MACAU CELEBRA NOSSA SENHORA DA CHINA NO PRIMEIRO DIA DO ANO LUNAR

MACAU CELEBRA NOSSA SENHORA DA CHINA NO PRIMEIRO DIA DO ANO LUNAR

Sé Catedral recebe Ano do Cavalo com Missa e Dança do Leão

A diocese de Macau assinala na próxima terça-feira, 17 de Fevereiro, o início do Ano Lunar do Cavalo, com a celebração da Solenidade de Nossa Senhora da China. O território, recorde-se, é o único local do mundo a comemorar a festa litúrgica da Virgem de Donglu no primeiro dia do novo ciclo lunar.

D. Stephen Lee vai presidir a Missa em honra de Nossa Senhora da China, na Sé Catedral, às 9 horas e 30 da próxima terça-feira, apadrinhando de seguida a Dança do Leão que todos os anos se realiza do adro da igreja. As comemorações da manhã encerram com um convívio de boas-vindas ao Ano do Cavalo, nas instalações do Colégio Diocesano de São José, localizado nas traseiras do Paço Episcopal.

Na segunda-feira, 16 de Fevereiro – véspera da entrada no Novo Ano Lunar – é celebrada, também na Sé Catedral, a partir das 15:00 horas, uma missa de Acção de Graças pelas dádivas alcançadas no Ano Lunar da Serpente. Durante as comemorações da entrada no novo ciclo lunar, o horário das missas em Português mantém-se inalterado, à excepção do segundo dia do Ano do Cavalo, quando a Igreja universal assinala o início do período da Quaresma.

NOSSA SENHORA DA CHINA: DEVOÇÃO E IDENTIDADE

A ideia de associar a invocação a Nossa Senhor da China à celebração do início do Novo Ano Lunar deve-se a D. Arquimínio Rodrigues da Costa. O último bispo português de Macau endereçou à então Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos um pedido para que a Solenidade de Nossa Senhora da China pudesse ser celebrada, em Macau, no primeiro dia do Ano Novo Chinês, de forma a que fosse confiado à protecção da Virgem Maria.

Para Wang Xintong, estudante de Doutoramento da Universidade de Hong Kong, que investiga o modo como a tradição budista influenciou o Catolicismo na China, o culto à Virgem de Donglu tem para os católicos chineses uma importância crucial em termos identitários. «A devoção a Nossa Senhora da China é importante na formação de uma identidade católica chinesa. Oferece aos católicos chineses uma âncora que lhes permite expressar a sua fé de uma maneira que é ao mesmo tempo autenticamente católica e profundamente chinesa. Esta dupla identidade é crucial num contexto onde as práticas religiosas são frequentemente escrutinadas e reguladas. Ao invocar a protecção de Nossa Senhora da China, os católicos chineses conseguem afirmar a sua identidade religiosa, compatibilizando harmonia, vivências e tradições culturais», assinalou o académico, em declarações a’O CLARIM. «Além do mais – acrescentou – a devoção a Nossa Senhora da China serve como força unificadora no seio da comunidade católica chinesa. Oferece um ponto de referência que transcende diferenças regionais e sociais, promovendo um sentido de solidariedade e de identidade colectiva».

Marco Carvalho

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