem. Podemos até duvidar se o seu objectivo era partilhar uma boa ideia para que os outros beneficiassem dela. Alguns, infelizmente, partilham palavras sábias apenas para serem elogiados e reconhecidos, o que não trará qualquer benefício. Na verdade, trata-se de um uso indevido, abusivo e desrespeitoso para com a Palavra de Deus.

A Palavra de Deus destina-se a guiar-nos nesta vida para que possamos caminhar em direcção ao Reino. Não é fácil compreendê-la, muito menos vivê-la. No entanto, precisamos de a ouvir, compreender, viver e partilhar, para que sejamos verdadeiramente dignos dela. Mais ainda, precisamos de permitir que os outros também dela beneficiem. Este último aspecto é a limitação do solo. A mensagem vai além da parábola.

Dar Fruto: Uma coisa é certa: a Palavra de Deus está sempre, para nós, disponível e acessível. Somos nós que temos de nos tornar receptivos à Palavra de Deus. Ser receptivo à Palavra de Deus é disponibilizar-se, pelo poder do Espírito Santo, para que a Palavra germine, amadureça e dê frutos, através de um estilo de vida cristão saudável; na oração e nas boas obras. A receptividade à Palavra de Deus é sempre acompanhada pela capacidade de produzir uma grande colheita, gerando frutos que perdurarão. Deus, nosso Criador, pede-nos fecundidade e produtividade, possibilitadas pelo Espírito Santo, que torne o poder da Palavra de Deus mais manifesto em nós e, através de nós, para todo o mundo. Este poder mantém-nos firmes na esperança, enquanto aguardamos a plena manifestação das promessas de Deus no fim dos tempos. De facto, nas palavras da Segunda Leitura (Romanos 8, 18–23), «a criação ainda mantém a esperança de ser libertada, tal como nós, da sua escravidão à decadência, para desfrutar da mesma liberdade e glória que os filhos de Deus». A Palavra de Deus não só nos torna fecundos, como também nos torna livres. Através do poder da Palavra de Deus, tornamo-nos livres para viver para Deus.

Que Deus nos torne receptivos à Sua Palavra pelo poder do Espírito Santo, pois, fora da Palavra de Deus, em nós não a temos. Pelo poder da Sua Palavra, que sejamos recriados, transformados e extremamente frutíferos para a maior glória do Seu Nome.

Pe. Leonard Dollentas

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