ASSOCIAÇÃO COMEMOROU 25 ANOS NO DIA 6 DE MAIO

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APOMAC quer bairro para idosos no Jockey Club

O terreno onde operava o Macau Jockey Club, na ilha da Taipa, é ideal para a construção de um bairro para idosos, defende o presidente da direcção da APOMAC, Francisco Manhão. Fundada em 2001, a Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau soprou, na quarta-feira, 25 velas. A efeméride foi assinalada com um jantar na Doca dos Pescadores.

A Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC) assinalou, na quarta-feira, as Bodas de Prata com a organização de um banquete comemorativo na Doca dos Pescadores. O jantar, em que participaram mais de quatro centenas de associados da agremiação, contou com a presença de Zhang Yinjie, subdirector do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM; Edmundo Ho, primeiro Chefe do Executivo de Macau e vice-presidente do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês; e de Alexandre Leitão, cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong.

A ocasião serviu, sobretudo, para que os responsáveis pela APOMAC passassem em revista um quarto de século de actividade em prol dos mais velhos, sobretudo nos incertos anos que se seguiram à transferência de administração de Macau para a China. Em 2001, quando foi fundada, a Associação assumiu como principais objectivos a representação e a defesa dos interesses dos reformados e aposentados do território.

Presidente da APOMAC, Francisco Manhão recorda, em declarações a’O CLARIM, algumas das causas em que a Associação se empenhou ao longo das últimas duas décadas e que resultaram numa melhoria efectiva das condições de vida dos seus associados: «Penso que aquilo que conseguimos alcançar ao longo dos últimos 25 anos foi muito positivo, não apenas para os nossos sócios, mas para os idosos, em termos gerais. Não conseguimos alcançar tudo a que nos propúnhamos, mas conseguimos resolver bastantes problemas, principalmente os dos pensionistas chineses com a Caixa Geral de Aposentações. Temos, hoje em dia, um bom relacionamento com a CGA e esse bom relacionamento facilitou a resolução dos problemas com que nos deparámos aqui em Macau, mas também em Portugal».

Quinze anos após ter sido constituída, a APOMAC fez da resolução dos pequenos e grandes problemas burocráticos que afectam os seus associados um serviço fulcral. Entre outras tarefas, ajuda quem optou por receber a pensão de velhice através da Caixa Geral de Aposentações a realizar anualmente a prova de vida e a requerer a isenção de IRS, sendo hoje uma voz respeitada junto das autoridades de Lisboa e da RAEM. «Em Macau, conseguimos, após muita insistência, que o Governo actualizasse a pensão para idosos. Foi difícil, mas conseguimos. Gostaríamos que o Regime de Previdência Central também fosse actualizado. O Governo é uma entidade de bem e devia considerar esta possibilidade, como fez com os subsídios de velhice e de invalidez. O Governo aumentou mil patacas em cada um deles. No caso do Regime de Previdência Central e do Plano de Compensação Pecuniária, gostávamos que houvesse um aumento similar. Parece-nos justo», argumenta Manhão e acrescenta: «Ainda melhor e mais proveitoso seria o Governo atribuir o cartão de consumo, principalmente para os idosos, que são quem mais necessita deste tipo de apoio».

JOCKEY CLUB PARA OS MAIS VELHOS

O reforço das subvenções financeiras atribuídas pelo Governo de Macau à terceira idade poderia contribuir – defende o presidente da APOMAC – para um maior desafogo económico dos idosos, mas não resolve um dos problemas mais graves a que os mais velhos estão sujeitos: o abandono a que muitos são votados.

A APOMAC tenta contrariar a tendência há um quarto de século, com o serviço de cantina e a sala de convívio que oferece aos associados nas instalações que detém na Avenida de Sidónio Pais. No entender do dirigente, o problema só pode ser resolvido com sucesso por meio da construção, de raiz, de um bairro residencial exclusivo para os mais velhos.

«Gostaríamos que o Governo construísse uma cidade-satélite para idosos e não prédios em altura, como tem feito até ao momento. A construção em altura acarreta sempre inconvenientes. Se falhar o elevador, o idoso já nem sai à rua ou, se estiver na rua, já não volta para casa. Quem diz problemas com os elevadores, diz problemas de electricidade ou de falta de água. Viver em prédios altos não é propriamente conveniente para um idoso», sustenta o responsável. O que fazer então? «A solução, parece-me, passa pela construção de uma cidade-satélite onde os idosos possam passar melhor o dia, alojados em prédios com três andares no máximo, como acontece em locais fora de Macau. É claro que esta zona residencial teria que ter médicos, enfermeiros e pessoal de apoio para que quem lá viesse a morar pudesse ter o devido acompanhamento em termos de saúde».

Em Macau, a escassez de terrenos é muitas vezes apontada como um entrave ao desenvolvimento de projectos mais ambiciosos, mas o reforço da integração na região da Grande Baía abre novas janelas de oportunidade e espaço para todo o tipo de possibilidades. Francisco Manhão defende, ainda assim, que o projecto, a materializar-se, deve ser construído em Macau. Os terrenos onde operava o Jockey Club, na Taipa, são um local ideal para o efeito. «Não concordo com a ilha da Montanha. Macau ainda tem muito espaço. Ainda há espaço, por exemplo, na Taipa. Um local que seria bom para isso é o Jockey Club. É um espaço muito grande, que seria bom não apenas para a construção de uma cidade-satélite, mas também de um centro de cuidado e tratamento para pessoas que sofrem de demência», sugere e concluiu: «De ano para ano, têm vindo a aumentar os casos de demência e uma boa forma de ajudar estas pessoas é permitir que elas convivam umas com as outras. No antigo Jockey Club há espaço mais do que suficiente para o fazer. É claro que tudo isto depende da política do Governo para a utilização daquele espaço. Mas aquele espaço é bom».

Marco Carvalho

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