Durante a Missão Juvenil realizada em Angola por um grupo de jovens de Macau, o PADRE EDUARDO EMILIO AGÜERO, SCJ, visitou a Casa da Criança Santa Isabel, obra fundada para acolher, educar e oferecer novas oportunidades a crianças e jovens em situação de vulnerabilidade. Entre os muitos frutos desta missão educativa, encontram-se vocações sacerdotais e religiosas que nasceram ou amadureceram graças ao ambiente humano, espiritual e formativo proporcionado pela instituição. A’O CLARIM, três jovens partilharam o seu percurso. Dois cresceram na Casa da Criança e hoje frequentam Seminários religiosos; o terceiro, também seminarista, estudou numa escola criada pela Fundação da Irmã Domingas. Os seus testemunhos revelam como a fé, o apoio recebido e o encontro com pessoas significativas podem transformar vidas.
Atanásio António Aimbodi: caminhada rumo ao Seminário Passionista
«O meu pai faleceu quando eu era muito novo. Naquela altura vivia no Cunene e a minha mãe não tinha condições para pagar os meus estudos. Foi uma tia que me trouxe para Luanda, para a Casa da Criança, quando eu tinha nove anos», disse.
A partir desse momento, a vida de Atanásio começou a mudar: «Entrei na escola já um pouco atrasado, mas consegui recuperar. Fiz o módulo que permitia concluir duas classes num só ano. Depois continuei os estudos, completei o primeiro ciclo e mais tarde entrei para o Seminário Menor Passionista». E aos dezassete anos deu o passo decisivo!
Perguntámos como nasceu a sua vocação, respondeu sem hesitar: «Foi através da oração e do discernimento. Na Casa da Criança participava muito activamente na vida espiritual. Aos poucos nasceu em mim o desejo de ser padre. Mais tarde conheci o padre Nuno Almeida, responsável pelas vocações passionistas em Angola. Comecei a frequentar os encontros vocacionais e depois fui para o Seminário Menor Passionista, no Uíge».
Hoje prepara-se para concluir esta etapa da formação: «Vou fazer o último ano do Seminário Menor. Depois espero iniciar os estudos de Filosofia, no Instituto Superior Dom Bosco, continuando sempre como passionista».
Quando fala da Casa da Criança, a emoção torna-se evidente: «Para mim, a Casa da Criança é uma família. Tenho a minha mãe e os meus irmãos, mas considero toda a Casa da Criança como minha família. Quando regresso de férias do Seminário, é para aqui que volto. Antes de entrar para o Seminário fui aqui líder e ajudava no acompanhamento das crianças mais novas».

Alfredo Calenga: inspirado pelo testemunho de um religioso salesiano
Também presente na conversa estava Alfredo Calenga, de dezanove anos de idade, aspirante salesiano.
Alfredo chegou à Casa da Criança quando tinha apenas oito anos e ali encontrou um ambiente que marcou profundamente a sua vida: «Estou aqui há cerca de dez anos. Foi uma experiência muito boa. Aprendi a viver em família, a partilhar com os irmãos e a crescer juntamente com outras crianças e jovens».
A sua vocação nasceu do testemunho concreto de uma pessoa que encontrou no quotidiano: «Fiquei muito impressionado com a maneira de ser e de viver de um religioso salesiano chamado Leonardo Sancete. A sua forma de agir motivou-me muito. Pensei que também poderia seguir esse caminho de entrega e serviço».
Actualmente, frequenta o aspirantado salesiano, dando os primeiros passos num percurso de discernimento e formação que espera continuar.
Alexandre Paulo: a vocação que nasceu no serviço ao altar
O terceiro entrevistado pel’O CLARIM foi Alexandre Paulo, seminarista passionista de dezassete anos de idade.
Embora não tenha vivido na Casa da Criança, estudou numa escola criada pela Irmã Domingas, onde conheceu alguns dos jovens provenientes da Casa da Criança, entre eles Atanásio António Aimbodi. «Fomos colegas», esclareceu durante a conversa.
De seguida, contou que a sua vocação surgiu quando servia como acólito: «Sentia que queria servir o Senhor mais de perto. Falei sobre isso com um seminarista xaveriano chamado Marcelino. Ele, juntamente com outro seminarista, chamado André, incentivou-me a participar no grupo vocacional».
Mais tarde iniciou acompanhamento espiritual com o mesmo sacerdote que acompanhava Atanásio: «Comecei o percurso vocacional com o padre Nuno Almeida, missionário passionista, e posteriormente fui admitido no Seminário».
Actualmente, encontra-se no Seminário Menor Passionista: «Estou lá há dois anos e vou iniciar o terceiro ano. Se Deus quiser, no próximo ano também começarei os estudos de Filosofia».
UM FUTURO CONSTRUÍDO COM FÉ E OPORTUNIDADES
Ao ouvir estes jovens, percebe-se que a Casa da Criança e as iniciativas educativas ligadas à Fundação fizeram muito mais do que proporcionar ensino ou apoio social. Criaram espaços onde as crianças e os jovens puderam descobrir a sua dignidade, desenvolver talentos e abrir-se à acção de Deus.
As histórias de Atanásio António Aimbodi, Alfredo Calenga e Alexandre Paulo mostram caminhos diferentes, mas unidos por uma mesma realidade: alguém acreditou neles quando eram ainda crianças. Através da dedicação de educadores, benfeitores, religiosos e colaboradores, encontraram oportunidades para crescer humanamente e espiritualmente.
Durante a Missão Juvenil que reuniu jovens de Macau e de Angola, estes testemunhos tornaram-se um sinal concreto de esperança. São a prova de que uma obra educativa inspirada pelo amor cristão continua a produzir frutos abundantes, não apenas em profissionais ou estudantes, mas também em jovens dispostos a consagrar a sua vida ao serviço de Deus e da Igreja.



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