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Semanário Católico de Macau

SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ
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SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ, ESPOSO DE MARIA SANTÍSSIMA, CELEBRADA A 19 DE MARÇO

1 de Maio junta bispo e fiéis no Iao Hon

Março é especialmente dedicado a honrar o esposo e pai São José, um santo venerado pelos santos. O homem a quem o próprio Deus Jesus Cristo chamou de “pai”. A Igreja honra Maria com um culto especial “hiperdulia”, de ordem superior ao culto dado aos outros santos; e a São José é dado o culto de “protodulia”, ou seja, é honrado como o primeiro entre os santos, depois de Maria Santíssima. Há um axioma que diz: “Glória sanctorum imitatio eorum” (“A Glória dos santos está na imitação das suas virtudes”). São José doou toda a sua vida para proteger Jesus e Maria. Nas escrituras não há uma única palavra sua, mas o seu silêncio é uma escola de virtudes para todo o cristão.

Em Macau – como pelo mundo – são muitas as igrejas, instituições, lugares e famílias consagradas a São José. No território destacam-se seis colégios diocesanos, que juntos formam o Colégio Diocesano de São José (CDSJ), sendo que dois deles ficam nas imediações da igreja da Sé Catedral e do Paço Episcopal. No centro da cidade, junto à igreja de Santo Agostinho, está o Seminário de São José, e na Zona Norte a Universidade de São José (Ilha Verde) e a quase-paróquia de São José Operário (Iao Hon).

Todos os anos, a 19 de Março, um dos dois dias especialmente dedicados ao santo – o outro é 1 de Maio (padroeiro dos trabalhadores) –, os padres trocam durante a Quaresma os paramentos roxos pelo branco e dourado para a festividade de São José. A outra data em que voltam a usar a mesma cor durante este período litúrgico é 25 de Março, Festa da Anunciação e Encarnação do Verbo.

Contactado pel’O CLARIM, o pároco da igreja de São José Operário, padre Manuel Machado, explicou que o dia 19 de Março iria decorrer dentro da normalidade, tendo acrescentado que pela proximidade do 1 de Maio, dia da quase-paróquia de São José Operário, iriam esperar pelo Dia do Trabalhador para celebrar e recordar São José de forma particular. Haverá uma missa com a presença de D. Stephen Lee, bispo de Macau, e jantar-convívio.

Curiosamente, o Papa Francisco iniciou o seu pontificado na Solenidade de São José. No dia 19 de Março de 2013 a Praça de São Pedro, em Roma, aclamava o Papa no início da sua nova caminhada ao serviço da Igreja e do mundo. Na ocasião, o Pontífice afirmou: «Dou graças ao Senhor por poder celebrar esta Santa Missa de começo do ministério petrino na Solenidade de São José, esposo da Virgem Maria e patrono da Igreja Universal. É uma coincidência muito rica de significado».

Aprender com o silêncio de São José– O silêncio de São José nas escrituras e a sua plena obediência a Deus têm muito a nos ensinar. São José, pelo seu silêncio, mostra-nos, tal como Maria Santíssima, que é pela humildade, silêncio e obediência que Deus vem ao nosso encontro e realiza milagres nas nossas vidas. Deus revela-se aos pequeninos (Mateus 11:25), aos humildes, e a eles é lhes dado o Reino dos Céus (Mateus 18:3).

Nos Evangelhos vemos como Deus comunicava com São José através do Seu anjo em sonhos. Desde a hora que pensou deixar Maria, quando soube que ela tinha concebido no seu ventre, José foi confortado em sonho pelo anjo do Senhor: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados» (Mateus 1:20-25). O “carpinteiro”, desde então, seguiu sempre prontamente o que o Senhor lhe comunicava.

O pai adoptivo de Jesus teve a sua grandiosidade reconhecida por todos os santos, pelos Papas e pelo próprio Jesus, que numa aparição a Santa Margarida de Cortona declarou: «Filha, se desejas fazer-me algo agradável, rogo-te que não deixes passar um dia sem render algum tributo de louvor e bênção ao meu pai adoptivo, São José, que me é caríssimo».

