Ressurreição da Paz
O Tríduo Pascal deste ano em Macau ficou profundamente marcado pelo estado actual em que se encontra o mundo de hoje. As intervenções do bispo de Macau, D. Stephen Lee, e dos párocos e vigários paroquias da Sé Catedral e da igreja do Carmo, nos passados dias 2, 3 e 4 de Abril, centraram-se na urgência dos povos viverem em paz, recusando a violência das armas.
Na Quinta-feira Santa, D. Stephen Lee presidiu à Missa da Ceia do Senhor, durante a qual se realizou a tradicional cerimónia de Lava-Pés. Após a Eucaristia, o prelado transportou o ostensório com a hóstia consagrada para a capela de Cristo Rei, tendo os fiéis adorado o Santíssimo Sacramento até à meia-noite.
Na Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor foi rezada a Via-Sacra em Português e Chinês. Já mais para o final do dia, D. Stephen Lee presidiu à Procissão do Senhor Morto.
O dia de Sábado Santo pautou-se pela realização da Vigília Pascal – o ponto alto do Tríduo Pascal – que uniu as nove paróquias da diocese de Macau, inclusivamente as igrejas de São Domingos e da Sé Catedral.
Durante a vigência do Tríduo Pascal, os fiéis tiveram a oportunidade de receber o Sacramento da Reconciliação (a comummente designada Confissão), em vários momentos do dia.
No Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor, foram celebradas missas nos horários habituais. Ao contrário do que é costume, na Sé Catedral, o padre Daniel Ribeiro, SCJ, celebrou a Missa das 9 horas e 15, em Chinês; e o bispo D. Stephen Lee, a Missa das 11:00 horas, em Português.
Na última sexta-feira, O CLARIM publicou, na íntegra, a Mensagem de Páscoa de D. Stephen Lee, por meio da qual o prelado dedica um capítulo às guerras no mundo. “Não podemos ignorar as sombras que ainda pairam sobre a família humana. Vivemos um tempo de profunda inquietação. O espectro da guerra mais uma vez lançou o seu manto sombrio sobre regiões inteiras. Ouvimos o rugido ensurdecedor das armas e testemunhamos a trágica loucura das nações que depositam a sua confiança em arsenais de dissuasão nuclear e na competição bélica cada vez mais crescente”, afirma o Bispo.
“O nosso Santo Padre, o Papa Leão XIV, recordou ao mundo que a proliferação de arsenais nucleares e a competição desenfreada por armamento avançado não são meramente falhas políticas; são pecados contra o futuro que Deus deseja para a humanidade. Apelou aos fiéis – na verdade, a todas as pessoas de boa vontade – para reconhecerem que a corrida ao armamento não é apenas uma questão política, mas uma profunda crise moral. Desvia recursos destinados aos pobres, gera suspeitas entre as nações e trata a vida humana como descartável. O Santo Padre implorou aos líderes mundiais que recuassem da beira do abismo, que escolhessem a diplomacia em vez da destruição e que compreendessem que a verdadeira segurança não pode ser construída sobre o fundamento do medo”, sublinha.
No mesmo dia, no Vaticano (tarde em Macau), enquanto se preparava para conceder a bênção “Urbi et Orbi” (“à cidade [de Roma] e ao mundo” – ver texto na íntegra, publicado na página 2, e Caderno Diário na página 11 desta edição), o Papa Leão XIV repetiu o apelo que vem fazendo desde que foi eleito para a Cátedra de Pedro: «À luz da Páscoa, deixemo-nos surpreender por Cristo! Deixemos transformar o nosso coração pelo seu imenso amor por nós! Quem tem armas nas mãos, que as deponha! Quem tem o poder de desencadear guerras, que opte pela paz! Não uma paz conseguida com a força, mas com o diálogo! Não com a vontade de dominar o outro, mas de o encontrar!».
J.M.E.

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