Teologia, uma dentada de cada vez (9)

Jesus é credível?

Jesus é credível?

Já examinámos a validade dos Evangelhos e concluímos que podem ser considerados autênticos registos históricos. Assim que começamos a ler os Evangelhos reparamos imediatamente numa nova personagem principal: Jesus. E o que descobrimos? Que faz afirmações que a maioria das pessoas acha simplesmente incríveis.

Para podermos compreendê-lo é importante relembrar o Antigo Testamento, quando Deus revela a Moisés o Seu nome. O Êxodo (3:13-14) diz-nos: «Então Moisés perguntou a Deus: “Se for ter com o povo de Israel e lhes disser ‘O Deus dos vossos pais enviou-me a vós’, e eles me perguntarem ‘Qual é o Seu Nome?’, o que lhes direi?”. Deus respondeu a Moisés: “EU SOU AQUELE QUE SOU” [em Hebreu, “YHWH”]. E acrescentou: “Diz isto ao povo de Israel, ‘EU SOU enviou-me a vós’”». Os hebreus veneravam tanto este nome que evitavam pronunciá-lo. No seu lugar usavam Adonai (Senhor). Os estudiosos (eruditos) dizem que no tempo de Jesus o nome sagrado era pronunciado apenas durante o Dia do Perdão (Yom Kipur).

Mas voltemos aos Evangelhos! Numa altercação entre Jesus e alguns judeus, estes duvidaram e questionaram as Suas credenciais. Jesus disse-lhes: «O vosso pai Abraão regozijou-se que estava para ver o meu dia; ele viu e ficou feliz. Os judeus perguntaram-lhe: “Ainda nem tens cinquenta anos de vida, e viste Abraão?”. Jesus respondeu-lhes: “Em verdade vos digo, antes de Abraão estava EU SOU [“YHWH”]”. (João 8:56-58)».

Podemos imaginar o choque e a consternação dos judeus ao ouvirem aquelas palavras. Compreenderam exactamente o que Ele reivindicava para Si mesmo. «Por isso agarraram em pedras para lhe atirarem, mas Jesus escondeu-se e saiu do templo (João 8:56-58)». A lapidação era o castigo para a blasfémia.

Jesus fez esta afirmação por várias vezes. Por 24 vezes, Jesus disse, enfaticamente, EU SOU. (João 4:26; 6:20; 6:35; 6:41; 6:48; 6:51; 8:12; 8:18; 8:23 [duas vezes]; 8:24; 8:28; 8:58; 10:7; 10:9; 10:11; 10:14; 11:25; 13:19; 14:6; 15:1; 15:5; 18:5; 18:6; 18:8).

Nos restantes livros do Novo Testamento “EU SOU” aparece num total de 86 vezes, das quais 28 foram enfáticas, (Mateus 14:27; 22:32; 24:5; 26:22, 25; Marcos 6:50; 13:6; 14:62; Lucas 1:19; 21:8; 22:70; 24:39; Actos 9:5; 10:21; 11:5; 18:10; 22:3, 8, 19; 26:15, 29; Hebreus 1:5; 2:13; Revelação 1:8, 17; 2:23; 21:6; 22:16). Para mais detalhes, procurem o debate “online” do padre Felix Just SJ, “Eu Sou, no Quarto Evangelho”.

Esta foi a razão porque o mataram – Ele insistia em dizer que era o Filho de Deus. Logo, Ele também seria Deus. Por exemplo, em João 5:17-18 lemos: «Jesus respondeu-lhes: “O meu Pai ainda está a trabalhar, e Eu estou a trabalhar”. Por causa disto, os judeus ainda tiveram mais vontade de O matar, porque Ele não apenas tinha violado o “Sabbath” [sábado judaico durante o qual os judeus se abstêm de trabalhar], como também chamou a Deus seu Pai, fazendo de Si próprio um igual a Deus. Além disso, Ele não afastava os que O adoravam, como quando Tomás, depois da Ressurreição, exclamou: “Meu Senhor e meu Deus!”. (João 20:28)».

Deixem-nos supor que um amigo nosso não é na realidade um ser humano, mas um anjo enviado do paraíso. Como é que reagiríamos? Pensaríamos que ele estaria a brincar connosco. Em 1942, durante uma conversa, CS Lewis vulgarizou o argumento de que Jesus ou era um mentiroso, ou um lunático (maluco), ou um Senhor. Se Ele não pudesse mostrar ter puderes divinos, estava a enganar-nos a todos, ou a Ele próprio – como um idiota – pelo que não podia ser credível. Ora, Jesus provou que as Suas palavras mereciam que acreditássemos nelas? Como? É o que vamos ver na próxima semana.

Pe. José Mario Mandía

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