IRMÃS DA CONGREGAÇÃO DAS MISSIONÁRIAS DOMINICANAS DO ROSÁRIO EM NOVALICHES

IRMÃS DA CONGREGAÇÃO DAS MISSIONÁRIAS DOMINICANAS DO ROSÁRIO EM NOVALICHES, NAS FILIPINAS, EM ENTREVISTA A’CLARIM

«Em Macau enriqueci a minha fé e vocação» Ir. Maia Thu Hien

As irmãs Beatrix Kahlasi (votos perpétuos), Marie Nguyen Thi Nhiem, Miriam Y Phol e Maia Thu Hien (júniores) pertencem à Congregação das Missionárias Dominicanas do Rosário (MDR). Actualmente, integram a comunidade missionária que serve a diocese de Novaliches, localizada perto de Metro Manila, nas Filipinas. A MDR foi fundada em 1918, na Amazónia peruana, junto ao rio Madre de Dios, pelo bispo D. Ramón Zubieta e pela madre Ascensión Nicol y Goñi. Assumindo o carisma de “Evangelizar os pobres nas situações missionárias onde a Igreja mais precisa de nós”, a Congregação segue o princípio de levar Cristo a todos, por meio de missões concretas – em hospitais, no trabalho com os jovens, na capacitação das mulheres (a estas ensinando-lhes competências e trabalhos que lhes permitam sustentar-se e enviando os seus filhos à escola) e na defesa da justiça e da paz.

O CLARIM – Viveu em Macau a sua primeira experiência na Congregação das Missionárias Dominicanas do Rosário. Que experiência adquiriu nessa comunidade que lhe vem sendo agora útil?

MARIE NGUYEN THI NHIEM – Cheguei a Macau em 2018 como aspirante das Irmãs Missionárias Dominicanas do Rosário. Macau era bastante diferente da minha cidade natal, no Vietname: a língua, a cultura, o estatuto social e as crenças. A maior parte da população está ocupada com o seu trabalho diário e com a vida agitada, misturada com um grande número de turistas. Surpreendentemente, apesar desse ritmo de vida, a Igreja Católica vive e pratica a sua fé com fidelidade. Fiquei hospedada na Taipa, perto da paróquia de Nossa Senhora do Carmo. A Paróquia era a minha segunda casa; participava na Missa todos os dias. Além disso, todos os Domingos, juntava-me aos catequistas para as sessões de preparação para o Crisma e de formação dos acólitos. Após dois anos a observar e a aprender, comecei a preparar as crianças que iriam receber o Sacramento da Confirmação [Crisma]. Foi uma experiência significativa e memorável. Para além de participar nas actividades da nossa paróquia, também fazia parte da comunidade vietnamita, onde costumávamos servir e celebrar Missa juntos, todos os Domingos à tarde. Sempre que me encontrava com o meu povo, ouvia as suas histórias de vida e de trabalho, como lidavam com todas as dificuldades e conseguiam permanecer em Macau, e outras lutas que enfrentavam na nossa pátria. Na verdade, o meu papel era simplesmente ouvi-los e estar presente como um membro da família.

CL – Estudou na Universidade de São José. Ao início não foi fácil, mas conseguiu concluir os estudos. De que forma é que aquilo que aprendeu e a experiência que adquiriu a ajudam actualmente como estudante do terceiro ano?

MAIA THU HIEN – É verdade que quando chegámos a Macau enfrentei inúmeras dificuldades, mas também abundantes bênçãos. O maior desafio foi a barreira linguística. Senti-me muito limitada no meu próprio conhecimento e na minha capacidade de expressar ideias e opiniões. No entanto, Deus enviou muitas pessoas para me ajudar. Agradeço a todos os professores, que foram muito compreensivos; aos colegas de turma – sempre gentis –, e às irmãs da comunidade que me apoiaram, que me acompanharam e me guiaram ao longo destes anos. Os quatro anos no Curso de Estudos Cristãos da USJ enriqueceram grandemente a minha jornada de fé e vocação. Nesses anos, adquiri uma compreensão mais profunda de Deus, da História da Igreja e da sua missão, tanto na evangelização como no diálogo. O conhecimento e as experiências que adquiri fundamentaram-me no Deus que sigo, especialmente agora que embarquei numa nova jornada, aqui nas Filipinas. Como estudante do terceiro ano, estou agora a frequentar cursos académicos; é importante para mim recordar sempre o que aprendi, a fim de manter viva a minha fé e estar em comunhão com Deus, mesmo quando encontro dificuldades ou quando estou muito ocupada. Na minha escola tenho amigos de diferentes religiões; vivemos numa comunidade com pessoas de diferentes origens e idades. Esta realidade faz-me ter presente que devo viver em comunhão, na unidade e na partilha.

CL – Como os seus valores e vocação ajudam os jovens a crescerem como grupo, especialmente no âmbito da vida religiosa, levando adiante o carisma da vossa Congregação? Como falam aos jovens, rapazes e raparigas, sobre a vocação religiosa?

