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“MACAENSES – UMA ODISSEIA”
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“Macaenses – Uma Odisseia” foi ontem exibido na Universidade de Macau

Novo documentário revisita diáspora macaense.

A Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau recebeu ao início da tarde de ontem a primeira exibição pública do documentário “Macaenses – Uma Odisseia (Parte 1)”, projecto com o qual o Instituto Internacional de Macau (IIM) se propõe debater conceitos como memória, identidade e diáspora.

Estruturado por Mariana Leitão Pereira, investigadora radicada no Reino Unido, o documentário tem como espinha dorsal uma série de entrevistas feitas ao longo de um mês por Joaquim Magalhães de Castro a membros da comunidade macaense radicada nos Estados Unidos e no Canadá.

O escritor e jornalista d’O CLARIMconduziu entrevistas em várias cidades norte-americanas, onde esteve reunido com macaenses de várias gerações. «Parti para o terreno munido de uma simples máquina de filmar e, sem recorrer a qualquer outro acessório, registei imagens e fiz uma série de entrevistas nas cidades canadianas de Toronto, Vancouver e Richmond, e ainda em Nova Iorque, São Francisco, San Leandro e Los Angeles, nos Estados Unidos», explicou Joaquim Magalhães de Castro.

Muitos dos depoimentos que recolheu na América do Norte são de luso-descendentes que deixaram Macau, Hong Kong e Xangai na sequência da Segunda Guerra Mundial e é exactamente a Guerra do Pacífico que dá o mote ao documentário ontem exibido na Universidade de Macau. Mariana Leitão Pereira analisou as entrevistas realizadas por Magalhães de Castro de um ponto de vista antropológico, histórico e patrimonial, e elegeu o impacto que o conflito teve sobre a comunidade como o aspecto central de “Macaenses – Uma Odisseia (Parte 1)”.

Os depoimentos que deram azo ao documentário enquadram-se num projecto de maior dimensão, proposto pelo jornalista à direcção do IIM em 2016. Autor de obras focadas no legado da Expansão Portuguesa, Magalhães de Castro propôs-se resgatar a memória de Macau espalhada pelos quatro cantos do mundo. «Sou o autor de um projecto de resgate da memória macaense à escala global, intitulado “Identidade de Macau na Diáspora”. Apresentei este projecto ao Instituto Internacional no início de 2016 e é nesse âmbito que o documentário ganha forma. Um dos objectivos do IIM passa por criar com o material recolhido os mais diversos tipos de conteúdos que ajudem a dar a conhecer a diáspora macaense», disse o jornalista.

A singularidade de Macau

Com este projecto Joaquim Magalhães de Castro propunha-se, não só, «resgatar a identidade de Macau espalhada pelo mundo», mas também abordar as características que contribuíram e continuam a contribuir para a singularidade do território. «Entre os princípios expressos nessa minha proposta apresentada ao IIM está a procura, a identificação e o resgate da identidade de Macau espalhada pelo mundo, nas suas diferentes vertentes étnico-culturais, assumindo particular e preponderante destaque a vertente macaense, mas também a descoberta da singularidade de Macau no mundo», referiu.

O levantamento efectuado na América do Norte permite traçar um retrato de uma comunidade orgulhosa das suas raízes, mas que teme cada vez mais pelo futuro. O responsável pelo projecto “Identidade de Macau na Diáspora” entrevistou mais de meia centena de membros da comunidade e diz que a ligação ao território já não é tão forte entre as novas gerações: «Entre os mais velhos, a identidade macaense continua viva. Entre os mais novos, não. Essa é, aliás, a grande angústia dos dirigentes das Casas de Macau: a falta de gente nova e o não saber como atrair os mais novos à comunidade e às iniciativas que vão tendo».

Memória e identidade

O resgate da memória e das tradições dos macaenses da diáspora, em domínios como o Patuá ou a culinária, foi uma das grandes preocupações que nortearam o trabalho desenvolvido por Joaquim Magalhães de Castro. Uma outra passa por salvaguardar – antes que seja tarde demais – os testemunhos de elementos da comunidade que personificam, de um modo ou de outro, as várias fases da diáspora. «O meu objectivo era o de recolher toda a tradição oral possível, registando ao mesmo tempo testemunhos das pessoas ainda vivas ou de familiares e amigos daqueles que já morreram», salientou.

Magalhães de Castro deve continuar a ouvir e a resgatar as vozes da diáspora macaense espalhada pelo mundo, ainda que em diferentes latitudes. «Concluída a diáspora macaense na América do Norte, segue-se a do Brasil, da Austrália e a de Portugal. Esta empreitada vai ser concretizada nos próximos tempos, mas ainda não há uma data definida», revelou o escritor e jornalista.

Marco Carvalho

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