Deus chamou-me para ser um catequista e, mais ainda, chamou-me para ser um “pai” – Bryan Ung
Quando pequeno, frequentei a Catequese na minha paróquia, até receber o Sacramento do Crisma. Depois, fui catequista assistente do “Sunday School” na mesma paróquia durante vários anos. Quando terminei a faculdade, tornei-me professor de educação religiosa e trabalhei numa escola durante três anos. Nos tempos livres dava formação aos fiéis. Mais tarde, fui estudar para Espanha e Portugal. Em 2020, após a conclusão do Mestrado, regressei a Macau, onde encontrei um velho amigo na rua, que me fez algumas perguntas sobre Religião. Depois de conversarmos, disse que estava interessado em conhecer e ser parte da Igreja Católica. Isto fez-me pensar em ser catequista, para ajudar as pessoas a conhecerem Deus e a Igreja Católica. Comecei então a dar Catequese para adultos (o Catecumenato), a quem quisesse conhecer a Igreja. Hoje ainda o faço! Actualmente, trabalho na área da Educação e sinto que esta será a minha profissão para o resto da vida; é a minha identidade, é a minha vocação. Por isso, no meu tempo livre, ensino Catequese e partilho a minha experiência de fé.
O MEU CHAMAMENTO
O chamamento que Deus me deu é muito claro: ser “testemunha” d’Ele, em especial, tornando-me catequista. O meu modo de transmitir a fé não se limita a “falar de Jesus”; esforço-me, pois, por ser “outro Cristo, o próprio Cristo” (alter Christus, ipse Christus). O amor verdadeiro não fica apenas nas palavras, mas no coração e manifesta-se nas acções. Para mim, a forma de “evangelizar”, para além de falar, está mais no exemplo pessoal: cumprir com o meu dever no trabalho, na vida familiar, nas relações com os amigos e nas responsabilidades sociais. Isto, por si só, já é “evangelizar”. Dia-após-dia, acumulei algumas experiências com esta forma de “evangelizar” a fé na vida quotidiana, pelo que espero que mais pessoas possam descobrir a beleza que ela contém. Para tal, decidi tornar-me catequista e transmitir a minha fé.
Considero que o catequista transmite a mensagem através do seu “testemunho”. Neste sentido, ser “professor” e “catequista” é igual. O que o catequista transmite é precisamente o testemunho da sua própria fé, a relação que estabeleceu com Jesus, por meio das suas palavras e acções.
No entanto, nos últimos anos, a minha maior experiência diz que o Senhor, mais do que eu próprio, deseja que eu me transforme num “pai” – uma espécie de “pai” espiritual (padrinho). Entendo que a “paternidade” é de natureza pastoral, baseada na “função de evangelização”, ultrapassando as limitações da transmissão do conhecimento doutrinal e proporcionando uma oportunidade de conhecer mais profundamente os formandos.
Como “pai” espiritual consigo acompanhar os meus amigos no crescimento da fé, mas, mais do que isso, “participo” no crescimento dos alunos, participando com eles na Missa, na oração, fazendo desporto juntos, entre outras actividades, o que demonstra a importância do “acompanhamento” e da “amizade”. Mas mais importante ainda é permitir que os formandos observem a vida do catequista, pois a prática da fé não se limita à Missa de uma hora por semana, mas abrange as 168 horas que totalizam os sete dias de cada semana. E ainda mais importante é a “paternidade” espiritual abranger o acompanhamento e a orientação de quem trilha o caminho da fé.
O “pai” que quero ser é um “pai” espiritual, especialmente no processo de evangelização. Quando o número de alunos da turma de Catequese é pequeno, é possível acompanhar e ensinar cada um de um modo mais personalizado. No meu caso, dá-me a oportunidade de experimentar ser “pai”. Cada um dos meus “filhos” (afilhados) é único, e a cada um deles dedico tempo e atenção, dando-lhes o acompanhamento mais adequado. Até agora, tenho a honra de ser “pai” espiritual (padrinho) de seis “filhos” (afilhados) – dois destes são macaenses!
SER-SE CATEQUISTA
Penso que na qualidade de catequista é necessário ter o dom de falar várias línguas. Depois, é vital conhecer bem a Doutrina, viver bem a vida sacramental, bem como a vida de oração, e dar testemunho da fé na vida quotidiana. A vida espiritual também deve ser sólida: Oração, participação na Missa, recitação do Terço, Confissão, exame de consciência diário, retiros mensais, etc. Encorajo, pois, os catequistas para que participem diariamente na Missa e recebam a Eucaristia para se aproximarem de Jesus! Recitar diariamente o Terço aproxima-nos da Virgem Maria! Devemos igualmente trabalhar arduamente, todos os dias, seguindo o exemplo do São José. Ser catequista é como ser-se um soldado, que na linha da frente luta pela Igreja, procurando novos rebanhos para fazer “crescer a igreja” (Plantatio Ecclesiae). Portanto, “pegar em armas” para a “luta” é essencial. Nunca nos esqueçamos de recitar o Terço diariamente – ele é como uma espada afiada, a nossa arma para a evangelização!
Considero que a evangelização é semelhante ao treino de artes marciais: ambos requerem um “companheiro” para que haja um crescimento mútuo. Os momentos mais alegres são aqueles em que os formandos compreendem certas doutrinas com uma visão e compreensão mais profundas do que as minhas, tornando-se assim bons amigos, trocando ideias, participando juntos na Missa Dominical, etc. Na verdade, ao conhecermos Deus, também nos conhecemos a nós mesmos. A minha maior alegria reside em testemunhar o crescimento deles na fé e na personalidade.
Certa vez, ensinei Catequese a um amigo próximo do Ensino Secundário, acompanhando-o enquanto ele se preparava para receber os Sacramentos da iniciação cristã. Tive também a honra de ser convidado para seu padrinho. Nos últimos anos, a sua perspectiva acerca da vida e da fé amadureceu consideravelmente, demonstrando frequentemente uma profundidade de pensamento maior do que a minha. É algo que me enche verdadeiramente de alegria e admiração: «É preciso que ele cresça e que eu diminua» (João 3, 30). Agora, o meu amigo está em fase de preparação para casar pela Igreja. Sinto-me duplamente honrado, dado que fui por ele novamente convidado para um acto muito importante: testemunhar o seu casamento, podendo assim partilhar uma ocasião tão significativa.
Contabilizando os anos em que fui formador assistente na Catequese dominical, já levo mais de dez anos de serviço como catequista. Ser catequista é algo que me dá muita alegria, porque sinto que estou a “criar” vidas e, ao mesmo tempo, é um processo que pouco-a-pouco reforça o meu Conhecimento sobre a Catequese.
Bryan Ung
N.d.R.: A Igreja universal celebrou no passado Domingo, 7 de Junho, o Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi). Na Sé Catedral e na igreja de Nossa Senhora do Carmo (ver página 2 desta edição), a comunidade de fiéis de língua portuguesa testemunhou a Primeira Comunhão de algumas crianças e jovens. O catequista Bryan Ung partilha com os leitores d’O CLARIM a experiência que tem vivido ao serviço da formação catequética das novas gerações.

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