MIRIAM Y PHOL – Aqui, nesta comunidade, temos jovens aspirantes e postulantes da Indonésia e do Vietname. A questão de como posso ajudar os jovens a crescer e a viver uma vida religiosa, levando adiante o carisma de elevar e servir os pobres e os vulneráveis, faz-me parar por um momento e reflectir. Bem…, como diz o ditado, as acções falam mais alto do que as palavras. Percebo que as minhas acções sejam a forma de melhor falar aos jovens, do que propriamente os meus conselhos. Todos os dias, procuro cumprir os meus deveres e responsabilidades como júnior e estudante. Comprometo-me a viver uma vida de oração, caridade, obediência e simplicidade, partilhando com as minhas irmãs na comunidade e com as pessoas à minha volta os meus talentos e, sobretudo, o tempo que passo com elas. Como filha de Deus, ofereço-Lhe tudo o que faço na minha vida quotidiana. Os desafios estão sempre presentes; não posso evitar encontrá-los mesmo durante as longas jornada de férias. No entanto, nesses momentos, confio e rezo a Ele, ouvindo a Sua voz, a fim de encontrar paz e força. Compreendo que, embora ainda seja uma novata em formação e continue a trabalhar em mim mesma, também sou chamada a dar o exemplo aos mais jovens e a ajudá-los e orientá-los na compreensão da vida religiosa e dos seguidores de Cristo.

CL – Irmã Beatrix Kahlasi, quer também partilhar a sua experiência com os nossos leitores?

BEATRIX KAHLASI – Na comunidade onde vivo, a que chamamos “casa de formação”, as jovens preparam-se para servir como freiras. O seu percurso começa como aspirantes e continua como postulantes, sendo orientadas para que cresçam como boas cristãs antes de ingressarem na vida religiosa. Durante este tempo, ajudamo-las a descobrir e a cultivar os talentos que Deus lhes concedeu, encorajando-as a desenvolver esses dons ao serviço dos outros. Também aprendem sobre a nossa Congregação, a sua missão e o trabalho que realizamos. A vida comunitária ensina-lhes a simplicidade da vida religiosa, moldando o seu carácter através da partilha de experiências. Ao mesmo tempo, é-lhes dado espaço para aprofundarem a sua vocação através da oração, do estudo e da reflexão. Este processo permite-lhes discernir sobre a sua vocação e fortalecer o seu compromisso para com Deus e para com a Congregação. Por fim, a casa de formação ajuda-as a abraçar o nosso carisma como Irmãs Missionárias Dominicanas do Rosário, preparando-as para viverem fielmente e alegremente ao serviço da Igreja.

CL – Convidamo-la a transmitir a sua vocação aos jovens de Macau? Onde encontra a alegria na sua vocação?

MARIE NGUYEN THI NHIEM – Há sempre alegria na vida de um missionário cujo lugar é a comunidade e o povo entre os quais vive. Tendo Jesus como único bem e garantia, pode estar com alegria onde se encontra e sentir a presença de Deus em cada pessoa. Da mesma forma, quando um missionário se integra livremente na comunidade e se torna parte dela, o chamamento a seguir Cristo manifesta-se e é respondido. Consideraria Macau como um dos lugares onde me senti segura e em casa, não só pela presença das minhas irmãs da Congregação, mas também pelos crentes e cidadãos que conheci. Embora não me tenha encontrado com muitos jovens em Macau, devido à barreira linguística e ao período de isolamento imposto pelo Covid, vi jovens a estarem activamente envolvidos na Paróquia [de Nossa Senhora do Carmo] e na Diocese. Este é o espírito que devem manter. O simples envolvimento nas actividades da Igreja é uma porta de entrada que nos aproxima de Cristo, seja como acólito, leitor, catequista ou membro do coro. Se te atreves a ser missionário, vem e vê!

CL – Irmã Maia Thu Hien, quer concluir também com o seu testemunho de vocação religiosa?

MAIA THU HIEN – Na minha caminhada de seguidora de Cristo, percebi que a minha vocação é a história da misericórdia e do amor de Deus. É a história do amor de Deus, porque acredito que foi Ele quem me chamou primeiro, mesmo quando eu ainda não o sabia. Ele enviou-me pessoas e preservou-me para esta vocação sagrada. Refiro a história da misericórdia de Deus, porque apesar de toda a minha fragilidade, vulnerabilidades e dores, Ele continua a sustentar-me e a convidar-me a partilhar a Sua missão de amor. Alguém me disse: «– Sabes, mesmo na fragilidade, ainda podes brilhar porque Deus está contigo». Esta frase motivou-me a seguir em frente nesta jornada, com a convicção de que na minha própria fragilidade também posso ajudar alguém a brilhar. Acredito que a alegria não vem apenas dos momentos felizes que vivemos, mas também da convicção, profundamente enraizada nos nossos corações, de que temos um Deus que nos ama sempre e nos chama a seguir os Seus passos para amar, servir e partilhar as nossas vidas com os outros. Assim, aprendemos a amar-nos mais, a perdoar-nos mais, a aceitar-nos mais e a servir-nos mais.

Pe. Eduardo Emilio Agüero, SCJ

em Novaliches (Manila, Filipinas)

LEGENDA (First photo): Maia Thu Hien, Beatrix Kahlasi, Marie Nguyen Thi Nhiem e Miriam Y Phol

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