Reconhecimento dos Padres e Doutores da Igreja– Muitos Padres e Doutores, entre os quais São João Crisóstomo, Santo Epifânio, São João Damasceno, Santo Ambrósio, São Jerónimo e Santo Agostinho, exaltaram as suas virtudes e, em especial, a justiça, a virgindade e a paternidade espiritual em relação a Jesus.

Santo Afonso Maria de Ligório afirmou que Deus concedeu a São José todos os dons que concedeu a todos os outros santos juntos.

São Francisco de Sales escreveu: “São José ultrapassou, na pureza, os anjos da mais alta hierarquia”.

São Jerónimo, o primeiro tradutor da Bíblia para o Latim, registou: “José mereceu o nome de Justo porque possuía, de modo perfeito, todas as virtudes”.

São Bernardo, uma das maiores eminências da história da Igreja, declarou: «Da sua vocação, considerai a multiplicidade, a excelência, a sublimidade dos dons sobrenaturais com que foi enriquecido por Deus».

Santa Teresa de Ávila, uma das mais devotas do santo, deixou escrito: “Tomei por advogado e senhor o glorioso São José e muito me encomendei a ele. De alguns anos para cá, no dia da sua festa, sempre lhe peço algum favor especial. Nunca deixei de ser atendida”.

O Papa Bento XVI, como teólogo, dá-nos uma visão de São José à luz das escrituras: “A figura deste grande Santo, mesmo sendo bastante escondida, reveste na História da Salvação uma importância fundamental. Antes de tudo, pertencendo ele à tribo de Judá, ligou Jesus à descendência davídica, de forma que, realizando as promessas sobre o Messias, o Filho da Virgem Maria se pôde tornar verdadeiramente ‘filho de David’”.

São José, patrono dos trabalhadores– No dia 1 de Maio a Igreja aponta-nos São José como o modelo do trabalhador. São Paulo disse aos Tessalonicenses que «se alguém não quer trabalhar também não coma» (2 Tessalonicenses 3:10).

São Josemaría Escrivá fundou o “Opus Dei” com a meta: “Santificar o trabalho e ser santificado por ele”.

Como disse Confúcio, “o trabalho é a sentinela da virtude”, e os santos disseram que “o ócio é a oficina do diabo”.

Há ainda um provérbio chinês que ensina: “Não é a erva daninha que mata a planta, mas a preguiça do agricultor”.

São José padroeiro da Boa Morte– A morte de São José é misteriosa, mas é a mais sublime que se pode imaginar. Pode haver melhor passagem para a vida eterna do que entre os braços de Jesus e de Maria? Não há registos documentais da morte de São José, mas é comummente aceite que ele faleceu antes do início da vida pública de Jesus.

Nos primeiros séculos da Igreja, conforme narra Isidoro de Isolanis, costumava ler-se nas igrejas do Oriente, todos os anos, no dia 19 de Março, uma narração solene da morte do pai adoptivo do Filho de Deus. A Igreja, que venera com carinho este santo de tão grande devoção dos cristãos, reconhece-o como o padroeiro da Boa Morte.

No Oriente foi encontrada uma preciosa gema, atribuída ao século I, com a inscrição “São José, assisti-me nos trabalhos e alcançai-me a graça”. Também nas Catacumbas de Roma, em algumas igrejas antigas e casas particulares, foram descobertas imagens atribuídas aos primeiros séculos que honravam privadamente São José; o culto privado precedeu o público.

São José também “esteve” no Milagre do Sol em Fátima. É o chefe da Sagrada Família e intercessor de todas as famílias cristãs. É o Patrono Universal da Igreja e protector do Corpo Místico de Cristo.

São José, rogai por nós!

Miguel Augusto 

 com Felipe Aquino, Acidigital e Aleteia

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