A esperança que nasce da Ressurreição
É a Solenidade mais importante do Ano Litúrgico. Para a generalidade dos católicos, a Páscoa é um período propício à renovação e uma oportunidade privilegiada para novos recomeços, tendo o exemplo de Cristo ressuscitado como ponto de partida. O CLARIM procurou compreender, junto de católicos locais nascidos em latitudes muito distintas, porque razão a Páscoa é entendida com um convite ao reforço da esperança e da fé. A resposta tem feições universais.
Portugal, Índia, Guiné Equatorial. No Domingo, milhões de fiéis comemoram a vitória da vida sobre a morte e o renascimento da fé. Ao fim de quarenta dias de reflexão, penitência, oração e conversão, a Ressurreição de Jesus Cristo é para os católicos de todo o mundo um momento de viragem, pautado pela renovação, recomeço e triunfo da esperança, mas também pela confirmação da vida eterna e pela certeza de que a morte não constitui um ponto final.
Nascido no coração do Minho, no Norte de Portugal, Armindo Vaz entende que, mais do que um roteiro para a renovação pessoal, a Páscoa é a prova cabal do poder de Deus sobre a morte. Para o bancário, a Ressurreição de Jesus Cristo é bem mais do que apenas um milagre. É também a confirmação de que a morte não tem a última palavra. «A Páscoa é a festa maior. É a festa maior para os cristãos. É o triunfo da vida sobre a morte e, portanto, dá-nos a esperança que, se Jesus ressuscitou, nós também iremos ressuscitar um dia. Por outro lado, é a certeza de que a morte não é um ponto final e que há mais vida para além da morte», argumentou o também dirigente do Grupo de Escuteiros Lusófonos de Macau (GELMac).
No Minho, onde Armindo Vaz nasceu e cresceu, o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo é vivido com particular intensidade. As procissões da Semana Santa em Braga constituem uma das mais poderosas expressões de fé e de devoção religiosa de Portugal, mas a Páscoa é vivida com igual fervor nos concelhos vizinhos. Mais do que o fausto dos cortejos, Armindo enalteceu, porém, a mensagem de esperança que perpassa a tradição secular.
«Sou de uma zona profundamente católica, onde a tradição pascal é muito forte. Em todo o Minho é assim. Em Braga, há milhares de visitantes, muitos deles espanhóis, que visitam a cidade de propósito para celebrar as cerimónias da Semana Santa», recordou. «Há um sentimento de tristeza, uma certa melancolia, porque ver o filho do nosso Deus passar por aquilo pela qual passou é triste e é duro, mas temos a certeza que a seguir vem a Ressurreição. Não é mais do que a preparação para a maior das festas, a que se faz anunciar no Domingo», acrescentou.
«DEIXAR QUE O PERDÃO NOS ENTRE NO CORAÇÃO» – Na Guiné Equatorial os ritos têm outras formas e outros ritmos, mas a intensidade com que o período da Páscoa é vivido é muito similar. Radicada no território desde o final de 2022, onde desempenha o cargo de delegada da Guiné Equatorial junto do Secretariado Permanente do Fórum de Macau, Cristina Mangue Abeso participou, no passado sábado, no Dia de Espiritualidade promovido pela paróquia da Sé em Ká-Hó. À margem das cerimónias, orientadas pelo padre Daniel Ribeiro, SCJ, a diplomata explicou porque razão o perdão é um conceito essencial na forma como se prepara para a Páscoa da Ressurreição. «A Semana Santa é uma oportunidade para reflectirmos, para entrarmos em oração, para ficarmos em comunhão com Deus, que nos criou. É uma altura também em que somos convidados a fazer alguns sacrifícios, como penitência, jejum e muita oração, para que possamos deixar que o perdão nos entre no coração», sustentou.
«Devemos tentar corrigir os maus hábitos que temos no dia-a-dia, tentar apartá-los e procurar entrar em maior convivência e em maior união com Nosso Senhor, o nosso criador. Temos o dever de acompanhar a Páscoa da Ressurreição, para que Deus nos possa conceder o seu perdão, a sua misericórdia e nos acolher de novo como filhos», notou.
Num país onde 87 por cento da população professa a Fé Católica, o Tempo da Quaresma, a Semana Santa e a Páscoa são períodos de grande intensidade espiritual. «Acompanhamos todas as etapas da Semana Santa e da Páscoa, começando desde logo pela Quaresma. Respeitamos os ritos religiosos e as recomendações aconselhadas pela Igreja Católica e todo o mundo tenta fazer a mesma reflexão. Todos se viram para a oração para se purificar, durante a Semana Santa e o período da Páscoa, em termos gerais», sublinhou.
APOTEOSE E RENOVAÇÃO
Se o triunfo da vida sobre a morte e a promessa da vida eterna são aspectos centrais da mensagem da Páscoa da Ressurreição, para o damanense Elias Colaço há outras ilações – mais pessoais e íntimas – a retirar do sacrifício a que Jesus Cristo se submeteu para colocar a Humanidade no caminho da Salvação. A Páscoa, apontou, deve ser encarada como um período de instrospecção e transformação pessoal, sendo este ano mais necessário do que nunca. «A Páscoa pede um momento de reflexão e, se há uma mensagem que vale a pena sublinhar, é a mensagem de que devemos procurar caminhar para a Paz. Cristo entregou-se e morreu por nós em prol da paz. Falar em paz, nesta altura tão conturbada para o mundo, em que nos deparamos com várias guerras, digamos que nos convida a reflectir verdadeiramente sobre aquilo que queremos deixar para o futuro, para os nossos filhos, para os nossos netos e para as gerações vindouras», defendeu.
Mais: «caminhamos no sentido da paz, da compreensão e do entendimento. A mensagem mais importante que a Páscoa nos traz é esta: a do entendimento. De reconhecermos que todos somos diferentes, mas acabamos por ser todos iguais. É importante caminharmos nesse sentido», rematou Elias Colaço.
Marco Carvalho

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