Nossa Senhora de Fátima “espera” por peregrinos da Malásia e Hong Kong
Macau vai rezar, a partir da próxima segunda-feira, pela paz no mundo e pela conversão dos pecadores. A intenção é um aspecto central da Novena e Festa de Nossa Senhora de Fátima, que culmina a 13 de Maio com Missa Solene e a tradicional procissão em honra da Virgem do Rosário de Fátima. O representante da Santa Sé para Hong Kong e Macau, monsenhor José Luis Díaz-Mariblanca Sánchez, deverá voltar a marcar presença nas celebrações.
A igreja de São Domingos acolhe, a partir de segunda-feira, 4 de Maio, a Novena em honra de Nossa Senhora de Fátima. As celebrações encerram a 13 de Maio, com a celebração de Missa Solene, presidida por D. Stephen Lee, seguida da habitual peregrinação que liga o Largo de São Domingos à Ermida de Nossa Senhora da Penha.
Durante os nove dias pelos quais se estende a Novena, os católicos de Macau vão rezar, em Português e Chinês, pela paz no mundo e pela conversão dos pecadores. «A intenção geral para a Novena e para a Procissão é, em especial, pela paz do mundo. O mundo está virado do avesso. É uma dor de alma», adiantou Florinda Chan, em declarações a’O CLARIM. «Tenho estado a rever a história das Aparições de Nossa Senhora de Fátima. Como sabe, a Virgem Maria apareceu por seis vezes, entre Maio e Outubro, numa altura em que a Primeira Guerra Mundial estava no auge. Na primeira aparição, a 13 de Maio de 1917, o primeiro pedido de Nossa Senhora aos três Pastorinhos foi que rezassem pela paz no mundo e pela conversão dos pecadores. É uma mensagem muito actual», acrescentou a presidente da Congregação de Nossa Senhora de Fátima, entidade responsável pela organização da iniciativa.
Como habitualmente, a Novena será conduzida em Chinês e Português, com o padre João Lau a celebrar Missa e a orientar o Terço em língua chinesa ao início das manhãs, pelas 7 horas e 45. Todas as tardes, a partir das 17:00 horas, é rezado o Terço, conduzida a Novena e celebrada Missa em língua portuguesa, pelo padre Luís Sequeira. «O padre Sequeira é o director espiritual da Congregação de Nossa Senhora de Fátima. Nos dias em que tiver disponibilidade, o padre Andrzej Blazkiewicz vai celebrar a Missa em conjunto com o padre Luís Sequeira», complementou Florinda Chan.
A 13 de Maio, também na igreja de São Domingos, às 7 horas e 45, será celebrada Missa exclusivamente em Chinês. À tarde, a partir das 14 horas e 30, haverá Exposição e Adoração ao Santíssimo Sacramento, seguindo-se a reza do Terço. Celebrada pelo bispo D. Stephen Lee, em Chinês e Português, a Missa da Solenidade de Nossa Senhora de Fátima está agendada para as 17:00 horas, devendo contar com a presença de alguns convidados especiais. «Às cinco horas da tarde teremos a “Missa da Festa”, digamos assim, que será presidida pelo nosso Bispo. Nos últimos anos, o monsenhor José Luis Díaz-Mariblanca Sánchez, representante da Santa Sé para Hong Kong e Macau, tem vindo a Macau de propósito para assistir às cerimónias do 13 de Maio. O monsenhor está destacado em Hong Kong, mas nos últimos anos participou connosco na Procissão», disse Florinda Chan. «O arcebispo Savio Hon [antigo núncio apostólico, natural de Hong Kong] também deverá estar presente. Ela está aposentado e voltou para Macau. Eu convidei-o a também participar na Missa e na Procissão», revelou a dirigente.
DEVOÇÃO
ALÉM-FRONTEIRAS
A Novena e Festa de Nossa Senhora de Fátima em Macau foi promovida, pela primeira vez, em Maio de 1929, doze anos após a Virgem Maria ter aparecido a Lúcia, Francisco e Jacinta Marto. Quase um século depois, a devoção está mais viva do que nunca. Este ano, um total de 49 jovens congregadas vão ajudar a carregar o andor e o estandarte da Congregação de Nossa Senhora de Fátima. O número, salientou Florinda Chan, espelha a fé que as aparições marianas na Cova da Iria inspiram em milhares de pessoas, tanto em Macau como fora das fronteiras do território.
Grupos de fiéis da Malásia e de Hong Kong já manifestaram a intenção de visitar Macau, a fim de participar na Procissão de Nossa Senhora de Fátima. «Católicos da Malásia e de Hong Kong informaram o Gabinete do Senhor Bispo que tencionam visitar Macau integrados em grupos, para participarem na Procissão», disse Florinda Chan. «No caso das congregadas – salientou – vamos ter 49 voluntárias, o que é um número bastante elevado em comparação com os anos anteriores. Da parte dos rapazes, é praticamente igual: são quase trinta. O andor é muito pesado e é necessário um grande número de pessoas, sobretudo nas zonas onde as subidas e as descidas são mais acentuadas».
As celebrações de Nossa Senhora de Fátima em Macau conjugam, desde há quase cem anos, a dimensão religiosa com a cultural. Milhares de fiéis, muitos deles com velas acesas, acompanham a imagem peregrina pelas ruas da cidade, num percurso de fé que termina na Ermida da Penha e cujo ponto alto é a bênção da cidade de Macau e da sua população pelo Bispo.
«Este ano celebramos os 450 anos da diocese de Macau e este é um momento muito especial. Se não tivessem sido os jesuítas e os outros missionários que se fixaram em Macau, com o objectivo de espalhar a fé, talvez hoje não estivéssemos a celebrar estes 450 anos. De qualquer modo, sentimos uma grande responsabilidade por podermos dar continuidade a esta espiritualidade, a esta devoção», concluiu a responsável.
Marco Carvalho

Follow