Jesus quis fundar uma Igreja (Mt., 9, 36–10, 8)

11º DOMINGO COMUM – Ano A – 14 de Junho

Jesus quis fundar uma Igreja (Mt., 9, 36–10, 8)

O Evangelho deste Domingo mostra um dos momentos mais importantes da missão de Jesus: Ele chama doze apóstolos para segui-Lo. Aqui podemos ver um sinal de continuidade e descontinuação no Judaísmo da época. Os judeus tinham como referência as doze tribos de Israel, formadas pelo próprio Deus como sinal da vontade divina de preparar um grupo para viver na terra prometida e ser fiel à revelação divina contida no Pentateuco. Por outro lado, Jesus escolhe doze apóstolos como sinal de descontinuidade: agora, na plenitude dos tempos, Ele escolhe doze discípulos para prepará-los a dar continuidade à Sua obra, o que se concretizaria com a fundação da Sua Igreja.

A escolha dos doze apóstolos não foi um gesto casual ou meramente simbólico. Jesus, consciente de Sua missão redentora e da necessidade de perpetuar a Sua obra após a Sua ascensão aos céus, seleccionou cuidadosamente estes homens para serem os alicerces da Sua Igreja. O evangelista Mateus relata este momento crucial: «Jesus, vendo as multidões, encheu-se de compaixão por elas, porque estavam cansadas e prostradas como ovelhas sem pastor. Então disse aos seus discípulos: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para a sua colheita”» (Mt., 9, 36-37).

Imediatamente após esta reflexão, Jesus chama os doze apóstolos e concede-lhes autoridade: «Jesus chamou os seus doze discípulos e lhes deu poder sobre os espíritos imundos, para expulsá-los e para curar toda espécie de doenças e de enfermidades» (Mt., 10, 1). Esta não é uma simples delegação de poderes temporários, mas uma transmissão de autoridade que marca o início de uma sucessão que perduraria ao longo dos séculos. O texto de Mateus 9, 36–10, 8 é particularmente revelador da intenção de Jesus de fundar uma Igreja estruturada e duradoura. Jesus não apenas escolhe os apóstolos, mas também os instrui explicitamente sobre a sua missão: «Ide, pois, e fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar tudo quanto vos mandei» (Mt., 28, 19-20). Esta comissão não é temporária; é uma missão que se estende até ao fim dos tempos.

Ainda em Mateus 10, Jesus confere aos apóstolos poderes específicos que caracterizam a autoridade eclesiástica: «Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. De graça recebestes, de graça dai» (Mt., 10, 8). Estes poderes não são meramente pessoais; são funções que devem ser transmitidas àqueles que os sucederão na liderança da comunidade de fé. Ainda mais explícito é o momento em que Jesus promete a Pedro: «Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus» (Mt., 16, 18-19). Esta passagem deixa absolutamente claro que Jesus não apenas desejava uma Igreja, mas também a fundava sobre a autoridade apostólica, particularmente sobre Pedro, como seu primeiro líder.

A Igreja Católica Apostólica Romana compreende-se como a continuação directa desta linhagem apostólica iniciada por Cristo. A sucessão apostólica – a transmissão contínua da autoridade desde os apóstolos até os bispos contemporâneos – é o fundamento teológico que garante a autenticidade e a legitimidade da Igreja Católica como a Igreja fundada por Jesus Cristo. Os apóstolos, particularmente Pedro em Roma, estabeleceram a sede do governo eclesiástico, e os seus sucessores, os Papas, continuam a exercer a mesma autoridade que Cristo conferiu a Pedro. Os bispos, sucessores dos apóstolos, mantêm a continuidade da missão apostólica por meio da consagração de novos bispos, garantindo que a autoridade e a graça sacramental transmitidas por Cristo permaneçam vivas na Igreja.

Assim, quando olhamos para a Igreja Católica Apostólica Romana contemporânea, vemos não uma instituição humana arbitrária, mas a continuação viva e orgânica da obra que Jesus iniciou ao chamar os doze apóstolos. A sucessão apostólica é o elo que une o Papa actual, Leão XIV, os bispos e toda a comunidade de fé aos apóstolos que caminharam com Jesus, receberam a sua autoridade e a transmitiram ao longo dos séculos como um sagrado Depósito de Fé. Esta continuidade ininterrupta, desde os tempos apostólicos até hoje, é o testemunho vivo de que a Igreja Católica não é uma criação humana, mas a realização histórica do plano divino de salvação que Jesus Cristo estabeleceu ao escolher os doze apóstolos para perpetuar a sua missão redentora no mundo.

Padre Daniel Ribeiro, SCJ

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