Jornada Missionária com… peças de LEGO!
A exposição “Destino Ásia: Uma Jornada Missionária com Peças de LEGO”, criada pela Sociedade para as Missões Estrangeiras de Paris (MEP), está em cartaz, na cidade de Lyon, entre 4 de Fevereiro e 29 de Junho, na Maison de Lorette – edifício que faz parte das Pontifícias Obras Missionárias em França, não só preservando a história e a espiritualidade da fundadora da Sociedade da Propagação da Fé, a Beata Paulina Jaricot, que ali nasceu em 1799, como também serve de sede das POM em França.
A exposição, que foi um grande sucesso em termos de público, na sede parisiense da Sociedade para as Missões Estrangeiras, entre Novembro de 2024 e Julho de 2025, chegou a Lyon graças à longa colaboração entre as Missões Estrangeiras de Paris e as Pontifícias Obras Missionárias em França.
Um dos irmãos da Beata Paulina Jaricot foi sacerdote nas MEP, e foi o seu amor pelo Extremo Oriente, especialmente pela China, que o levou a encorajar a irmã a fundar a Sociedade da Propagação da Fé. Foi assim que começou a história das Pontifícias Obras Missionárias.
Mas, qual a razão para se terem usado peças de LEGO? O conceito é moderno, unificador, intergeracional e multicultural. Os blocos de LEGO cativam um público amplo e podem ser usados por pessoas de todas as idades, dos sete aos 77 anos. A exposição visa contar a história do património humano de uma maneira “diferente”, ao mesmo tempo que apresenta construções extraordinárias. Como ferramenta de expressão artística contemporânea, os blocos de construção são mais do que simples brinquedos – tornam-se um meio de comunicação inovador que combina brincadeira, criatividade e educação.
Foram necessários trezentos mil blocos para criar os modelos, tendo o maior deles mais de dois metros de comprimento. Cada peça do repertório e universo LEGO foi utilizada para criar verdadeiras obras de arte, o mais detalhadas e realistas possível. Elementos decorativos e figuras ajudam a contextualizar os modelos, recriando os ambientes e os lugares representados. O processo criativo, incluindo o “design” e a modelagem em “software”, é amplamente destacado pelos organizadores.
A mostra, composta por 102 mil e 850 peças de LEGO – uma versão ligeiramente reduzida da exposição de Paris –, procura construir uma ponte entre França, a Ásia e o Oceano Índico, ilustrando uma herança humana compartilhada através de uma linguagem diferente.
Como instrumento de expressão artística contemporânea, os blocos de montar são mais do que um simples brinquedo; tornam-se um meio inovador de comunicação.
Oito maquetes de peças LEGO levam os visitantes do Japão à China, ao Vietname, à Índia e a Madagáscar. Trata-se de uma jornada à descoberta das culturas, das religiões e dos povos do vasto continente asiático, por meio da exposição e do acesso que esta possibilita a documentos dos arquivos das Pontifícias Obras Missionárias, bem como à apresentação de vídeos.
A exposição está dividida em quatro secções temáticas. A primeira, intitulada “Nos Passos dos Primeiros Construtores de Pontes”, narra a história da fundação da Sociedade para as Missões Estrangeiras de Paris, desde a criação do Seminário até as primeiras missões na Ásia, bem como o seu trabalho e contribuições nos campos da linguística e da impressão para a disseminação da Bíblia na Ásia. Uma expressão deste compromisso é a maquete em LEGO de edifícios de Missão em Hong Kong e no Japão, sendo recordada a história dos chamados “cristãos ocultos”.
A segunda secção, “No caminho do diálogo”, destaca a diversidade dos povos da Ásia. O continente foi o berço das três principais religiões monoteístas e também do Hinduísmo, Budismo, Taoísmo, Confucionismo (este uma filosofia, não uma religião) e de muitas outras religiões e tradições espirituais. A exposição explora o diálogo inter-religioso na sua especificidade asiática (missão–diálogo–harmonia). Os modelos de LEGO desta secção retratam a Catedral de Myeongdong, em Seul (Coreia do Sul), e a Escadaria de Varanasi, localizada nas margens do Rio Ganges (Índia).
A terceira secção, “Ao lado dos necessitados”, homenageia o compromisso social dos missionários do passado e do presente, em especial o trabalho realizado com as populações locais nas áreas da Educação e Saúde. O notável trabalho realizado em trinta anos de missão em Madagáscar e o papel essencial desempenhado pelas Congregações femininas no Vietname estão igualmente retratados.
O último modelo de LEGO, que representa a quarta secção, “Proclamando a Boa Nova”, reproduz o mosaico da Divina Misericórdia em Port-Bergé, também em Madagáscar. Todos os modelos da exposição são exibidos em caixas de madeira para transporte, imergindo os visitantes no mundo das jornadas missionárias. Cada modelo é adornado com um pano de fundo decorativo, que remete ao país em destaque.
Todo o material patente – textos explicativos, imagens e recursos complementares – está disponível “online”, permitindo que os visitantes acompanhem, explorem e revisitem a mostra.
Paralelamente à exposição, uma rica programação cultural prolonga a experiência, incluindo visitas guiadas, concertos, “workshops” e um concurso para o público mais jovem.
Joaquim Magalhães de Castro

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